Aspecto de vela derretida na bela e acessível Santana

Formações fazem a imaginação voar no percurso curto e fácil

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2009 | 03h17

Milhares de anos com água gotejando sobre o calcário fizeram da caverna Santana a mais bonita do núcleo que leva seu nome - e talvez de todo o Petar. Está entre as maiores do Brasil, com 5.040 metros de extensão. Mas desse total, apenas 800 metros são liberados para visitas.

 

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O percurso curto e a proximidade com o centro de visitantes fazem da Santana uma caverna bastante acessível. A maior dificuldade talvez esteja em subir algumas escadas de madeira instaladas no percurso. Nada que exija níveis avançados de preparo físico, no entanto.

A "decoração" é cuidadosa. O aspecto de vela derretida, presente em toda parte, dá margem para a imaginação viajar. A coluna que teve parte levada por uma enxurrada transforma-se em pata de elefante. Estalagmites de aspecto retorcido lembram um rosto. E há até quem veja a imagem de Jesus Cristo em uma das formações.

Em meio a tanta beleza, só um inconveniente. Desde que as carbureteiras (que expeliam fuligem e danificavam as formações) foram proibidas no parque, o número de micromosquitos aumentou exponencialmente. Orbitando nas luzes dos capacetes dos visitantes, eles fazem um irritante tour próprio pela caverna. E não há nada que se possa fazer.

Depois de visitar a bela Santana, talvez você não ache tanta graça na travessia da Couto. Tempos atrás, a caverna servia de passagem para um rio cuja altura foi baixando ao longo dos anos. Pelas paredes, você vê as marcas da água que um dia correu por ali. Na saída, a boca em forma de raio rende fotos bem divertidas.

Caso esteja com disposição e tenha acordado cedo, ainda é possível seguir para a Morro Preto. Ou, se preferir, dispense a Couto. Mais ornamentada, a Morro Preto tem um interessante aspecto histórico: serviu de abrigo para o homem primitivo, há mais de 3 mil anos.

Os grupos costumavam se alimentar de caramujos gigantes, endêmicos no Vale do Ribeira - as cascas que foram jogadas fora estão espalhadas entre enormes estalactites desmoronadas. Seja observador.

PELA ÁGUA

Será preciso um dia adicional para ver as outras cavernas do núcleo Santana. Mais distantes do centro de visitantes, Água Suja e Cafezal exigem um pouco mais de disposição dos turistas, que precisam seguir pela Trilha do Betari. Vá preparado para se molhar: há trechos em que é necessário atravessar pelo meio do rio.

Os tênis molhados ficarão ainda mais encharcados na Água Suja. Não se assuste com o nome: a água é, na verdade, limpíssima. E gelada. Mas não há jeito de conhecer essa caverna sem caminhar com os pés submersos. Blocos gigantescos de estalactites, que lembram construções góticas, surgem nos maiores salões.

Uma grande pedra pendurada impede que o resto do corpo, da cintura para cima, se mantenha seco. O trecho é bem curtinho, mas inevitável para quem quiser ver o grande trunfo da Água Suja: sua bela cachoeira.

Dali, há duas opções. Ir até o fim da Trilha do Betari, de 3,5 quilômetros, e conhecer, fora das cavernas, as Cachoeiras das Andorinhas e Beija-Flor. Ou observar as formas delicadas da gruta Cafezal, cujo amplo salão abriga formações como as electites, que mais parecem cristal - ou uma cocada. Atenção aonde pisa: há buracos de escavações arqueológicas no local.

EM DETALHES

Estalactites | São formadas no teto das cavernas com o gotejamento do calcário. Quando as formações se originam no chão, são chamadas "estalagmites"

Ninho de pérolas | Gotas d'água com fragmentos de calcário caem em movimento circular, originando pedras branquinhas como as da foto

Chuveiro | A rara formação pode ser encontrada na caverna Temimina. Está a cerca de 6 metros de altura e tem 1 metro de diâmetro

Electites | Delicadíssimas, são formadas como as estalactites. O som e o ar também interferem em seu aspecto

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