Belezas dentro e fora da muralha

Paradinha no caminho é bom e sempre vem com aquele argumento que não custa nada. Entre Toulouse e Collioure, na rodovia A61, fique atento às placas que indicam a rota para Castelnaudary. Um vilarejo excelente para almoçar cassoulet.

O Estado de S. Paulo

22 Maio 2012 | 14h17

O quitute local é preparado com feijões brancos em uma caçarola de barro (daí o nome) e leva carne de porco ou pato. Tudo coberto por farinha de rosca e gratinado ao forno. Saborosíssimo, é a cara de Castelnaudary, que tem pelo menos uma dezena de restaurantes dedicados ao prato. Escolha à vontade.

 

Bem alimentado, é hora de uma caminhada pelo sobe e desce dos morros de Castelnaudary, antes de seguir para Carcassonne, a meia hora de carro. No caminho, curta a paisagem de vinhedos e cidadezinhas até bater o olho no cinza das imponentes muralhas medievais dessa cidade apaixonante.

 

Entre os muros. Carcassonne, assim como Albi, também é Patrimônio Mundial da Unesco. Na parte baixa da cidade, do lado de fora das fortificações, lojas e bares à beira do Canal du Midi – aquele mesmo que corta Toulouse – garantem a atmosfera relaxada facilmente identificável logo na chegada. Dê uma caminhada rápida e não perca mais tempo.

Leve o carro para um dos estacionamentos próximos à entrada da parte murada e curta a visita. Carcassonne foi um dos últimos redutos dos cátaros, aqueles mesmos dissidentes da Igreja Católica. Com duas muralhas e 52 torres de vigília bem aprumadas, acumula 2.600 anos de história. Já foi terra de gauleses, romanos, visigodos, sarracenos e francos. Agora é um marco da arquitetura militar.

 

Entre os franceses, uma lenda sobre Carcassonne virou anedota. Cercados pelos cruzados dentro das muralhas da cidade, os cátaros teriam decidido jogar um porco inteiro em cima de seus oponentes para avisar que ali não faltava comida.

A manobra, verdade ou mentira, não adiantou e o cerco acabou em massacre em 1209. A visita ao Castelo Comtal, com filme em superprodução wide screen, é o ápice da visita à cidadela. A história é contada em detalhes, em diversas línguas, simultaneamente, com animações elegantes e ótimos efeitos – para fazer cair o queixo de arquitetos, arqueólogos e antropólogos.

 

Em seguida, você tem a chance de admirar, através da murada, o vale do Rio Aude, a cidade nova vista de cima, e imaginar como seria manter um cerco no tempo das catapultas, lanças e arco e flechas. Uma coisa é certa: você sairá de lá tão mergulhado na história que vai sentir a tentação de comprar tudo o que tem direito na lojinha do castelo, com todas as suas bugigangas medievais. / T.C. e R.A.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.