Kaio BAstos Veda/Divulgação
Kaio BAstos Veda/Divulgação

Baladas em São Paulo: miscelânea nacional

A Pauliceia está varrendo a poeira que a recobria como um destino feito apenas para negócios rápidos. Há algum tempo, estrangeiros de todos os cantos - especialmente os mais jovens - têm descoberto os encantos da arquitetura misturada sem nenhum critério, da arte de rua, da gastronomia e de uma vocação festeira como se vê em poucos lugares.

Fabiana Caso, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2010 | 07h00

 

Por aqui, a balada sempre insiste em continuar: começa cedo no esquenta, promove filas e um trânsito curioso às 2 horas. E por vezes invade o dia seguinte, na maior disposição. Como uma antena que sintoniza centenas de estações diferentes, a cidade oferece botecos despretensiosos, o bairro engomadinho do Itaim, a universitária Vila Madalena, a roqueira Barra Funda, o democrático Baixo Augusta e o velho/ novo Centro. De segunda a segunda.

 

Foi a balada que promoveu o encontro do casal formado pelo alemão Thomas Haferlach e pela francesa Laurence Trille, ambos de 28 anos. Ele tinha acabado de criar a festa Voodoohop. Ela, que fundara a associação Soukmachines, em Paris, também queria levar festa e arte para espaços diferentes.

 

Anárquica

 

Se encontraram nos primórdios da Voodoohop, em 2009, ainda no Bar do Netão - boteco com pista de dança no Baixo Augusta. "Quando vi a Augusta pela primeira vez, achei interessante aquela anarquia, pessoas de tantos tipos e a vida 24 horas", diz Thomas.

 

O espaço do boteco ficou pequeno para a multidão que passou a seguir a festa. Tanto que a balada acabou migrando para o centro. Hoje, uma das propostas é levar diversão e arte à região, de forma itinerante. O cardápio de diversão inclui DJs de estilos variados, shows e performances.

 

Adotando um sistema de cadastramento por e-mail bastante usado nas festas de Londres e Berlim, a Voodoohop acabou ganhando ares locais. "As pessoas vão fantasiadas, misturou um pouco do carnaval", diz Thomas.

 

A cidade foi o pano de fundo para o desenvolvimento dos dois como DJs e promotores. Adotaram a Pauliceia. "Gosto de São Paulo porque é multicultural. E aqui a noite é mais liberada e misturada", conta Laurence. Não por acaso, a festa costuma atrair estrangeiros, como a alemã Bine Fez Buk, de 32, que desde 2001 se divide entre Berlim e São Paulo. Ela também começou a tocar como DJ no Baixo Augusta. "Quando conheci São Paulo, ficava impressionada com tanta vocação para o ecletismo."

 

Mutante

 

Mais até do que em outras capitais, em São Paulo os clubes são voláteis: tudo se transforma a todo momento. O Baixo Augusta aos poucos está virando clássico. Tanto que alguns sócios de clubes da região estão abrindo casas mais para baixo, no centro. "O aluguel está ficando caro na Augusta e isso afasta as pessoas mais criativas", arrisca Claudio Medusa, dono do Astronete (na região da Augusta) e um dos sócios do novo Alberta#3 (na Avenida São Luís). Em termos de vida noturna, ele celebra a melhora da qualidade dos serviços paulistanos. "Antes, só tinham os botecos pé sujo. A noite se profissionalizou."

 

Os donos do Vegas, do Z Carniceria e de outros bares da região da Augusta também investiram em uma nova casa no centro, o Lions Nightclub. Um deles, o argentino Facundo Guerra, comenta: "O centro é a última fronteira. Tem uma aura de início, origem, que até os paulistanos não conhecem." Diga-se: vale a pena conferir a vista do terraço, que alcança até a cúpula de nossa catedral gótica: a Sé.

 

Social

 

Outra diferença marcante de São Paulo é que a maioria das pessoas não sai motivada por uma programação musical específica. "Aqui os clubes são sociais: as pessoas vão para se encontrar e pelo evento", diz Facundo. "Na Europa, existe preocupação maior com sistema de som. E aqui, com iluminação."

 

O D-Edge, na Barra Funda, escapa à regra. A iluminação primorosa harmoniza-se com uma cuidadosa programação musical: é comum a casa trazer top DJs internacionais. E a iluminação de leds verdes sobre o fundo escuro é um destaque. Aliás, o clube está sempre na lista dos melhores do mundo, segundo a DJ Mag. Ficou em nono lugar em 2009 e em 16.º neste ano.

 

Leia também:

link Rota da balada: no ritmo das pistas

link Londres, por Marky

link Berlim, por Gui Boratto

link Paris, por Mixhell

link Tóquio, por Anderson Noise

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