Dennis Fidalgo/Estadão
Dennis Fidalgo/Estadão

Atacama sozinho

Para quem precisa de um tempo na companhia de si mesmo ou está em busca de novas amizades

Karen Abreu, Especial para O Estado

30 Novembro 2017 | 04h27

Sensação de liberdade, sede de descobertas, necessidade de autoconhecimento. Não importa a razão: uma jornada solo é sempre uma boa ideia, e certos destinos parecem feitos na medida para uma empreitada assim. O sucesso da jornada começa na escolha do destino – que pode muito bem ser o Deserto do Atacama

Endereço de mochileiros e viajantes solo de todos os cantos – portanto, com uma atmosfera propícia para o surgimento de amizades –, o deserto mais seco do mundo é uma piração em termos de paisagens, que parecem fruto de alucinações consequentes do sol inclemente ou do soroche (mal de altitude), de tão impressionantes. 

Num momento você caminha no Vale da Lua, tendo apenas areia, pedras e paredões à sua frente. Em outro, as lagoas se destacam na paisagem – caso da Cejar, lagoa verde-esmeralda cuja concentração de sal é tamanha que o corpo não afunda (depois de um período fechada para visitação, ela reabriu este ano). Depois, contempla-se a barulhenta explosão de vapor nos Gêiseres del Tatio. Parece até cenário do Mundo Invertido (a dimensão paralela da série da Netflix Stranger Things). 

A base natural para as andanças é o vilarejo de San Pedro de Atacama – para quem está sozinho, vale a pena escolher uma das opções por ali, onde há mais serviços, alguns bares e hotéis para vários perfis de viajantes. Você pode comprar seus passeios nas agências locais – é fácil se encaixar num grupo. 

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Tanto pela proximidade como para ajudar o corpo a evitar o soroche, o primeiro passeio costuma ser o Vale da Lua, a dez minutos de carro de San Pedro, para ajudar na aclimatação – a vila está a 2.300 metros de altitude, mas há passeios acima dos 4 mil. O lugar tem esse nome por conta do solo irregular de origem vulcânica, que lembra a superfície lunar e onde nada brota. Tão inóspito que foi ali que a Nasa testou equipamentos usados nas explorações de Marte

O Salar do Atacama também é comumente visitado no começo da viagem, e é difícil definir se impressiona mais por ser uma vasta planície de solo quase transparente (pois é forrado por sal petrificado), por ostentar um espelho d’água coalhado de flamingos ou por oferecer um pôr do sol deslumbrante.

À noite, a dica é continuar contemplando o horizonte, que fica pintadinho de estrelas, em observatórios como o Alma (Atacama Large Millimeter Array), o maior do mundo. Há visitas aos sábados e domingos, solicitadas com antecedência pelo site almaobservatory.org.

Cortina de vapor. Já aclimatado, aí sim o visitante estará mais preparado para ir montanha acima, como pede o passeio que leva aos Gêiseres del Tatio, 4.300 metros acima do nível do mar. Por volta das 6h da manhã, 80 gêiseres se intercalam na tarefa de barulhentamente jorrar vapores. O fenômeno tem a ver com a movimentação no subsolo da Terra, cujo magma ferve o lençol freático. Tamanha pressão faz o vapor ser arrancado do solo a 80 graus, que, em contato com o ar gélido do começo da manhã, forma um denso conjunto de fumaça, deixando aquele cenário desértico ainda mais surreal. 

Bem, surreal é mesmo uma palavra perfeita para descrever o Atacama, que desde o primeiro passeio destrói a crença de que deserto é só um lugar com areia e pedra. São tantas belezas que não vai faltar assunto com colegas de passeio. Ou seja, no Atacama você pode até estar sozinho, mas não se sentirá só. 

Dicas úteis

Na bagagem

Protetor solar, chapéu, óculos escuros, calçados de caminhada e garrafinha d’água para não descuidar da hidratação.

Altitude

Para evitar o soroche, aclimatar-se no primeiro dia é importante: descanse e beba muito líquido – mas evite bebidas alcoólicas. 

Clima

No Atacama, os dias são quentes e as noites, frias; não esqueça de colocar luva, gorro e casaco na mala.

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