Mussa Qawasma/Reuters
Mussa Qawasma/Reuters

Belém

Para um bate-volta

José Maria Mayrink, Belém

12 Junho 2018 | 04h56

Belém requer um dia para se visitar a Basílica da Natividade. Longas filas sempre para se descer até a Gruta da Manjedoura. Os devotos se ajoelham e mergulham a cabeça no vão de um altar para beijar a relíquia, o local em que Jesus nasceu. No mesmo plano subterrâneo do templo, há uma capela e a cela de São Jerônimo, que ali morou 40 anos para traduzir para o latim a Vulgata, os textos hebraicos e gregos da Bíblia. A visita tem de ser rápida, para não se correr o risco de ficar perdido num labirinto quando as luzes repentinamente se apagam.

Do outro lado da praça da Natividade, ergue-se o minarete de uma mesquita imponente. Cristãos palestinos e muçulmanos convivem com harmonia em Belém. Não se assuste com os gritos de motoristas de táxi que parecem estar brigando: é só a disputa pelos turistas que visitam a cidade, no percurso do centro até o muro que separa o Território Palestino de Jerusalém. 

Árabes não cruzam o muro sem autorização especial, mesmo aqueles que trabalham em território israelense. Turistas entram na cidade sem burocracia, mas são obrigados a apresentar passaporte num posto de imigração para voltar a Jerusalém. Chega-se à fronteira de táxi ou de ônibus árabe, a partir da Porta de Damasco.

Na Praça da Paz, entre a basílica e a mesquita, localiza-se a sede do governo da Autoridade Palestina, com grandes painéis e bandeiras. Uma rua perpendicular leva à Gruta do Leite. Segundo a tradição, ao amamentar o Menino Jesus, uma gota do leite de Maria caiu, formou um pó branco na parede e passou a ser venerado pelos cristãos como fonte de fertilidade. Ao lado da Gruta do Leite, freiras enclausuradas se revezam numa capela em adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento.

No lado oriental da muralha da Cidade Velha, uma peregrinação ao Monte Sião possibilita conhecer uma série de monumentos religiosos. A começar pela igreja de São Pedro em Gallicantu, que lembra a tripla traição de Pedro, no pátio do palácio de Herodes, antes de o galo cantar. Outro templo é o da Dormição de Maria, onde Nossa Senhora é representada dormindo num leito, à véspera da Assunção ou sua elevação ao Céu.  Em seguida, uma escadinha dá acesso ao Cenáculo, da Última Ceia e de Pentecostes, é modesta, despida de mobílias e adornos. Os guias explicam para os turistas que ali Jesus instituiu a Eucaristia e, 50 dias após a Páscoa, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos.

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