Barraca, quiosque, lounge: como o Brasil vai à praia

No desfecho de uma batalha judicial que se arrasta desde 2006, semana passada o juiz da 13.ª Vara da Justiça Federal, Carlos d"Ávila, determinou a demolição das 353 barracas de praia de Salvador - incluindo os superproduzidos bares de Stella Maris e Flamengo, no norte da cidade.

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2010 | 02h17

Está marcada para hoje uma audiência pública sobre o assunto na Câmara Municipal de Salvador. Os barraqueiros estão em pé de guerra e prometem resistir à demolição. A prefeitura tem um projeto de padronização das barracas, usando materiais sustentáveis e desocupando a areia - mas não há tempo de ser implantado antes da temporada. Caso a ordem seja cumprida, as praias de Salvador correm o risco de passar o verão sem barracas.

O que acontece em outros lugares? Vale a pena ver os vários modos como as praias são ocupadas no litoral.

Fortaleza. A Praia do Futuro, dotada de larguíssima faixa de areia e exposta a ventos constantes, proporcionou as condições ideais para o nascimento de um tipo de megabarraca que virou a marca registrada de Fortaleza. Todas têm restaurante coberto junto ao calçadão e uma grande área de cadeiras (de plástico) e guarda-sóis - e, ainda assim, sobra espaço suficiente para andarilhos e banhistas avulsos. Nos últimos anos, algumas se transformaram em verdadeiros clubes de praia, oferecendo confortos como playground, piscina infantil, toboágua, palco para shows, sala de massagem, salão de beleza e lan house. Nas noites de quinta muitas servem caranguejadas - e ficam lotadas. Também funcionam eventualmente como balada ou espaço para festas.

Natal. Na Praia de Ponta Negra, os próprios quiosques do calçadão alugam cadeiras de alumínio e náilon, mas também mantêm algumas mesas de plástico. Em alguns ainda é possível alugar espreguiçadeiras - resquício da época da invasão dos escandinavos, que faziam questão de se bronzear na horizontal.

João Pessoa. Há dois anos o Ministério Público mandou demolir as barracas situadas na praia do bairro classe média alta do Bessa, no norte da cidade. Recursos foram interpostos e as barracas continuam por lá - para satisfação das famílias que frequentam o bar Golfinho e dos alternativos que batem ponto no Peixe Elétrico. Na areia, as mesas e cadeiras são de plástico.

Recife. Boa Viagem funciona como o Rio: os barraqueiros que trabalham na areia levam e trazem seus isopores e suas cadeiras todos os dias. Diferentemente de outras capitais nordestinas, as cadeiras dobráveis de alumínio ainda imperam. A cor local é dada pelos vendedores ambulantes de caldinhos (de feijão, camarão, sururu) armazenados em garrafas térmicas.

Maceió. Os quiosques do calçadão estão se adaptando a um padrão mínimo exigido pela prefeitura. Na Ponta Verde há barracas sofisticadas, como a Lopana e a Canoa, que têm ambiente refrigerado e Wi-Fi e são concorridas também no fim da tarde. Na Jatiúca, próximo aos maiores hotéis, a barraca Lampião faz forró todas as noites para os turistas.

Praia do Forte. Os únicos quiosques que podem servir comida ficam na praia central e têm estrutura sanitária. Ao norte do centro os barraqueiros não podem sequer alugar cadeiras (os banhistas trazem de casa).

Sul da Bahia. Em Porto Seguro elas são superdimensionadas e funcionam também como clubes noturnos pé na areia. Já Trancoso é o hábitat natural dos lounges de praia mais charmosos do País - como o bar do hotel Uxuá, com sofás rústicos colocados sob tendas de palha. A mais bonita ocupação, porém, é a do Bar do Baiano, na Praia do Espelho, que lançou a moda das esteiras grossas de taboa, mesas baixas de madeira e almofadões de chita, uma combinação copiada Brasil afora.

Búzios. Nos últimos anos, o Ministério Público e a prefeitura vêm combatendo o crescimento exagerado das barracas. Em João Fernandes elas tiveram de tirar as espreguiçadeiras da areia. Na Tartaruga foram proibidas de funcionar. E em Geribá acabam de ser padronizadas. O lounge mais bonito é o do hotel Insólito; pena que a visão das barracas vizinhas da praia da Ferradura - com mesas e cadeiras de plástico em cores berrantes - estrague a paisagem.

Rio de Janeiro. O choque de ordem da prefeitura padronizou as barracas na areia. No calçadão, porém, a modernização dos quiosques ficou pela metade, e está limitada a Copacabana.

Florianópolis. A praia de Jurerê Internacional se tornou a capital brasileira dos lounges de praia - há cinco, todos funcionando pé na areia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.