© visitBerlin/Scholvien
Berlim é uma cidade de contrastes, carrancuda mas dançante, cinzenta mas cheia de gente criativa, grande mas silenciosa © visitBerlin/Scholvien

Berlim é uma cidade de contrastes, carrancuda mas dançante, cinzenta mas cheia de gente criativa, grande mas silenciosa

© visitBerlin/Scholvien

Berlim, 30 anos após a queda do muro: um roteiro entre passado e futuro

Fizemos um roteiro pelos locais onde passava o muro que dividia os lados capitalista e comunista da cidade e descobrimos uma capital ocupada por artistas, que viu nascer a música eletrônica e tornou-se conhecida como 'pobre, mas sexy'

Marina Azaredo , Especial para O Estado de S. Paulo

Atualizado

Berlim é uma cidade de contrastes, carrancuda mas dançante, cinzenta mas cheia de gente criativa, grande mas silenciosa

© visitBerlin/Scholvien

Enquanto trens do metrô com grafites ilegais correm embaixo da terra, extensos parques cheios de verde se prestam a perfeitos espaços para atividades ao ar livre, de churrascos a corridas esportivas. Enquanto crianças se divertem nos diversos playgrounds espalhados pela cidade, com direito até a tirolesas, jovens de coturno e maquiagem borrada saem das melhores casas noturnas do mundo, já com o sol a pino. Enquanto empresários enriquecem graças à especulação imobiliária, políticos respondem aprovando o congelamento do preço dos aluguéis por cinco anos.

Seja bem-vindo a Berlim, cidade de contrastes. E podemos continuar: Berlim é carrancuda, mas dançante; é cinzenta, mas cheia de gente criativa; é grande, mas silenciosa. Tem também a mais famosa das contradições: "pobre, mas sexy". Foi assim que o ex-prefeito Klaus Wowereit definiu a capital da Alemanha no início dos anos 2000. A cidade vinha de uma década de renascimento, depois de ter sido palco de um dos acontecimentos mais importantes do século 20: a queda do muro que separou a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental por 28 anos.

Em 9 de novembro de 1989, o responsável pela comunicação do Partido Socialista Unificado, que controlava a Alemanha Oriental, participou de uma conferência de imprensa na qual, como era praxe, informou as novidades aos jornalistas. Entre elas estava o fim das restrições de trânsito do lado comunista para o capitalista, mas mediante solicitação e com diversas condições. Ao ser questionado por um repórter sobre quando a medida passaria a vigorar, não encontrou nadaa respeito em suas anotações e acabou respondendo: "Imediatamente".

Não era bem essa a mensagem que ele deveria transmitir, mas os alemães do leste imediatamente começaram a se aglomerar em torno do muro, exigindo que os postos de fronteira fossem abertos. Os guardas, também sem qualquer informação, cederam à pressão popular e liberaram a passagem. O resto é história. Este dia mudou os rumos do final do século 20, e, principalmente, a trajetória de Berlim, que pouco a pouco foi se tornando a cidade mais vibrante da Europa - depois da região da Baviera, é a cidade alemã mais visitada por turistas, registrando 15,1 milhões de pernoites em 2018.

LEIA MAIS - Confira um especial completo sobre Muro de Berlim

Atraídos por aluguéis baratos, jovens sem muito dinheiro e sedentos por novas experiências começaram a chegar à capital alemã. Instalaram-se em squats (ocupações de imóveis abandonados), encheram a cidade de arte de todo tipo e criaram a Love Parade, festa de música eletrônica que chegou a juntar um milhão e meio de pessoas. Os governantes souberam aproveitar esse novo momento – "pobre, mas sexy", afinal, é um belo de um slogan –, e Berlim rapidamente ficou conhecida por ser uma cidade criativa, artística e progressiva.

E quem não quer estar num lugar repleto de artistas, gente interessante, aluguéis baratos, cheio de história, onde tudo acontece? Foi aí que começou um processo de gentrificação, com aluguéis subindo e os antigos moradores sendo expulsos de bairros antes decadentes, como Kreuzberg ou Neukölln. Tudo por causa da chegada de estrangeiros com dinheiro, dispostos a pagar mais caro pelos imóveis. Na última década, vieram também as startups, empresas de tecnologia e toda uma gama de novos empreendedores.

O tempo passou

Trinta anos após a queda do muro, Berlim não é mais tão pobre. Mas autoridades e moradores lutam para frear o processo de gentrificação. De uma parte, leis para congelar os preços dos aluguéis. De outra, intensos protestos que foram capazes de impedir a instalação de uma unidade do Google Campus no bairro de Kreuzberg, um dos que mais sofrem com a alta dos preços.

Os artistas continuam chegando – e desbravando bairros da cidade, como Wedding, eleito pela Time Out como o quarto bairro mais cool do mundo. A cena de música eletrônica se mantém firme e forte, e a cidade ganha cada vez mais atrações para lembrar o seu passado dividido.

Por fim, mas não menos importante, comer ainda é muito barato em Berlim. Quem está com o orçamento apertado consegue fazer refeições por € 3,50 e, com € 10, é possível almoçar e jantar em restaurantes com bom serviço e ambiente descolado – quiçá, com uma cerveja para acompanhar.

Há três meses morando em Berlim, me dispus a percorrer durante vários dias o caminho do antigo muro para descobrir como estão as regiões que até 30 anos atrás eram as mais desvalorizadas da cidade – ninguém queria abrir a janela de casa e dar de cara com um muro que separava famílias e provocava tanta tristeza.

Visitei também os espaços que ficaram conhecidos como no man's land (terra de ninguém) entre os dois muros. Sim, pois, na verdade, eram dois muros a dividir a cidade: um do lado leste e outro do lado oeste. Entre os dois, um sistema quase perfeito de vigilância com soldados armados, mais de 300 torres de observação e uma iluminação tão potente como a de um campo de futebol.

Em meio a atrações clássicas, como o Portão de Brandembugo, descobri outras sobre as quais pouco se fala, como o Tränenpalast, ou Palácio das Lágrimas, o local onde os alemães do leste despediam-se de seus familiares e amigos do oeste após as visitas autorizadas pelo governo.

A seguir, atrações que retratam o passado, o presente e o futuro da região dividida pelo Muro de Berlim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Viagem ao passado do Muro de Berlim

Vestígios preservados contam a história da divisão da capital alemã

Marina Azaredo, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2019 | 09h00

Quem quer ver como realmente era o Muro de Berlim deve rumar para a Bernauer Strasse. Saindo da estação de metrô de mesmo nome, pegue a rua à esquerda e passeie por um longo trecho que já foi “terra de ninguém”. Hoje, o lugar é ocupado por turistas e berlinenses, que aproveitam os dias de sol no gramado. No passado, era onde cidadãos da Alemanha Oriental morriam tentando escapar para o lado Ocidental. 

Uma exposição ao ar livre apresenta fotos e histórias, como as de pessoas que moravam nos prédios próximos ao muro e pularam de suas janelas na tentativa de escapar e a de um soldado do leste que pulou o muro quando ele havia acabado de ser instalado, em agosto de 1961, e ainda era uma cerca de arame farpado.

LEIA MAIS - A queda do Muro de Berlim nas páginas do Estadão

Do outro lado da rua, em um centro de documentação, há mais informações históricas. O destaque do espaço é a vista que se tem do quinto andar: ali é possível ver o muro como ele era, com um lado mais baixo, outro mais alto, uma faixa de areia no meio, uma torre de observação e os postes de luz.

Uma vez lá, também vale caminhar até a estação Nordbanhof para ver uma exposição sobre as estações fantasmas da época da Guerra Fria. As atuais linhas U6 e U8 do metrô, que começavam no oeste, passavam pelo leste e terminavam no oeste, deixaram de parar nas estações do leste, que ficaram conhecidas como estações fantasma. Os trens apenas diminuíam a velocidade para que os guardas posicionados nas plataformas se certificassem de que não havia fugitivos tentando pegar carona com os trens do oeste.

Aula de história

Um percurso pelo caminho do muro não pode deixar de fora a Bornholmer Strasse, local onde foi aberta a primeira passagem do leste para o oeste, quando, pressionados pela multidão e sem receber nenhuma orientação de seus superiores, os guardas da fronteira liberaram a circulação entre as duas Alemanhas. Mais de cem cerejeiras foram plantadas no local, um presente do Japão para a Alemanha após a reunificação do país.

Por fim, ao lado da estação Gesundbrunnen, a organização Berliner Unterwelten oferece dois tours que ensinam mais do que muito livro de história. O tour 3 percorre bunkers da Guerra Fria e o tour M fala dos túneis que os cidadãos do leste construíam sob o muro para fugir - durante os anos do muro, 39 túneis levaram pelo menos 254 pessoas do leste para o oeste da Alemanha, de acordo com o país. Ambos valem cada centavo dos € 15 investidos. Se você tiver de escolher apenas uma atração paga sobre esses anos em que Berlim foi dividida, esta é a escolha.

Experiência na fronteira

Durante os 28 anos em que o muro dividiu Berlim, a estação de Friedrichstrasse era o ponto de passagem para os cidadãos comuns do oeste que visitavam seus parentes no leste. Mais do que a estação em si, o que vale a pena é o Tränenpalast (ou Palácio das Lágrimas), que tem visitação gratuita.

Ali era realizado o controle de passaportes dos visitantes e, devido às muitas despedidas de familiares e amigos separados pelo muro que ocorreram às suas portas, ele ganhou este simbólico nome. Aos passageiros não era permitido levar presentes para os parentes e muito menos livros e revistas. Os controles eram rigorosos.

Em uma exibição gratuita, é possível conhecer as histórias de pessoas que tiveram as vidas afetadas pelo muro, ver objetos históricos e entrar em uma cabine de controle de passaporte. O Tränenpalast é um lugar obrigatório em Berlim para quem quer entender melhor a história do muro. Saí de lá comovida e tentando segurar as minhas próprias lágrimas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Turismo e inovação ocupam área em torno do antigo muro

A queda do muro devolveu atrações importantes ao turismo, como a Alexaderplatz e o Portão de Brandemburgo

Marina Azaredo, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2019 | 09h00

Além de unificar o país, a queda do muro trouxe atrações importantes de volta ao turismo de Berlim. Entre elas, a Torre de TV, que fica na Alexanderplatz, antigo centro da Berlim Oriental, e o Portão de Brandemburgo. maior símbolo da cidade. Construído entre 1788 e 1791, tem 26 metros de altura e foi inspirado na Acrópoles de Atenas.

Quando a Alemanha foi dividida, ele ficou com o setor soviético, mas inacessível para a população. Após a queda, a área foi reaberta ao público e reuniu 100 mil pessoas em uma estrondosa comemoração. É dali que saem os walking tours da cidade – neles, você paga quanto quiser no final, uma boa dica para quem tem pouco tempo e dinheiro.

O Memorial do Holocausto, logo ao lado, relembra os horrores cometidos contra os judeus na Segunda Guerra. O Tiergarten, à frente do Portão de Brandemburgo, é uma das áreas verdes mais emblemáticas da cidade. Da Coluna da Vitória, no coração do parque, a vista é espetacular. Suba 30 minutos antes de o sol se pôr para ver o dia indo embora e as luzes da cidade se acendendo.

O Checkpoint Charlie, antigo posto de passagem para diplomatas e visitantes oficiais, é uma das atrações mais famosas da cidade, mas verdade seja dita: tudo ali é meio fake. Os guardas são apenas atores fantasiados e as lojinhas de souvenirs vendem pencas de quinquilharias fabricadas na China.

Diversão no Leste

Se tem um lugar sobre o qual os antigos moradores da Alemanha Oriental lembram com o carinho, este lugar é o Spreepark Plänterwald, um parque de diversões construído em 1969 no distrito de Treptow. Em 1989, ele foi reformado, para se adaptar aos padrões ocidentais, mas o preço alto dos ingressos levou à queda do número de visitantes, e o parque entrou em um processo de decadência.

As atividades foram encerradas definitivamente em 2001, e seu antigo dono se envolveu até em tráfico internacional de drogas. O local ficou anos abandonado e, após sofrer atos de vandalismo, agora é administrado por uma empresa e tem visitas guiadas aos fins de semana – disputadíssimas, é preciso reservar com meses de antecedência.

A emblemática roda-gigante ainda está lá, mas nem pense em tentar subir: há alguns anos, uma nostálgica senhora entrou no parque sem autorização, embarcou no brinquedo e o vento a levou para cima – mas não a trouxe de volta. Os bombeiros tiveram de ser acionados para resgatá-la.

Já o vizinho Treptower Park tem 84 hectares de área verde onde é possível andar de pedalinho, tomar sol no gramado e caminhar pela orla do rio Spree. No meio do parque fica o Memorial de Guerra Soviético, erguido após a Segunda Guerra Mundial.

Mistura boa

Bairros empobrecidos da Berlim Ocidental, Kreuzberg e Neukölln estão se transformando, com novos moradores dispostos a pagar aluguéis mais altos (e expulsando os antigos inquilinos). É na fronteira entre os dois bairros, apelidada de Kreuzkölln, que a coisa ferve. Ali tem de tudo: bares, restaurantes, baladas, parques, startups, artistas, jovens famílias alemãs e imigrantes em busca de oportunidades. Talvez não haja lugar no mundo que se encaixe mais na definição de “caldeirão cultural”.

Na Factory Berlin, um prédio de 14 mil metros quadrados localizado onde há 30 anos era mais uma das "terras de ninguém", empreendedores fazem negócios e usufruem de um cinema e sala de meditação. O Club der Visionäre, por sua vez, transformou uma área por onde passava o muro em um dos locais mais disputados da cidade no verão, com festas regadas a música eletrônica.

Já o Görlitzer Park é motivo de discórdia na cidade, devido à ação de traficantes de drogas a céu aberto. Falando assim, até parece um lugar inóspito, mas não é. Em dias ensolarados, o parque fica cheio de famílias com crianças, grupos de amigos e artistas.

A algumas quadras dali, outra reunião de artistas. O Riverside Studios é um hub de músicos que reúne de DJs de música eletrônica a bandas de rock. "Berlim é a cidade mais miscigenada que encontramos na Europa. Parece que por conta da abertura pós queda do muro, todo mundo veio para cá", me disse Lucas Mayer, da Dahouse, produtora de áudio brasileira que tem um estúdio no Riverside.

Para comer, o vietnamita Umami é um dos queridinhos de turistas e locais devido aos pratos saborosos com preços amigáveis. A Salumeria Lamuri tem receitas italianas que em nada ficam devendo aos restaurantes de Roma. Já o Burgermeister serve hambúrgueres simples e gostosos em um antigo banheiro público.

Dali, você pode caminhar pela emblemática Oberbaumbrücke até a East Side Gallery, o mais longo trecho do muro ainda em pé, que virou uma galeria a céu aberto logo após o fatídico 9 de novembro de 1989. Hoje em dia, os grafites não são os mais interessantes da cidade, mas o famoso beijo entre o líder soviético Leonid Brezhnev e o então presidente da Alemanha Oriental Erich Honecker está lá.

Música e compras

O Mauerpark (Parque do Muro) também tem um trecho de muro convertido em plataforma de street art. O melhor dia para visitá-lo é aos domingos, quando também há um mercado de pulgas e um karaokê ao vivo, sempre que o clima permite. Em dias de sol, é difícil até achar lugar para sentar e assistir às apresentações dos cantores amadores. Artistas também se espalham ao longo do gramado, tocando música ao vivo.

Para conhecer um mercado de pulgas ainda mais interessante, vá até a vizinha Arkonaplatz, praça pequena e mais frequentada pelos locais, com atmosfera de feira de bairro. Ali é possível descobrir pequenos tesouros, entre antiguidades, livros, móveis, artesanato, roupas e louças. Com sorte, você acha objetos da Alemanha Oriental.

Como ninguém é de ferro e a essas alturas você já deve ter visto muita gente comendo um prato de salsicha com curry e batata frita pelas ruas de Berlim, aproveite a proximidade com a estação Eberswalder para ir até o Konnopke's Imbiss, que fica embaixo dos trilhos e é um dos melhores locais para experimentar o famoso currywurst, prato de rua típico da cidade.

A poucos passos há também o Kulturbraeurei, de onde sai um passeio de bicicleta organizado pela Berlin on Bike que segue o trajeto do muro, e um museu gratuito sobre a vida na Alemanha Oriental.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Arranha-céus e diversão no futuro de Berlim

Lugares antes abandonados na cidade hoje dão lugar a museus, espaços culturais e construções modernas

Marina Azaredo, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2019 | 09h00

Depois de tanto lembrar o passado, talvez seja hora de olhar para o futuro. Inaugurado em setembro e com visitação gratuita pelos próximos cinco anos, o Futurium foi construído em outro trecho de "no man's land" ("terra de ninguém"). Nos moldes do carioca Museu do Amanhã, faz uma reflexão sobre o futuro do planeta, com uma exposição e um laboratório prático para fazer experimentos. Um programa para adultos e crianças.

Pertinho dali fica o Reichstag, o parlamento alemão que também tem visitação gratuita – e um excelente audioguia para orientar o percurso. Além de informações sobre a arquitetura do prédio, seriamente danificado durante a Segunda Guerra e reformado em 1999, detalhes sobre a história da Alemanha também aparecem. É imprescindível agendar a visita pelo site.

Cidade em transformação

Para entender como Berlim está se modernizando, vale uma ida até a Potsdamer Platz um lugar que já esteve abandonado  e agora é ocupado por arranha-céus modernosos – é lá também que está e o elevador mais rápido do mundo, no Panoramapunkt (a vista do rooftop vale o ingresso).

Não perca ainda o Timeride, uma atração em realidade virtual inaugurada em agosto. Após escolher a companhia de um personagem, o visitante faz um tour por uma Berlim Oriental cheia de Trabis – o carro produzido no Leste – e prédios governamentais. Já a Topografia do Terror, um museu de história ao ar livre localizado a poucos metros, conta a história da ascensão do nazismo na Alemanha. Tema pesado, mas necessário.

A nova fronteira hipster

Já que você está no norte de Berlim, vale a pena esticar até Wedding para conhecer o bairro que vem sendo considerado a nova meca hipster da cidade, desbancando o título que já foi de Prenzlauer Berg, Kreuzberg e Neukölln.

Eleito o quarto bairro mais cool do mundo pela Time Out, começou a passar mais recentemente por um processo de gentrificação, mas o movimento é tímido em relação ao que ocorre em outras regiões da cidade.

Por isso, ainda mantém muitas de suas características originais, com mercados tradicionais, bares das antigas e vastos espaços públicos que ainda não foram descobertos pela especulação imobiliária.

QUIZ - Descubra o que você sabe sobre os 30 anos da queda do Muro de Berlim

Uma boa maneira de começar um tour exploratório é pelo Silent Green, um espaço cultural aberto em 2013 onde já funcionou um crematório. Além de shows, palestras e outros eventos, o local abriga um restaurante que merece o deslocamento mesmo se você estiver do outro lado da cidade.

Em um salão envidraçado e aconchegante, o Mars serve deliciosos almoços e brunches. Da cozinha saem pratos como o ravióli de cogumelos e manteiga temperada, falafel com homus e salada e waffels belgas com molho de morango.

Outros endereços interessantes são os jardins comunitários de Himmelbeet, o criativo restaurante Baldon, o coletivo de artistas Gerichtshöfe, a casa de tango Tangoloft e o Piano Salon Christophori, com seus delicados concertos de piano.

Wedding não fica assim tão perto do antigo muro, mas era um dos bairros proletários da antiga Berlim Ocidental - enquanto a elite preferia viver próxima a lagos mais ao sul da cidade. Nele, você ainda pode ter um gostinho da Berlim "pobre, mas sexy" dos anos 90.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.