Avaliar os melhores hotéis do País: uma árdua rotina

Há seis anos, o carioca Felipe Candiota entrou para o seleto grupo de inspetores do Guia Condé Nast Johansens, assim que a renomada publicação (que hoje abrange 65 países) decidiu avaliar e sugerir também os hotéis de luxo brasileiros. Foi a experiência adquirida ao longo destes anos - e as inúmeras visitas e revisitas aos estabelecimentos mais sofisticados do País - que proporcionou a realização de um projeto pessoal, o livro Brazil Hotels, lançado em dezembro. A obra reflete sua seleção particular dos 23 hotéis e pousadas nacionais que considera mais exclusivos, retratados em 361 fotos.

BRUNA TIUSSU, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2012 | 03h09

Durante um bate-papo no Hotel Unique, em São Paulo, Candiota contou um pouco das curiosidades de sua árdua rotina: viajar o País se hospedando em hotéis luxuosos para avaliar seus serviços.

Como são feitas as visitas?

Em um ano visito cerca de 50 hotéis, sobretudo na baixa estação. Vou sempre anunciado, mas aviso meio em cima da hora, 15 dias antes. Isso porque tenho que olhar todas as áreas do hotel, do quarto mais sofisticado ao mais simples, em apenas duas noites de hospedagem. E posso garantir que não há dono que consiga melhorar tudo, maquiar o serviço e treinar uma equipe em tão pouco tempo.

E o processo de avaliação? O que você tem de observar?

Não existe nenhum check-list do que um hotel deva ter para entrar no guia. Observo tudo aquilo que é essencial para nosso leitor, no caso, turistas estrangeiros mais sofisticados e exigentes que vêm ao Brasil: recepção, se há alguém que fale inglês para recebê-lo, limpeza, o quanto o ambiente é convidativo, manutenção e infraestrutura. O inspetor tem autonomia e a avaliação pessoal pesa muito.

Há cobranças da parte dos hoteleiros para entrarem no guia?

Sempre explico aos donos dos hotéis que não faz sentido estar no guia se não conseguirem satisfazer as exigências do leitor, que depois vai queimar o local. Após a visita também dou um feedback, a maioria quer saber minha opinião e sugestões do que pode ser melhorado. Se estão começando no ramo, sabem que é muito delicado, dificilmente um hotel é bem avaliado no seu primeiro ano. Há muitos erros de iniciante, mas se aprende. É com o tempo que se melhora.

Você consegue observar alguma particularidade típica dos hotéis de luxo brasileiros?

Uma característica é que eles têm o perfil de hotel de dono, não são de grandes redes. Então, há muito do estilo de cada um no treinamento da equipe, além de uma interação típica do dono com seus hóspedes. Essa proximidade latina, o jeito de cumprimentar, conversar, é uma característica boa daqui. Também percebi uma melhora significativa na culinária na maioria deles, a preocupação em ter um bom chef, uma carta de vinhos ampla. Agora, a parte que o Brasil tem muito a melhorar é na manutenção das instalações, o chamado housekeeping.

Que tipo de surpresa você já vivenciou durante as visitas?

A situação mais esquisita que já passei foi num hotel-design em Buenos Aires. Cheguei à noite, acompanhei o cara da mala até o quarto e quando ele abriu a porta tinha um casal na cama, dormindo. O quarto já estava ocupado, não sei porque ele me levou ali. Foi uma situação muito constrangedora, um erro ridículo. De experiências positivas, o que às vezes me surpreende é como os hotéis conseguem coisas excepcionais, como um bom chef, barman, massagistas, mesmo estando em locais super-remotos. Também me admira ver como são cuidadosos nos detalhes. Em alguns, fica claro que a equipe se comunica o tempo todo e você simplesmente não vê ninguém. Sai para tomar café e quando volta o quarto está arrumado. Vai dar um mergulho e ali está uma toalha esperando. É impressionante.

Inspetor do guia Condé Nast, Felipe Candiota

conheceu as opções mais luxuosas. E transformou suas favoritas em livro

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