Marcelo Auler/AE
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Belezas entre o rio e o oceano

Encontro das águas fluviais com o mar forma paisagens únicas na Ilha de Marajó

Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2009 | 02h17

A Praia do Pesqueiro, em Soure, passa a primeira metade do ano banhada por água doce e a outra, pelo Oceano Atlântico. Entre janeiro e junho, período das chuvas na Ilha de Marajó, na foz do Rio Amazonas, o volume da Baía de Guajará chega a formar pequenas ondas que quebram na areia branquinha. Nos outros meses, a seca baixa o nível do rio e o mar consegue se aproximar da orla.

Independentemente da época do ano, quiosques e coqueiros embelezam a paisagem e tornam a praia o cartão-postal de Soure. Além de proporcionar um aperitivo daquilo que a ilha oferece de melhor: contato intenso com a natureza. O período de seca, que começa agora, é especialmente interessante para quem quer observar aves. Guarás-vermelhos, garças azuis, colhereiros e gaviões enfeitam os ares.

Um dos pontos fortes de Marajó está no fato de ser um lugar viável para viajantes independentes. A capital Soure é a segunda parada do trajeto por terra depois de 3 horas de navegação até o Porto de Camará, destino das barcas que saem de Belém ou dos ferryboats para carros, cuja travessia começa em Vila de Icoaraci.

 

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A também turística Salvaterra surge antes, após 30 quilômetros de asfalto. Esse trecho você vence em sempre lotadas vans ou caminhonetes, na companhia de moradores. Depois, é só atravessar de barca (de graça para pedestres) o Rio Paracauari ou pegar carona com um pescador, por R$ 1,50.

Este lado, a leste da ilha, tem a paisagem dominada por árvores do cerrado e pelas criações de búfalos. O animal é um dos símbolos locais - estima-se que existam três deles para cada um dos 250 mil habitantes da ilha (leia mais na página 5).

Para pegar praia, além da sazonal Pesqueiro, em Soure, há outras faixas de areia bem cotadas. Salvaterra tem a Praia Grande, com pedras que lembram rochas vulcânicas espalhadas por 1,5 quilômetro de faixa de areia. São, na verdade, lateritos, com alta concentração de óxido de ferro, trazidos pela correnteza fluvial.

Na Praia de Joanes, a seis horas de barco, há ruínas das primeiras construções da ilha, de 1617, erguidas com pedras e óleo do peixe gurijuba. Foram feitas pelos jesuítas, que acabaram expulsos pelo Marquês de Pombal, em 1760.

IGARAPÉS

Hotéis e pousadas agendam passeios pelos igarapés. Chega-se de barco ou canoa a esses riachos que cortam a mata e suas raízes entrelaçadas e deságuam em rios maiores.

Por R$ 30 por pessoa, a Pousada dos Guarás leva os turistas aos igarapés do Paracauari em pequenos barcos pesqueiros, controlados por piloteiros com tanta prática que chegam a operar o timão com os dedos dos pés.

Já o passeio da Fazenda Araruna pelos igarapés Limão e Manguinho é feito em canoas a remos - que na região recebem o nome de montaria - e custa R$ 40 por passageiro.

Os hotéis e as pousadas também cuidam de programar apresentações de grupos de carimbó como o Sabor da Terra. Herdada dos índios tupinambás, a sensual dança folclórica é apresentada por casais. Homens vestem calça curta e camisa leve; mulheres, saias rodadas e coloridas.

MAIS LONGE

A Ilha de Marajó tem uma área equivalente às de Alagoas e de Sergipe somadas. No lado oeste da ilha, de acesso mais difícil - são 12 horas de navegação a partir de Belém ou cerca de meia hora em voo fretado -, o cerrado dá lugar à mata densa e úmida da floresta amazônica.

Breves é a principal cidade da região e a maior de Marajó, com aproximadamente 99 mil habitantes. De lá saem os passeios aos igarapés e as caminhadas pela floresta.

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