Beleza criada pela fúria vulcânica

Saindo de Seul, você não leva mais que uma hora de avião para chegar a Jeju, a maior das ilhas coreanas

Filipe Serrano, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2008 | 02h42

JEJU Encostas multiformes e enegrecidas se jogam no mar azul, criando uma das mais belas paisagens de Jeju, gigantesca ilha vulcânica a 64 quilômetros da costa coreana. Muito antes de a Unesco ter incluído esse e outros cenários na lista de Patrimônios Naturais da Humanidade, algo que só ocorreu em 2007, a localidade já tinha fama de paradisíaca. E atraía casais em lua-de-mel e turistas japoneses, chineses e americanos. Se o nome parece familiar, descarte a crença budista na reencarnação. Jeju serviu de sede para a Copa do Mundo de 2002. Lá o Brasil derrotou a China por 4 a 0, pavimentando o caminho para o penta. O estádio, claro, deve estar em seu roteiro, mas apenas como coadjuvante. Mesmo porque o personagem principal da ilha é o Vulcão Hallasan, monstro adormecido de 1.959 metros de altura que formou Jeju. Ao redor dele está o parque nacional, um dos pontos turísticos mais procurados dali. A ilha de 73 quilômetros de largura por 41 de comprimento é recoberta por florestas com um oceano azul ao fundo e encostas com rochas vulcânicas, visual que faz Jeju ser chamada de "Havaí coreano". PRAIAS Ao norte estão a principal cidade, Jeju-si (ou Jeju City), e o aeroporto internacional que recebe vôos de toda a Coréia e de países como China e Japão. A partir de Seul, a viagem de avião demora uma hora. Jeju-si concentra hotéis, restaurantes e lojas. E é de lá que saem a maior parte das excursões, boa forma de conhecer a ilha. As praias de Jeju - são 15, no total - têm poucas ondas e água que chega a ser bastante quente no verão, época em que os termômetros ultrapassam facilmente os 30 graus. É estranho, mas você se acostuma: os coreanos nadam com roupas comuns. Cercada por uma encosta de pedra, a Praia Jungmun reúne resorts (Hyatt, Shilla, The Suites e Jeju Lotte) e é uma das preferidas dos turistas. Na região você pode visitar ainda o Jeju Folk Village, que simula uma antiga vila coreana. Depois, encare cavernas, cachoeiras, trekking, cavalgada. Mas reserve um tempo para conhecer a tradição das haenyo. As "mulheres do mar" têm mais de 60 anos e se reúnem todos os dias nas encostas de Jeju para mergulhar e pescar. O hábito surgiu há mais de um século e, graças a ele, as mulheres de Jeju assumiram a posição de chefes de família. A atividade, porém, pode desaparecer a qualquer momento. Com o crescimento econômico do país, poucas jovens se interessam por manter a tradição. Tímidas, as haenyo não gostam de ser fotografadas por turistas e costumam evitar lugares mais movimentados. Com um pouco de sorte e simpatia, no entanto, é possível encontrá-las em Jeju.

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