Visit Norway/Divulgação
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Balé iluminado

Será preciso reservar ao menos sete dias para ver a aurora boreal – a jornada, afinal, é longa demais para correr o risco de voltar para casa de ‘olhos abanando’

LEÃO SERVA / TROMSO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 Março 2013 | 02h13

Todo homem deveria ver a aurora boreal ao menos uma vez na vida. Dos fenômenos naturais, é certamente o mais impressionante, pela beleza e pelas dimensões planetárias - tanto que a melhor visão de todas é a dos astronautas que orbitam em volta da Terra. Mas enquanto essa possibilidade não se populariza, resta-nos seguir para o Círculo Polar. É certamente um dos programas mais exclusivos e uma das viagens mais caras do roteiro das agências (quem sai do Brasil tem ainda uma passagem aérea salgada). Mas vale a pena.

Se o turismo fosse uma religião, as luzes do norte seriam sua Meca, peregrinação obrigatória; se fosse uma obra de arte, seriam a Mona Lisa; um projeto arquitetônico, seriam como o Taj Mahal ou a Capela Sistina. Em resumo: nada se compara à aurora boreal. Nem ela mesma: como as luzes dançam no céu e mudam de forma e cores em minutos, a visão que se tem em um momento não é igual à de um átimo depois. Parafraseando Heráclito de Éfeso, um homem não vê a mesma aurora boreal duas vezes na vida.

Por isso, há tantos séculos, tantos viajantes se admiraram, como se pode notar pelos milhares de turistas contemporâneos que seguem enfrentando o mais frio dos invernos para ver as míticas luzes coloridas tingirem o céu do Polo Norte.

Os anos de 2012 e 2013 estão testemunhando as mais intensas luzes dos últimos 50 anos, segundo a Nasa, agência espacial norte-americana (leia na pág. 10). O fenômeno deve seguir forte nos próximos invernos, segundo explicou o físico norueguês Asgeir Brekke à revista N by Norwegian: "Se o céu estiver limpo, você pode ver as luzes todas as noites". E ainda há tempo de assistir ao espetáculo natural antes que chegue o verão no Hemisfério Norte, quando os dias são mais longos e a luz do sol eclipsa as delicadas luzes coloridas.

'Manual'. Seja lá qual for o destino escolhido, os guias turísticos sugerem que o caçador de aurora boreal reserve sempre uma semana nas regiões propícias para ver as luzes: afinal, a viagem é muito longa, cara e cansativa para correr o risco de voltar de "olhos abanando", por assim dizer, e não chegar a ver o fenômeno.

Minha viagem durou 15 dias, contando com o deslocamento aéreo: passei seis em Copenhague (Dinamarca) e Estocolmo (Suécia) assim que cheguei do Brasil. Depois, embarquei em um voo regional para Kirkenes, onde fiquei dois dias antes de desembarcar em Tromso (ambas na Noruega). Ali, reservei cinco dias para ver a aurora boreal.

Acha que é muito? Acredite: dos sete dias no Círculo Polar Ártico, só consegui em duas noites ver as luzes que pintam o céu de uma cor verde, como se estivéssemos vendo tudo de dentro de um imenso anel de esmeralda. E quase chorei com a frustração do casal septuagenário inglês que, ao final do terceiro dia de estada em Tromso, narrou com tristeza que ia embarcar de volta para casa no dia seguinte sem ter visto a cor das luzes do norte.

Por isso, se jogue. Junte as economias, parcele no cartão de crédito, peça emprestado. Mas vá. Acredite: você não vai se arrepender.

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