Bicicletas e carruagens disputam visitantes no centro antigo

O convívio entre tradição e modernidade fica ainda mais evidente em Sevilha no contraste entre as bicicletas e as carruagens puxadas a cavalo que levam turistas de uma atração a outra no centro histórico.

SEVILHA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h15

Se por um lado a capital andaluz orgulha-se de ser hoje uma das cidades espanholas com o maior número de ciclovias demarcadas - são 150 quilômetros de pistas exclusivas para pedalar -, de outro insiste em manter pitorescas carruagens à disposição dos visitantes.

Mas esse é apenas um dos aspectos que dividem opiniões na cidade. Na Plaza de la Encarnación, coração da parte antiga, desponta o Metrosol Parasol, uma inovação urbanística que ainda causa debates tão acalorados quanto a rivalidade entre as torcidas de Bétis e Sevilla, os dois times de futebol da cidade.

Projetado para ser uma zona sombreada que aplaque o calor claustrofóbico dos verões sevilhanos, quando a temperatura parece jamais baixar dos 30 graus, não tardou a ganhar o apelido de "Las Setas" (os cogumelos) por conta do ousado traçado de suas linhas.

Há quem o considere simplesmente horrível e há quem o admire de verdade. O fato é que virou ponto de atração turística e um comércio pujante brotou debaixo dele, assim como um museu arqueológico que exibe as relíquias romanas encontradas ali durante sua construção.

O centro antigo de Sevilha é, sem dúvida, a região mais estratégica para se hospedar. Não por acaso ali se encontra o melhor hotel do pedaço, o Alfonso XIII (www.hotel-alfonsoxiii-sevilla.com). Recentemente remodelado, é o favorito de magnatas, políticos, reis e atores.

Orson Welles, Audrey Hepburn, Sofía Loren, Hemingway, a realeza de Noruega, Suécia, Holanda, Dinamarca e Bélgica, além de xeques e emires, já frequentaram suas instalações. Além de dar acesso, a pé, a todo centro histórico, o hotel também está a poucos metros da belíssima Praça Espanha e do verdejante Parque María Luisa.

Outro endereço igualmente estratégico para se fixar é o Alabardero (tabernadelalabardero.es), na Calle Zaragoza, onde funcionam um hotel quatro-estrelas, um belo restaurante e uma escola de gastronomia voltada para hotelaria. Muitos brasileiros aspirantes a chef têm estudado ali a arte das caçarolas.

Sevilha tem também clara vocação artística. A cidade inspirou mais de 150 óperas, como Carmen, Don Juan e, claro, O Barbeiro de Sevilla (Fígaro), e legou ao mundo mestres da pintura, como Velázquez e Murillo. Nesse sentido, o Espaço Santa Catalina, antigo convento na zona norte da cidade, vem despontando como novo endereço de exposições e atividades culturais temporárias.

Tamancos e castanholas. É a arte emotiva exibida sobre os tablados, porém, que mexe com os sentidos em Sevilha. Não dá para perder a chance de assistir a um espetáculo de flamenco. É como ir a Buenos Aires pela primeira vez e não presenciar um show de tango, por mais "pega-turista" que o programa pareça. Às vezes as obviedades podem reservar experiências memoráveis.

Por exemplo, a combinação de guitarra, palmas e sapateado na Casa de la Memoria (casadelamemoria.es), no número 6 da Calle Cuna. Ali o evento Tardes de Flamenco movimenta o fim do dia com cantoria, acordes e baile em um espaço intimista, sem microfones ou amplificadores, para manter a aura legítima do ritmo. O ingresso custa 16 por pessoa e também dá acesso a um pequeno acervo sobre a influência do flamenco na vida cotidiana da Andaluzia. / F.V.

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