Bariloche tem programa para atrair turistas brasileiros

Mais moderno catamarã argentino é inaugurado na temporada de inverno do destino

Thiago Momm / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 05h00

Os presidentes norte-americanos não deixaram de ir: Franklin Roosevelt, Dwight Eisenhower, Bill Clinton e, no último mês de março, Barack Obama, que caminhou com a família pelo Parque Llao Llao e passeou pelo Lago Nahuel Huapi. San Carlos Bariloche, depois de assentamentos indígenas e viagens missionárias em séculos anteriores, foi oficialmente fundada com esse nome em 1902 e começou a atrair turistas quando a linha de trem chegou, em 1934.

Agora, em 2016, consagrada como importante destino de neve na América do Sul, a cidade da Argentina anuncia a campanha Bariloche: o Melhor Inverno do Brasil, que visa levar 30 mil brasileiros até lá, oficializando a ideia de ser “Brasiloche”.

Neste ano, as nevascas estão atapetando o cenário desde meados de abril, com média de temperatura de quatro graus negativos, e a temporada de inverno tem novidades importantes. O lago visitado por Obama ganhou o mais moderno catamarã argentino, o Gran Victoria. A embarcação comporta 250 passageiros e em uma hora percorre o trajeto de Puerto Pañuelo a Puerto Blest. O centenário Hotel Blest (hotelpuertoblest.com.ar), aliás, foi reinaugurado como hotel-butique.

Outras novidades são ganhos visuais na Calle Mitre, endereço tradicional do centrinho de Bariloche, e uma nova fábrica de cerveja, que reforça a vocação local, com produção artesanal da bebida há quase cem anos, para reverberar com força a explosão mundial de rótulos. Já são cinco fábricas e 23 opções de cervejarias em Bariloche – veja a lista de todas no ótimo site oficial da cidade argentina, barilocheturismo.gob.ar.

Bariloche, que faz parte da Patagônia, também tem novos atrativos no entorno. Na Rota dos Sete Lagos, a estrada ligando Villa la Angostura a San Martín de los Andes agora está totalmente pavimentada e deixou de ser exclusiva para veículos 4x4, podendo ser percorrida de carro ou de bicicleta – fato destacado pelo New York Times ao incluí-la entre os 52 lugares do mundo a se visitar em 2016.

Estilos diversos. Em Bariloche se encontram tipos de visitantes bem diferentes. Existe o turismo deliciosamente vagaroso, dulcificado (a cidade é a capital argentina do chocolate), de curtir o frio, a Festa Nacional da Neve (em agosto), um carpaccio de truta ou strudel de cordeiro. Também há a mistura de cenários com lagos e montanhas por todos os lados e as atividades familiares na imensa estação de Cerro Catedral. A 2.180 metros de altura, o centro tem 60 pistas e 120 quilômetros de área esquiável.

Nos mirantes nas ladeiras há vista para os lagos Gutiérrez e Nahuel Huapi, a Cordilheira dos Andes e montes diversos ao redor. A cerca de cem quilômetros dali fica a fronteira com o Chile.

Existe também um turismo mais exploratório, com adrenalina. Bariloche é também, desde 2012, a capital nacional do turismo de aventura. A cidade fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi (nahuelhuapi.gov.ar), de mais de 700 mil hectares.

O Cerro Catedral tem uma área de escalada com dificuldade média a difícil. Ainda mais instigante é a escalada no gelo no Monte Tronador, que começa a partir do albergue Otto Meiling de madrugada para chegada ao cume antes da metade da manhã. Há também voos de parapente, desde batismo até um circuito de uma hora e meia, além de trekking (em alguns casos, com duração de dias), rafting, mountain bike, tirolesa e outras atividades.

Para ver mais. Entre os passeios pela região, duas das principais opções são a Travessia do Lago Andino (cruceandino.com), alternando embarcações aquáticas e terrestres, e no inverno feita obrigatoriamente em dois dias; e o Circuito Chico, com saídas de manhã e à tarde, trajeto de 65 quilômetros e a predileção de quem está em Bariloche pela primeira vez.

Ainda há a vida noturna, com grande variedade de bares e pubs. Um deles é o bar de gelo, com temperatura média de cinco graus negativos.

Para se inspirar com a Patagônia como um todo, vale ler o livro do inglês Bruce Chatwin Na Patagônia, escrito depois de seis meses de aventura pela região e um sucesso imediato quando foi publicado, em 1977. 

Dica de economia

A Bariloche de julho e agosto é, óbvio, um destino na altíssima temporada. Isso dificulta um corte significativo em passagens e hotéis, mas existem reduções de gastos que podem fazer a diferença no custo total da viagem. Uma delas é considerar o uso de ônibus de linhas locais, que contam com passeios turísticos, no caso da empresa Autobuses Santa Fe. Um cartão de sistema único pode ser comprado em diversos pontos de San Carlos de Bariloche e a passagem custa menos de R$ 5.

Em comparação, a diária do aluguel de um carro básico sai em torno de R$ 190 por dia (alugá-lo por mais tempo diminui pouco o preço), e um traslado de ida e volta dos hotéis até Cerro Catedral, para esquiar, no mínimo R$ 70. Os roteiros dos ônibus de linha estão resumidos em bariloche.org/transporte-publico. Para quem for alugar o carro, o preço do litro da gasolina foi reduzido em 22% por lei no ano passado, mas voltou a subir – está parecido com o brasileiro, em torno de R$ 3,50. 

Uma agência de turismo local, a ZigZag (zigzagtravel.com. ar), tem pacotes com descontos em tours e atividades da região. As opções de cabanas no Airbnb são especialmente convidativas, mas é preciso antecipar-se – para diversas datas em julho, uma pesquisa no início de junho revelava menos de 20% de lugares disponíveis por menos de R$ 300. Para ter uma ideia mais precisa de gastos, o link bariloche.org/cuanto_me_cuesta/, com valores atualizados, é uma fonte imperdível.

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