Boas razões para não sair de East London

Território de artistas e imigrantes mostra uma faceta diferente da capital inglesa e garante espaço no roteiro turístico com lojas descoladas, galerias e restaurantes

Oliver Strand / LONDRES / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 02h30

Com suas mesas de piquenique e cadeiras desmontáveis, o café Towpath lembra mais um quiosque de praia que o térreo de uma antiga fábrica em East London. O vinho é servido em copos de suco e, para comer, pouco além de petiscos. Uma multidão jovem e falante ocupa as tais cadeiras e também alguns bancos na estreita calçada ao longo do Regent"s Canal. A luz do entardecer deixa a região um tanto lânguida, como se fosse uma vila acordando da siesta.

Estamos em Londres? Sim e não. Estamos no trecho leste da capital. Bairros como Shoreditch, Bethnal Green e Hackney Wick, com aluguéis amigáveis, há muito servem de morada para imigrantes e artistas. E agora também se tornou o lugar onde eles se divertem e vão às compras.

Apesar de o trânsito pesado ser a marca das principais avenidas, as ruas menores de East London são tão tranquilas quanto parques. A região parece estar a anos-luz do centro de Londres e é autossuficiente, graças a seus hotéis, lojas e restaurantes.

Certamente não há por que sair dali para fazer uma boa refeição. Aberto apenas para o almoço, o Rochelle Canteen serve a típica comida inglesa. Entre os pratos, salada de ervilha fresca com favas, pepino e erva-doce.

Logo em frente, as prateleiras da delicatessen Leila"s Shop estão repletas de itens como embutidos finos e nougat iraniano. Da última vez em que passei por lá, encontrei a autora de livros de culinária Anissa Helou, escolhendo geleia caseira. Vez ou outra, ela dá aulas em seu loft, não muito longe da delicatessen.

O movimento é ainda maior algumas quadras adiante, seguindo para o sul pela Redchurch Street. No trecho ficam butiques como a Caravan (um bricabraque de extremo bom gosto) e a Hostem (roupas masculinas), além do hotel-restaurante Boundary, aberto no ano passado pelo designer Terence Conran. A cobertura do prédio recebeu mesas, sofás e chaises, para relaxar depois da refeição ou tomar uma taça de vinho curtindo a vista de East London. Para espantar o frio, mantas coloridas.

O também novíssimo Shoreditch House se instalou na vizinhança e tem quartos com diárias a partir de 195 libras (leia mais abaixo). Assim como a Dirty House, antiga fábrica de móveis transformada em loft para artistas pelo arquiteto David Adjaye. Graças à iluminação especial, o teto do prédio parece flutuar.

Dali se chega à Columbia Road, que desde o século 19 abriga um colorido mercado de flores aos domingos. Recentemente, abriu espaço para dezenas de lojinhas, que ficam cheias nos dias de semana. Os moradores de East End realmente não precisam sair dali. E você também não conseguirá ficar somente algumas horas por lá.

Saiba mais

Passagem: SP-Londres-SP custa a partir de R$ 1.882 na TAM (tam.com.br) e R$ 2.806 na British (britishairways.com). Voos diretos

Onde ficar: Boundary (theboundary.co.uk; 200 libras, para casal). Shoreditch (shoreditchhouse.com; 195 libras, casal)

Compras: Caravan (caravanstyle.com); Broadway Market (broadwaymarket.co.uk, funciona aos sábados); Columbia Road Flower Market (columbiaroad.info, aberto aos domingos)

Para comer:

Violet (violetcakes.com)

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