Autêntica, mas com atmosfera renovada

Com belezas naturais, arquitetura colonial e o Mar do Caribe logo ali, [br]Santa Marta supera o histórico de violência e começa a fazer fama no turismo

Lionel Beehner STA. MARTA / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2010 | 01h32

O Parque dos Noivos não tem esse nome à toa. Jovens casais entrelaçam as mãos enquanto caminham entre canteiros de flores. Uma canção romântica de Sinatra, em espanhol, ecoa de um bar da esquina. Ao lado, um grupo de homens se diverte com um jogo de tabuleiro, reforçando a sensação de que, na fresca tarde de agosto, tudo está em período sabático.

Mas essa praça no centro de Santa Marta, cidade portuária na costa caribenha da Colômbia, não foi sempre assim. Apenas alguns anos atrás, a área estava em ruínas. Encravada entre o mar e os picos da Serra Nevada, a provável cidade mais antiga do país sempre foi vista como o lado empoeirado e industrial da vizinha pop Cartagena. Na melhor das hipóteses, uma parada para visitantes a caminho das trilhas no Parque Nacional Tayrona e do sítio arqueológico da Cidade Perdida (leia mais abaixo),

"Até cinco anos atrás ninguém vinha aqui por causa das guerrilhas", conta Michael McMurdo, chef que estudou em Nova York e abriu um restaurante mexicano em Santa Marta, o Agave Azul (Calle 14, 3-58). "Embora ainda existam problemas esparsos, gosto daqui, porque é possível sentir a Colômbia real."

A mudança começou com a repressão aos grupos paramilitares. Os esforços deram resultado: hoje, o turismo só faz crescer. O número de visitantes estrangeiros no país aumentou 17% em 2009 em relação ao ano anterior, ajudado pelo interesse por destinos antes escondidos. Como Santa Marta.

O governo também investiu para renovar parques e transformar ruas em áreas para pedestres. Empresários continuaram o processo. Ressuscitaram o centro colonial com lojas que vendem iconografia religiosa, salas de bilhar, hotéis e bares de jazz que servem tapas. O calçadão, hoje, lembra uma versão reduzida de Ipanema.

Talvez o mais perfeito ícone do renascimento seja a brilhante marina, nova em folha: enorme e de visual espetacular, não pareceria fora de contexto em Dubai. O terminal, inaugurado neste mês, acomoda mais de 250 iates.

Longe da praia, a cidade esbanja charme colonial espanhol. No entorno do Parque Simón Bolívar há uma catedral de paredes caiadas, uma amálgama de influências arquitetônicas do século 17, autodeclarada a mais antiga da América do Sul. Para refrescar, água de coco, vendida ao lado da catedral, e a sombra no pátio do Café Juan Valdez, uma cadeia local de cafeterias.

A culinária de Santa Marta, é claro, oferece mais que café. As influências aqui são tão multiculturais quanto o mix de etnias e a herança musical: sabores africanos, caribenhos, europeus e latinos têm espaço nos menus. No Gourmet Plaza Bistro (Calle 18, 3-103), os jantares podem reunir frango com ricota, um híbrido colombiano-mediterrâneo, e saborosos crepes. Para degustar ceviche, siga para o Donde Chucho (Calle 19, 2-17).

Para badalar. A reputação festeira da cidade também está crescendo, com bares e clubes abertos a semana inteira. No centro, o visitante pode ouvir uma gama de ritmos - desde o tecno europeu até o nativo cumbia. A atmosfera latina fica evidente no La Puerta, um bar onde a pista ferve ao som de ritmos locais, como rap colombiano e reggaetón.

Ao sul está El Rodadero, distrito litorâneo povoado por restaurantes estilosos, mercados ao ar livre e hotéis à beira-mar, ao estilo de Cancún.

É verdade que, fora das áreas protegidas do Parque Nacional Tayrona, as areias de Santa Marta não são o melhor lugar para relaxar. Os vendedores bombardeiam turistas com ofertas de cadeiras e massagens.

Mas a autenticidade local funciona como imã. A americana Evan Dore, por exemplo, decidiu ficar em Santa Marta e abrir o hostel e bar La Brisa Loca. "A cidade está cheia de pessoas levando sua vida cotidiana sem se importar com os estrangeiros", diz. "Santa Marta é a América do Sul pela qual eu procurava. A América do Sul de verdade."

BATE-VOLTA

Taganga

Rodeado por colinas verdes em forma de ferradura, o vilarejo meio hippie de Taganga tem como ponto forte o mergulho no mar calmo. Várias escolas se instalaram entre as casinhas simples. De lá, chega-se a um atol onde se veem corais e cardumes de mais de 35 espécies de peixes. O pôr do sol é de tirar o fôlego, especialmente do bar-terraço do Hotel Mirador de Taganga, na ponta sul da vila.

Mamancana

Apesar da proximidade com o litoral, a reserva lembra a caatinga do sertão nordestino, com árvores de troncos frágeis, muita terra batida e clima árido. Nos 600 hectares do parque há espaços para trekking, mountain bike, rapel, escalada, parapente e canopy. Há, ainda, cavalgadas arqueológicas para identificar vestígios dos povos que viveram na região, que partem da portaria do parque.

SAIBA MAIS

Como ir: o trecho aéreo São Paulo-Barranquilha-São Paulo custa a partir de US$ 735 na Lan (0800-761-0056; lan.com) e US$ 880 na Taca (0800-761-8222; taca.com), com duas escalas. Com apenas uma escala, na Copa (11-3549-2673; copaair.com), desde US$ 906. Outra opção é voar direto para Santa Marta, a partir de US$ 1.008, com a Avianca (0800-891- 8668; avianca.com)

Onde ficar: muitos hotéis em Santa Marta podem parecer antiquados, mas há boas opções mais modernas. O La Casa (Calle 18, 3-52; 57-311-390- 4091) tem tetos altos e pisos de mármore originais. Desde US$ 140 o quarto duplo. Mochileiros devem tentar o La Brisa Loca (Calle 14, 3-58; 57-3183- 030-666; labrisaloca.com), que tem um bar animado, piscina no jardim e terraço, por a partir de US$ 45 o quarto individual

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.