Barbados, uma ilha a explorar

O mais novo destino do Caribe a entrar na rota de férias do brasileiro é a ilha de Barbados. Desde sábado retrasado, um voo semanal da Gol liga São Paulo a Bridgetown em pouco menos de seis horas, sem escalas, desde R$ 1.260,00 (ida e volta, sem taxas). Os primeiros passageiros foram recebidos ao pé da escada com banda de música, bailarinas fantasiadas com plumas e dançarinos montados em pernas de pau.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2010 | 13h00

Aquela não é uma pista qualquer. Por vinte anos recebeu, todas as semanas do inverno do Hemisfério Norte, a ilustre visita do Concorde. O supersônico aterrissava com 100 passageiros, trazidos de Londres a 8.000 libras por cabeça.

Não é preciso pertencer ao jet set (ou ao Concorde set!) para curtir o que a ilha oferece. Barbados tem um pouco para todos os gostos e bolsos. Você tanto pode ir em busca da vida glamourosa dos bacanas, enclausurados em seus hotéis exclusivos, quanto mergulhar na vibrante cultura local. A pequena Inglaterra dos trópicos convive perfeitamente bem com uma versão light e segura da Jamaica, onde os rastafáris são bem-comportados e a alegria da soca contrabalança o torpor do reggae.

Praias perfeitas, uma cena gastronômica diversa e uma profusão de passeios no mar e em terra firme completam o time de atrações com que Barbados quer conquistar o Brasil.

Go west. Mesmo sem se afastar da costa, é raro você avistar o mar. O pedaço mais valorizado do litoral de Barbados é quase inteiramente tomado por muros ou construções baixas, que escondem a visão da água. Todas as praias, no entanto, são públicas, e têm acessos bem sinalizados. De vez em quando um naco de praia se oferece a quem passa pela estrada, mostrando o que você está perdendo. Na semana passada, devido a uma corrente marinha intrusa, as águas estavam esverdeadas, mas normalmente são azul-bebê.

O filé mignon (o bife de Kobe?) das praias de Barbados está na costa oeste, 10 quilômetros adiante da capital, Bridgetown. Da estrada você não verá a praia, mas saberá que chegou lá. De repente, os muros ficam mais elegantes, as casas viram mansões, os jardins se tornam parques particulares. A costa oeste é o endereço dos ricos porque ali o mar é mais calmo ? e as areias, mais difíceis de invadir. Mas se você descobrir o acesso de pedestres a Paynes Bay, vai dar praticamente ao lado do hotel mais esnobe da ilha, o Sandy Lane ? cenário do casamento de Tiger Woods.

O lugar mais agradável para curtir as areias rosadas e o mar cristalino da costa oeste, contudo, é Mullins Bay, uma praia escancarada para a estradinha, já quase em Speightstown. O restaurante é ótimo (peça o peixe à moda creole) e você pode alugar espreguiçadeiras.

Sul maravilha. Já o trecho mais democrático ? e mais divertido ? do litoral barbadiano é a costa sul. Coladinha à capital Bridgetown fica aquela que, na minha opinião, é a melhor praia da ilha: Carlisle Bay. Se não bastasse a areia branquíssima (que torna a água mais cristalina), Carlisle Bay ainda oferece estacionamento fácil e inúmeros bares ? com destaque para o Boatyard, que cobra entrada e também funciona como disco pé na areia à noite.

Nas demais praias do sul o mar vem com alguma ondulação. Rockley/Accra Beach também tem um extenso deque, a Boardwalk, que funciona como um calçadão. Por ali você vai encontrar alguns dos mais agradáveis restaurantes da ilha, como o Tapas (pegue uma mesa na varanda do segundo andar) e o Black Pearl (que tem alguns pratos gregos no cardápio).

Rodando mais cinco minutos para o sul você chega a St. Lawrence Gap, uma ruazinha que sai da estrada e acompanha uma enseada. São bares e restaurantes enfileirados ? tem até um rodízio brasileiro, o Paulo"s.

Na continuação do Gap está outra praia concorrida, Dover, a última antes do vilarejo de Oistins. Durante o dia funciona em Oistins o maior mercado de peixe da ilha. (Mais adiante está Enterprise, a praia preferida dos ilhéus.)

À noite, os quiosques ao lado do mercado viram restaurantes que servem comida típica ? peixe frito, bolinhos de peixe, arroz com feijão, torta de macarrão ? a nativos e turistas. Sexta-feira é a noite mais fervida. Entre na fila da barraca do George, dê uma espiadinha nos casais dançando respeitosamente no salão da direita e fique para o quase-baile-funk que acontece mais para o fim da noite.

Ilha tour. Barbados é especialmente indicado para quem quer ir ao Caribe, mas não quer ficar só na praia.

Antes de se aventurar pelo interior, porém, faça um passeio de catamarã ? só assim você vai entender a costa. Todos fazem paradas para nadar com tartarugas e mergulhar de snorkel em corais. A Calabaza só leva 12 passageiros por vez e serve ótima comida (calabazasailingcruises.com; US$ 100).

Uma visita essencial é a St. Nicholas Abbey, propriedade rural dos tempos coloniais que possui sua própria destilaria de rum (stnicholasabbey.com; US$ 15). Ali pertinho, a Barbados Natural Reserve tem macacos, veados e tartarugas que são alimentados sempre às 14h (US$ 12). Aproveite a viagem para fazer um tour pela Harrison"s Cave, uma caverna que ganhou iluminação e estrutura disneyanas (harrisonscave.com; US$ 30).

O lado leste da ilha, onde está a praia de Bathsheba, tem ondas fortes, próprias para surfe, e formações rochosas incríveis, próprias para gastar a memória da sua câmera. Se não tiver coragem de alugar um carro e dirigir na mão inglesa (US$ 40 por dia), combine um tour com um taxista (US$ 120) ou pegue um passeio de jipe (islandsafari.bb; US$ 85).

Faça sua escala final ao lado do aeroporto, onde mora o último Concorde a voar a Barbados. O ingresso é um cartão de embarque, que é devidamente carimbado pela aeromoça antes de você visitar a cabine. Não importa o que você tenha feito ou visitado ? sua viagem a Barbados parecerá ainda mais chique depois disso (barbadosconcorde.com; US$ 20).

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