Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Belezas da hospitaleira e cosmopolita Guayaquil

Porta de entrada para Galápagos, a maior metrópole do país fica em segundo plano na rota dos viajantes. Mas tem brilho próprio e, desde a semana passada, um voo direto para o Brasil

Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h09

A maior cidade do Equador não é sua capital, não está longe do mar e não tem o menor espírito andino. Calorosa (e quente) por natureza, Guayaquil rechaça rótulos: mistura ares tropicais e cosmopolitas com uma autenticidade muito particular. Porta de entrada para o cobiçado arquipélago de Galápagos, a cidade se esforça para receber bem os visitantes - e vale uma parada.

Desde a semana passada os brasileiros ganharam um motivo a mais para testar a hospitalidade local. A companhia equatoriana Tame passou a voar para a capital Quito, com escala em Guayaquil, três vezes por semana - o único voo direto entre Brasil e Equador.

A 44 quilômetros do Oceano Pacífico e às margens do gigantesco e bem preservado Rio Guayas, Guayaquil é o motor econômico do país e está para o Equador como São Paulo para o Brasil. Com exceção do limpíssimo Guayas, que não se compara ao nosso pobre Tietê.

Às margens do rio, o complexo de lazer Malecón 2000 liga o sul e o norte da cidade com parques, praças, cinemas e museu - um ótimo programa para passar a tarde. Na ponta sul, o Palácio de Cristal, antigo mercado de 1905, foi transformado numa movimentada praça de eventos, com feiras de livros e artesanato. Nos fins de semana, é quase certo encontrar ali um show bom e gratuito de bandas locais.

Ao longo dos 2,5 quilômetros do Malecón há diversos monumentos em homenagem aos líderes que libertaram o Equador da Espanha. Você se depara com Simón Bolívar, San Martín e José Joaquín de Olmedo, o mais ilustre cidadão de Guayaquil.

Guarde energia para, ao fim do trajeto, conhecer os 21 mil metros quadrados do portentoso Centro Cultural Simón Bolívar, que reúne em seu acervo mais de 55 mil obras de arte e peças arqueológicas que explicam a história do país. Destas, "apenas" 850 estão expostas. Além de biblioteca, videoteca e audioteca, o centro conta ainda com salas de cinema, incluindo uma com a supertela Imax.

Identidade. Depois de conhecer o lado moderno e revitalizado de Guayaquil, não deixe de conferir alguns dos pontos mais autênticos da cidade. A começar pelo fotogênico bairro de Las Peñas, na beira do Guayas. Foi ali que, em 1537, o fundador da cidade, Capitán Francisco de Orellana, ergueu o Fuerte La Planchada contra os piratas ingleses e holandeses que subiam rio acima.

Com um quê de vila colonial, a calle principal (Numa Pompilio Llona) lembra as charmosas ruazinhas de Paraty. Ao caminhar por ela, aproveite para entrar no ateliê do artista plástico Edgar Calderón, cujas telas retratam o colorido casario da região. À noite o cenário se transforma: os bares abrem as portas e a região se enche de vida boêmia.

A localização geográfica de Guayaquil, entre o rio e o mar, se reflete diretamente em sua gastronomia. A cozinha do restaurante Lo Nuestro (lonuestro.com.ec) propõe uma experiência intensa com o locro de camarón (US$ 10), creme de camarão preparado com milho, e a corvina apanada con verde (US$ 11), uma bela posta do peixe servida com abacate.

Outra parada obrigatória é no Parque Seminário, em frente à pomposa e neogótica Catedral Metropolitana. Não demora muito para entender porque a área é informalmente conhecida como Parque de las Iguanas. Imagine se a Praça da Sé, em São Paulo, fosse dominada por répteis alimentados pela prefeitura. Espere encontrar muitas famílias sentadas nos bancos e fotografando os despreocupados bichos nativos. Tome cuidado, no entanto, com as árvores. Lá do alto, as iguanas mais ousadas podem enviar, digamos assim, presentes líquidos e sólidos não muito agradáveis.

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