Vanessa Vick/NYT
Vanessa Vick/NYT

Belezas escondidas no centro da África

Centros urbanos caóticos, montanhas e plantações de chá em um país cheio de (boas) surpresas

Joshua Kurlantzick, The New York Times

09 Junho 2009 | 02h29

Além das margens do Rio Malavi, conhecido pelos hotéis-butique e ecoresorts, existe um outro país. Um país de centros urbanos caóticos e vibrantes, montanhas, plantações de chá e parques livres dos congestionamento de jipes de safári. Tudo dentro de seu pequeno território, espremido entre Zâmbia, Moçambique e Tanzânia.

Muito se falou do país quando Madonna quis adotar uma criança nativa. Logo, agentes de viagem e jornalistas quiseram saber mais sobre a região. Descobriram, certamente, que o lago homônimo é o terceiro maior da África. Mas, depois de rodar mais de 600 quilômetros pelo país, conheci muito mais sobre essa área misteriosa.

As estradas não são as melhores do mundo mas, em geral, a viagem pelo Malavi é tranquila. Fala-se inglês em quase todos os lugares e o visto é fácil de conseguir. Meu ponto de partida foi a cidade de Blantyre, "a Nova York do Malavi", como disse um amigo nativo. Bem, não exatamente. Durante o dia as ruas são movimentadas. Há vendedores de frutas e de cartões para celulares, que praticamente pulam dentro do seu carro. Mas, perto das 18 horas, todos vão para casa. Nessa hora, os estrangeiros só têm como opção locais com menos cara de África, como restaurantes para sentar ao ar livre e pedir um gim com tônica. Um deles é o Chez Mark's (Kabula Hill Road, s/nº), onde executivos se reúnem para um drinque ou café.

De Blantyre para Thyolo são 40 quilômetros. Lá estão as famosas plantações cortadas por estradas sinuosas. Ao longo delas encontram-se sedes de fazendas como a Satemwa Tea Estate (www.satemwa.com), que hospeda viajantes em cabanas típicas. Parei em uma dessas plantações para caminhar. Vi trabalhadores com cestas nas costas lotadas de ervas e, ao fundo, o grande Monte Mulange, com 9.800 metros.

Segui rumo à maior atração do país, o Lago Malavi, no Parque Nacional Liwonde. Minha sugestão: compre um safári ou, ao menos, faça um tour de barco pelo Rio Shire, vendido pelo Mvuu Camp (www.wilderness-safaris.com), o maior lodge do local.

FINALMENTE, O LAGO

Depois de dirigir 120 quilômetros pelo parque se chega, finalmente, ao Lago Malavi. Os moradores afirmam que ali está a maior diversidade de animais que um lago pode ter. Pequenas enseadas, algumas com areia branquíssima, lembram as praias do Oceano Índico.

Tal cenário fez do lago um paraíso para mergulhar e praticar esportes aquáticos. Mas, para mim, o melhor mesmo foi curtir o ócio. Nos meus quatro dias por lá segui a rotina de acordar tarde, passar horas sob o sol, comer peixe grelhado e aproveitar as ocasionais chuvas de verão para apreciar a natureza e, depois, descobrir onde havia se formado um arco-íris.

Os dias de descanso acabaram e segui para Zomba, no topo de um platô. Capital nos tempos de colônia, tem até hoje um belo casario em estilo britânico. Fora do centro histórico, a paisagem passa a ter mulheres vendendo milho, cestas de vime e estátuas de madeira na beira da estrada. Mais uma dose da autêntica África.

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