Bela Adormecida encenada em Sababurg

 Depois de serpentear pela estrada, o castelo surge em uma paisagem que bem poderia estar em um conto de fadas. E que, de certa maneira, está. Afinal, este é o Castelo da Bela Adormecida, no minúsculo povoado de Sababurg, de apenas dezesseis – sim, isso mesmo – habitantes.

Adriana Moreira/Estadão,

06 Agosto 2013 | 11h59

Localizado em uma colina em meio à floresta de Reinhardswald, o castelo é, de fato, digno de uma princesa. Elegante e sofisticado, sem perder a atmosfera lúdica. Quem administra o local, que conta com um hotel quatro estrelas e um restaurante refinado, é Günther Koseck, que vive ali e herdou dos pais o comando do castelo.

Ele conta que o lugar é conhecido na região como Castelo da Bela Adormecida desde o século 19. Foram seus avós que decidiram restaurar, em 1955, a construção (erguida em 1334 pelo Arcebispo de Mainz), que estava abandonada. Ali, montaram uma barraca onde vendiam bolos e refrescos. Mais tarde, arrendaram a área, que faz parte do Tiepark Sababurg, zoológico fundado em 1571.

A encenação da Bela Adormecida começou a ser realizada em 1982 – as apresentações são gratuitas até hoje e ocorrem às 16 horas (em alemão) e 16h30 (em inglês). Sem nada da opulência encontrada na Disney, mas com uma deliciosa simplicidade: os atores são estudantes dos vilarejos próximos e o programa, altamente familiar.

Apesar da encenação e das referências à história, o ambiente não é infantilizado. Eu mesma me senti uma princesa ao saber que me foi destinado o quarto mais alto da torre – são oito ali, mais nove no prédio principal. A decoração era clean, sem perder a personalidade. Uma rosa enfeitava a mesa iluminada por uma janela alta. A cama com dossel de madeira tinha um atrativo especial: pequenas luzes de LED, que imitavam um céu estrelado.

As rosas, aliás, são um tema recorrente no castelo. Elas florescem no jardim da propriedade por apenas quatro semanas de junho – veja só, justamente quando eu estava lá. Nessa época, elas enfeitam tudo, até mesmo o cardápio do restaurante, que usa a flor em deliciosas receitas. E as bebidas são servidas em lindas taças em forma de rosa. A refeição com três pratos custa desde 39 euros por pessoa.

Depois de comer tal qual a realeza, permaneci na confortável sala de jogos: o castelo da princesa tem Wi-Fi, mas não chega na torre. Maldição da bruxa, decerto. No quarto, uma história para dormir me esperava sobre o travesseiro – a do próprio castelo, em inglês e alemão. Um mimo atencioso. Com tanto conforto, não é preciso nem sonhar para se sentir em um conto de fadas. Ah, e a conta não chega a ser um pesadelo: os preços para o casal começam em  120.

A aposta perdida

O conto da Bela Adormecida todo mundo conhece: a princesa que furou o dedo na roca e foi despertada pelo príncipe 100 anos depois. Embora a história alemã tenha alguns elementos diferentes (um sapo revela à rainha, durante o banho, que ela terá uma filha), o enredo é o mesmo no mundo inteiro. Já a lenda de Sababurg é única.

Conta-se que um conde chamado Reinhard era o dono não só do castelo, mas de todas as vilas entre os rios Diemel e Weser. Ele gostava de apostar nos dados e, num dia desses, perdeu tudo. Para conseguir seus bens de volta, Reinhard pediu ao vencedor uma última colheita. O pedido foi consentido, e o conde tirou todos os habitantes dali, queimou a área e semeou árvores por todo o terreno. Assim, a última colheita nunca aconteceu e Reinhard ficou com tudo.

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