Bariloche: muito além da neve

Na cabeça do brasileiro, Bariloche quer dizer neve. Está bem: neve e chocolate. É para lá que levamos as crianças para ver neve pela primeira vez; é lá que arriscamos nossos primeiros passos sobre um par de esquis. Em julho, o lugar se torna um ponto avançado (e gelado) do território brasileiro ? conhecido, até mesmo pelos argentinos, pela alcunha "Brasiloche".

RICARDO FREIRE, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 01h53

Nas férias do meio do ano e durante a temporada de esqui há uma infinidade de voos charter partindo de diversas cidades do Brasil e a rede hoteleira fica praticamente bloqueada pelas operadoras tupiniquins. Depois da ausência do ano passado, quando cancelamos nossas viagens em cima da hora por conta da gripe suína, a temporada de 2010 promete ser mais verde-amarela do que nunca.

O que você talvez não saiba é que, antes e depois da neve, Bariloche e sua região continuam encantadoras. Para os argentinos, o lugar é um destino de verão, quando os lagos se tornam balneários e as montanhas, circuitos de caminhadas. Já o outono e a primavera são as melhores épocas do ano para quem quer explorar a região sem engessar a viagem. Os hotéis sempre têm vaga, os restaurantes estão sem fila, há carros disponíveis para alugar, as estradas não oferecem o perigo das capas de gelo, os passeios lacustres não são apinhados. E a paisagem, definitivamente, não precisa de neve para deslumbrar.

Semana retrasada eu estava em Bariloche, esperando minha vez para ser atendido numa locadora, quando entreouvi uma conversa de turistas americanos. Um, que estava entregando o carro, tranquilizou o outro, que estava pegando o seu: "Não se preocupe, aqui tudo é bonito." Vai por mim: você não vai sentir falta de neve.

Um roteiro. Aproveite a meia-estação para dividir sua estada entre as cidades da região ? algo bem difícil de fazer em julho, quando é complicado ir sem pacote. Passe as duas ou três primeiras noites em Bariloche. Atenha-se aos passeios à região mais imediata: o Circuito Chico, o Cerro Catedral, as fábricas de chocolate...

Se quiser fazer uma excursão pelo Lago Nahuel Huapi, pegue o passeio de dia inteiro a Puerto Blest, que está na direção contrária à que você vai tomar no restante da viagem. Nestes primeiros dias não é imprescindível estar de carro. Táxi em Bariloche é tão barato quanto em Buenos Aires, e o Circuito Chico é bem feito pelos tours organizados.

Alugue um carro no terceiro ou quarto dia e prossiga a San Martín de los Andes, cidadezinha encantadora na extremidade do fiorde do Lago Lácar. Vá pelo caminho menos percorrido, pelo Paso de Córdoba ? um trecho de 61 quilômetros de terra e cascalho que passa por formações geológicas incríveis dentro do Parque Nacional Lanín. No total serão 160 km, mas conte em gastar umas três horas no trajeto, porque a velocidade dentro do parque é baixa. No inverno, San Martín é a cidade que serve de apoio à estação de esqui de Chapelco; fora de temporada, a estrutura continua à disposição dos visitantes. Fique duas noites; no dia seguinte, faça um passeio de barco pelo Lago Lácar.

Torça para fazer sol no dia de sair de San Martín: você vai pegar a Rota dos 7 Lagos, uma estradinha que passa por lagos e lagunas de todos os tamanhos e formatos. Muitos lagos têm prainhas que são perfeitas para fazer um piquenique. São 100 km (51 km de cascalho) até a sua última parada do circuito: Villa La Angostura. Com hotéis e cabañas à beira dos Lagos Nahuel Huapi e Correntoso, e um centrinho bem simpático, Villa La Angostura é o fecho mais tranquilo e elegante que você poderia dar à viagem.

Fique duas ou três noites, descansando e comendo bem. Num dia claro, vá ao portinho da Baía Mansa e faça um passeio de barco pelo braço mais bonito do Lago Nahuel Huapi, descendo na ilha onde está o Bosque de Arrayanes. Na temporada funciona o Cerro Bayo, que se autodenomina uma estação de esqui "butique".

De Villa La Angostura a Bariloche são 85 quilômetros. Tendo tempo, você pode voltar pelo caminho mais longo, passando por Villa Traful e o Vale Encantado ? esgotando, dessa maneira, todo o estoque de paisagens espetaculares da região de Bariloche.

Onde ficar. Na baixa temporada os hotéis de Bariloche entram em liquidação; consulte os sites de reservas especializados. No centro, aproveite para ficar num cinco-estrelas como o Edelweiss (US$ 153) ou num quatro-estrelas relativamente novo como o Blue Tree (US$ 96). O Design Suites é todo moderninho e está a apenas R$ 8 de táxi do centro (US$ 113); já o Pestana acabou de ser inaugurado à beira do Lago Gutiérrez ? lá você vai precisar de carro (US$ 113).

O hotel mais confortável de San Martín de los Andes é o Loi Suites Chapelco, já no caminho de Chapelco (US$ 163). Na cidade propriamente dita, fique com as simpáticas cabañas Las Marías, praticamente à beira do Lago Lácar (US$ 60).

Em Villa La Angostura, não há nada mais classudo do que o Las Balsas, um relais-château numa enseada praticamente privativa do Lago Nahuel Haupi, com vista para o bosque de Arrayanes; na baixa temporada é possível conseguir diárias de US$ 480. Para escolher um apart-hotel ou uma cabaña, consulte os sites puertomanzano.com e villalaangostura.com.br.

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