Berlim: de volta ao Ocidente

Passados 25 anos da queda do Muro, Berlim ainda não parou de se transformar. A antiga linha divisória parece atuar como uma placa tectônica que segue movendo a cidade pra lá e pra cá.

RICARDO , FREIRE, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2014 | 02h06

O Muro existia para conter a fuga do território comunista para o capitalista. Sua derrubada, porém, provocou o efeito contrário: foi o Ocidente que invadiu o leste. Primeiro foram os artistas squatters que tomaram edifícios em Mitte. No rastro deles, jovens profissionais descobriram as ruas arborizadas de Prenzlauer Berg, onde predinhos dilapidados começaram a ser reformados. A valorização imobiliária expulsou os pioneiros. Mitte se transformou no centro comercial sofisticado de Berlim, e Prenzlauer Berg, no bairro que detém o metro quadrado mais caro entre as áreas residenciais.

O epicentro da Berlim alternativa foi se acomodar em Kreuzberg, bairro (ocidental) de imigrantes turcos que era periférico antes da queda do Muro, mas que hoje está a meio caminho entre as antigas metades da cidade. Sua noite é tão animada que se alastrou até o bairro vizinho de Friedrischshain, oriental, a uma ponte de distância da última estação da linha 1 do metrô. No verão, o miolinho da muvuca de Friedrischshain não fica muito diferente da Vila Madalena durante a Copa.

Com o antigo leste já estabilizado, a cidade assiste agora ao renascimento ocidental.

Bikini Berlin. Após uma década de acomodação, a região da Kurfürstendamm - tradicional avenida chique do lado oeste - reage. Uma galeria dos anos 50, a Bikini Haus, foi transformada em um shopping-conceito, onde as lojas são contêineres envidraçados, ocupados por marcas de vanguarda. Anexo funciona o hotel-design 25 Hours Bikini, cujos quartos dos fundos têm vidro do chão ao teto, com vista para o zoológico. Seus hóspedes sobem por um elevador interno ao Monkey Bar, o ultraconcorrido bar da cobertura. O outro jeito de subir sem fila é reservar o restaurante Neni, de comida israelense, que compartilha o terraço. Budapester Strasse, 40; metrô Zoo.

Amerika Haus. Depois de quase uma década fechado, este outro prédio histórico dos anos 50 reabre no dia 30 de outubro como a sede da C/O Berlin, uma das mais importantes galerias do planeta dedicadas à fotografia. Na inauguração haverá mostras simultâneas - entre elas, Magnum: Contatos, sobre o método de trabalho de fotógrafos célebres como Henri Cartier-Bresson e Robert Capra, e Me Apaixono Pela Cidade, focada na Berlim do pós-guerra. Hardenbergerstrasse, 22; metrô Zoo.

Neukölln. Muitos comparam Neukölln, o novo bairro hipster de Berlim, a Williamsburg, o pedacinho mais cool do Brooklyn. Não é por acaso: o bairro tem uma importante colônia de americanos transplantados de Nova York. A rua mais interessante é a Weserstrasse, onde toda loja parece ter um café. Meio mundo faz fila no Berlinburger International (BBI), uma portinha de onde saem os hambúrgueres mais cultuados da cidade (Panniestrasse, 5). O bairro fica mais charmoso ao longo do canal Landwehr, num trecho apelidado de Kreuzkölln, por estar na divisa com Kreuzberg. Metrô Hermann Platz (para Neukölln) e Kottbusser Tor (para Kreuzkölln).

Tempelhof. Que Highline, que nada: a ideia urbana mais ousada dos últimos tempos foi a transformação do aeroporto Tempelhof num parque urbano. Sem paisagismo: as pistas originais são aproveitadas agora para andar de bicicleta, skate e prancha a vela; os canteiros viraram mato ou passaram a ser cultivados por moradores das redondezas. No fim de semana, berlinenses de todas as etnias se mudam para lá, com suas famílias, brinquedos e... churrasqueiras portáteis. Não perca. Metrô Tempelhof.

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