Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Bem-vindos, feriadões

O feriado é uma justa ruptura para quem merece descanso ou quer provar um pequeno canapé com sabor de viagem

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2018 | 03h00

Atendendo a insistentes pedidos de Trashie, sua raposa das estepes siberianas, nosso solerte viajante deixou as belezas da Patagônia chilena (e uma ressaca inolvidável da festa de don Gerardo) e viajou para Minneapolis, onde as temperaturas enregelantes, similares às de Irkutsk, fizeram a cachorrinha rejuvenescer e – acreditem – trocar o whisky 12 anos por generosas doses de vodca de sua terra natal. Por pouco tempo, é claro.

 A seguir, a pergunta da semana: 

Querido Mr. Miles: qual é a sua opinião sobre um ano tão cheio de feriados e emendas como 2018?  Diante de tantas críticas, não sei o  que pensar... Patricia Monsueto, por e-mail 

Well, my dear: o feriado parece-me uma grande ideia. Não sou, as you know, um beneficiário dessas datas, já que há muito dedico minha vida à nobre arte de folgar sempre – sem, however, desfrutar de um dia de ócio, já que uso todo o calendário para conhecer, aprender e compartilhar. Tenho recebido, por décadas, comentários que me chamam de lazy bum, uma versão desagradável do preguiçoso. A meu ver, todos os que fazem o que lhes dá prazer são, in fact, gênios de ócio e do prazer.

Meu querido amigo Amyr Klink, o homem que tem um depósito com vinhos e Underbergs em uma recôndita enseada na Antártida, sempre fez apenas o que lhe deu prazer na vida – atividade brilhante que lhe rendeu perrengues enormes e alívios tão amplos quanto os horizontes que sorveu em suas aventuras. 

Tenho outros colegas ao redor do mundo que nem sequer sabem quando é feriado, porque nenhuma autoridade, efeméride ou celebração é capaz de tirá-los de suas ricas vidas de férias permanentes (se é assim que alguns preferem chamar).

Do ponto de vista do cotidiano, o feriado é uma justa ruptura para quem merece descanso ou quer provar um pequeno canapé com sabor de viagem. Grandes pessoas que possuem hotéis, pousadas e restaurantes em lugares de veraneio comemoram essas oportunidades sem o monótono ranço dos que veem a pátria perdendo divisas. Oh, my God! Vou mencionar alguns nomes de amigos brasileiros que adoram feriados: o querido Nico Pereira de Queiroz, de Monte Verde, o Paulinho da Bocaina, o Clébinho de Itacaré, os Hafner de São Chico, a linda Mèlany, de Jeri, a solerte Claudia de Arembepe and so on.

O feriado, as you know, é uma data de geração quase sempre espontânea, nascida de motivos para celebrar ou reverenciar. Não se pode chamar os moais da Ilha de Páscoa de “feriados”, ainda que eles tenham sido criados para homenagear os antepassados e pedir-lhes proteção. Nevertheless, se um país decide largar tudo para comemorar uma conquista desejada por seu povo, há, indeed, por que rejubilar-se. 

On the other hand, é preciso analisar o feriado como uma miniatura das férias. Quatro ou cinco dias de escolhas livres, sem pautas, escalas ou metas. Dias para escolher os que amamos e levá-los a novas (ou antigas e memoráveis) experiências. Microcosmos de um futuro a ser sonhado, de projetos que despontam e novas escolhas condicionadas apenas pelo frescor das águas, a grandeza das planícies ou o valor do sol. Dias de superluas e super-romances. Ouso supor, my friends, que um ano repleto de feriados antecipa um baby boom nacional. 

Unfortunately, vejo, penalizado, o surgimento de novas gerações que não leem, não conhecem e não se importam – embora tenham a petulância de achar que o fazem por meio das redes sociais. Como me disse uma amiga terapeuta, Ann Aran, não há mais como evitar a chegada do Apocalipse. 

Therefore, mais que nunca, é preciso aproveitar todos os feriados e suas emendas em busca do que nos resta de felicidade. Don’t you agree? 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. ENVIE SUA PERGUNTA OU COMENTÁRIO PARA MILES@ESTADAO.COM.

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