Beleza praiana digna de cartão-postal

Sem disfarçar o orgulho, um corretor de imóveis diz que "estamos na Mônaco da América Latina", em referência ao badalado principado europeu. Talvez a atmosfera real não seja a mesma, mas o clima de glamour é, certamente, bem próximo. Prédios de alto padrão, cafés elegantes e as belas praias de mar (diante do Atlântico) e rio (da Prata) fazem de Punta del Este um dos destinos litorâneos mais charmosos do continente.

Eduardo Maluf, especial para o Estado, PUNTA DEL ESTE

17 Julho 2012 | 03h08

Celebridades, políticos e milionários a adoram. A cantora colombiana Shakira e o jogador de futebol francês Zinedine Zidane compraram recentemente imóveis na cidade (se quiser ter o seu também, saiba que um apartamento pequeno, bem localizado, não sai por menos de US$ 400 mil). O interesse cada vez maior dos brasileiros - são 50 mil no verão, de um total de 400 mil turistas - levou o grupo Fasano a inaugurar o hotel Fasano Las Piedras, primeiro do grupo fora do País (laspiedrasfasano.com; diárias desde US$ 390).

Nada mau para a cidade de apenas 20 mil habitantes que vive disso mesmo, o turismo. Na alta temporada, entre o fim de novembro e o começo de março, burburinho, festas, shows e filas são uma constante em restaurantes, hotéis e clubes. Clima boêmio que fica evidente nos horários incomuns do balneário. O café da manhã, em geral, é servido das 8 às 11 horas, às vezes 11h30. Restaurantes se dão ao luxo de abrir para o jantar às 19h30 ou 20 horas e servem até as primeiras horas da madrugada. E as baladas com frequência veem o amanhecer. Culpa (ou mérito?) do sol, que no verão se põe depois das 20 horas e comanda, assim, o ritmo da vida local.

Na baixa. Fora dos meses mais concorridos, por causa do frio e do vento, a praia vira atração secundária, é verdade. Em compensação, os preços são mais convidativos e não há lotação. Faça reserva ou ligue antes para garantir que o restaurante ou bar de seu interesse está funcionando - os da região do portinho costumam ser aposta certeira durante o ano todo.

Coração de Punta, a península tem de lojas de souvenir e hotéis sem luxo (com diárias desde US$ 110 para casal), na avenida Gorlero, até concentrações de butiques e restaurantes refinados, em ruas como a El Remanso.

Pela Rambla Claudio William, a avenida beira-mar, logo se chega ao Conrad (conrad.com.uy; diária desde US$ 230), hotel cassino que injeta animação na vida de Punta em qualquer época do ano, com suas 550 máquinas caça-níqueis, 72 mesas de jogos e shows.

Ali perto fica o restaurante La Vista, no 24.º andar do edifício homônimo. Com piso giratório, permite ver a cidade em 360 graus. E abre o ano todo - mesmo que, fora da temporada, funcione apenas como café.

Cartão-postal da cidade, a escultura La Mano, do chileno Mario Irrazábal, foi instalada na areia da Praia Brava em 1982. Representa a presença do homem na natureza e exibe detalhes fiéis e impressionantes da mão. Garante a diversão das crianças, além das obrigatórias fotos.

La Barra, região a leste da península, voltada para o Atlântico, tem um visual onde predominam hotéis e mansões baixos com saída para a praia. O clima de natureza e a frequência jovem conferem uma atmosfera informal à área.

Mais afastada, a 35 quilômetros do centro, está a praia rústica-chique de José Ignacio. Frequentada pelos mais endinheirados, não passava de uma vila de pescadores há uma década.

Aplausos. Pela orla junto ao Rio da Prata, em direção a Montevidéu, a cerca de 15 quilômetros do centro fica a atração obrigatória de Punta del Este. Localizada em Punta Ballena, a Casa Pueblo é um misto de hotel, galeria de arte, ateliê e residência, tudo debruçado sobre o mar - seu criador, o artista uruguaio Carlos Páez Villaró, hoje com 88 anos, vive no local.

Arquiteto, pintor e escritor, Villaró foi amigo do brasileiro Vinícius de Moraes. Os versos "era uma casa / muito engraçada / não tinha teto / não tinha nada" foram inspirados na Casa Pueblo, que levou 36 anos para ser concluída. O poema, originalmente, tinha um fim diverso do que conhecemos: "Ela era feita com pororó / era a casa do Villaró".

Diariamente, dezenas de pessoas procuram os terraços da residência para assistir ao pôr do sol. Que é acompanhado pela leitura de um poema, gravada pelo próprio Villaró. Um fim inesquecível para qualquer tarde em Punta del Este. / EDUARDO MALUF, ESPECIAL PARA O ESTADO

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