Beleza medieval entre muralhas e torres

Cáceres e Trujillo exibem um conjunto histórico bem preservado, com castelos, conventos e igrejas monumentais

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2010 | 00h47

O tempo avança sentido norte. Os romanos já foram vencidos e os muçulmanos perderam território para os cristãos. Na Província de Cáceres, pontes, anfiteatros e templos deram lugar a palacetes, conventos e igrejas monumentais. Tudo protegido por grossas muralhas. E torres.

O clima medieval vive em Cáceres e Trujillo, cidades que guardam o esplendor dos séculos 14 a 16. De tão preservado seu conjunto histórico, Cáceres ganhou os títulos de Terceiro Conjunto Monumental da Europa e de Patrimônio da Humanidade.

Dentro das muralhas, o turista sente o tempo se eternizar. Basta flanar pelas escuras ruelas, tocar os edifícios de pedra, ouvir o sino repicar. Nesse sobe-e-desce, ele verá de diferentes ângulos edifícios com o mesmo estilo. Altos, muitos sem fachadas, mas com pátios interiores que recebem luz natural. Às portas, placas indicam nomes de condes que fizeram a história da cidade.

A Plaza Santa María é a principal, com sua catedral românica e seus palácios mudéjar. Já na Plaza San Jorge, o barroco impera na Igreja de San Francisco. A Plaza San Mateo também é referência. Ali está a Casa de Las Veletas, que esconde uma impressionante cisterna dos tempos muçulmanos, e o Convento San Pablo, onde freiras reclusas vendem deliciosos docinhos.

A paisagem muda à entrada da muralha, no bairro San António. Esse era o lugar dos judeus, que levavam uma vida mais simples. Repare nas casinhas brancas com chaminés de ladrilho e gatos posudos à janela.

Do alto da Torre de Los Pozos, uma intrigante paisagem medieval. Se for sexta-feira ou sábado à noite, tanto melhor. O centro histórico tem iluminação especial.

Conquista. A 45 quilômetros de Cáceres, Trujillo é outra joia medieval. Mas a cidade é mais conhecida por seus filhos ilustres, como Francisco Pizarro, conquistador do Império Inca, e Francisco Orellana, primeiro europeu a descer o Rio Amazonas, no século 16.

Eles são atrações turísticas - a estátua de Pizarro enfeita a Plaza Mayor. Sem falar nas suas casas, que viraram museu e hotel. Mas absolutamente nada compete com a Igreja Santa María la Mayor. Não só pela pintura do retábulo, obra-prima de Fernando Gallego, mas principalmente pelo cenário visto da sua torre. A extensa muralha cercando telhados geométricos, castelos, torres. Tudo pedra. Tudo ocre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.