Beleza singular

Praias de areia branquinha como você nunca pensou, águas cristalinas e rios que correm sem se misturar. Surpreenda-se em Alter do Chão e Santarém. A hora é agora

Camila Anauate/ ALTER DO CHÃO,

30 Novembro 2010 | 10h00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você ouviu dizer, viu fotos e chegou a imaginar as praias fluviais de Alter do Chão, no Pará. Mas no primeiro piscar de olhos diante do Rio Tapajós descobrirá que não era nada disso o que esperava. É mais cor, mais vida, mais natureza. Muito mais. É um fenômeno singular.

 

Nos meses secos, entre agosto e janeiro, o nível do rio baixa drasticamente, e extensas faixas de areia se revelam. Não qualquer areia. Mas branca, branquíssima. Aparecem galhos aqui e ali. Árvores, flores, barracas de palha. Aparece gente. A Ilha do Amor, enfim, ganha vida - e status de praia.

 

Então se esticar ao sol e mergulhar nas águas quentes e cristalinas do Tapajós é quase um delírio. Mas também vale aproveitar a época de seca para explorar melhor o rio e toda a Floresta Amazônica a seu redor. Alter do Chão, a 30 quilômetros de Santarém, é uma das principais vilas da região. A partir dali, de barco, dá para fazer passeios rio abaixo, visitar comunidades ribeirinhas e suas casas de palafita, invadir igarapés, ver botos e conhecer outras praias igualmente belas, mas um tanto mais selvagens.

 

Como a Ponta de Pedras, com um cenário absolutamente poético (vide a capa desta edição). Pisando na areia fofa, ao som das ondas (sim, há ondas!), você será capaz de descobrir cenas lindas e humanas. Como a criança - e seu cachorro - que ajudam o pai a pescar.

 

Tranquilidade. A Ilha do Amor é a mais conhecida e movimentada de Alter do Chão. A partir da orla da cidade, dá para chegar de barquinho ou caminhando mesmo, se o rio estiver bem baixo. É só dar alguns passos para ver aparecer no horizonte guarda-sóis coloridos, cadeiras de praia, caiaques e barzinhos à beira-rio.

 

Procure o da Suzete Lobato e se prepare para um banquete: peixes fritos, assados, recheados. Arroz, pirão, camarão. E muitas frutas fresquinhas. Nada por mais de R$ 30. Suzete só trabalha durante a temporada de seca e capricha na cozinha para conquistar os clientes. Tarefa fácil, basta provar.

 

Emoção. Depois de comer tão bem, dá uma certa preguiça de sair dessa paisagem. Mas guarde um pouco de disposição - e espere o sol baixar - para subir a Serra da Piroca. Você vai logo entender o porquê.

A trilha começa na própria Ilha do Amor. Uma caminhada leve entre árvores e sombras. Vento nas folhas, no rosto. Uma sensação gostosa, que vai diminuindo conforme a serra sobe. É hora de escalar a montanha. Degraus de terra, de pedras. Você se concentra tanto no percurso, na respiração, que quando para um momento para tomar fôlego e, sem querer, vira a cabeça, mais uma vez se surpreende.

 

Árvores a perder de vista, águas que cortam a floresta e bancos de areia. Respira e sobe. Mais rápido, mais alto. Lá no pico, faça um giro. Você vai ver a Ponta do Cururu, um braço fininho de terra que avança no rio. E ter a real noção de que, mesmo baixo, o Tapajós é quase mar.

 

A descida é tranquila e rápida. O sol já está caindo, mais ainda faz calor. O desejo, agora, é só cair na água. Mas, atenção, é preciso ter cuidado com as arraias, que costumam ficar por lá. Entre no rio cutucando a areia com um galho e depois relaxe.

 

É preciso estar em total sintonia para ver o sol se pôr. Quanto mais a bola de fogo se esconde atrás do Tapajós, mais as águas ficam prateadas. Brilham até arder seus olhos. Você insiste, desacredita. Mais um fenômeno, outra surpresa.

 

 

Como chegar: É preciso voar até Belém ou Manaus para ir a Santarém. O trecho SP-Belém-SP custa a partir de R$ 756 na TAM, R$ 818 na Gol e R$ 828 na Azul. Ida e volta de São Paulo a Manaus sai por R$ 648 na TAM, R$ 1.068 na Azul e R$ 1.078 na Gol

 

Melhor época: Se a ideia é curtir praia, vá de agosto a janeiro

 

Pacotes: Veja sugestões de roteiros por Santarém e Alter do chão no blog: blogs.estadao.com.br/viagem

 

O que levar

 

Repelente

Seja para caminhar na mata ou dormir em redes ao ar livre, passe repelente. Ainda mais se for época de chuva

 

Protetor solar

Não esqueça jamais - ou você vai se arrepender ao sentir na pele o sol a pino

 

Remédio contra enjoo

Para não sucumbir ao forte balanço do barco

 

 

O que trazer

 

Artesanato

Cerâmica tapajônica e peças feitas com materiais da floresta o turista encontra em todas as lojas. Dica:

Araribah

 

Castanha do Pará

No mercadão de Santarém, 100 gramas por R$ 10

 

Doces amazônicos

Bombons de cupuaçu, açaí e castanha em lojas e vendas

 

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