Fredy Bulles/Reuters
Fredy Bulles/Reuters

Bogotá, de coadjuvante a protagonista no turismo colombiano

Repleta de atrações, segura e com charme próprio, a cidade está cada vez mais em evidência - especialmente com a nova temporada de 'Narcos'

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h50

A Colômbia é um país de muitas faces, muitas culturas, muitos povos e muita história. Entretanto, é atrelado com mais frequência ao narcotráfico, principalmente por ter como cidadão mais conhecido Pablo Escobar, grande chefão do extinto Cartel de Medellín. A série Narcos, que estreou sua terceira temporada em setembro, tem sua trama ficcional calcada na realidade da história da guerra contra as drogas no país.

Os novos episódios não contam mais com a presença de Escobar, interpretado impecavelmente por Wagner Moura nas duas primeiras temporadas, mas se comprometem a dissecar outro grande cartel, o de Cali. A nova temporada também conta com Bogotá como protagonista, pois a cidade é pano de fundo de grande parte do planejamento das operações policiais e sede dos órgãos oficiais – a abertura é estampada por seus pontos turísticos. Por isso, não se espante ao ficar interessado pela capital colombiana após assistir à nova fase da série.

Visitar Bogotá quase 20 anos depois de toda essa história e o recente acordo de paz com as Farc é uma experiência e tanto. Já no aeroporto, o El Dorado, é possível perceber as mudanças pelas quais a cidade passou nos últimos anos. Entre sua estrutura moderna e impressionantemente grande, a segurança é comprovada em cada setor. O simples ato de trocar reais por pesos torna-se uma tarefa demorada: mostrar documentos, dizer onde mora e onde ficará hospedado, assinar papéis e até colocar digitais em duas vias. Ufa. Dinheiro em mãos, hora de sair do aeroporto – não sem antes passar as bagagens pelo raio X mais uma vez.

Ao lado dos agentes de segurança, cães farejadores, identificados com bonés, roupas ou lenços do aeroporto. Não é permitido brincar com os animais, que não latem ou fazem algazarra: estão ali para identificar malas e produtos suspeitos – mais uma herança da guerra às drogas. A presença desses cachorros se repete em toda a cidade, seja em sedes de empresas, bancos, teatros, hotéis ou shoppings: ao lado de um agente quase sempre há um cachorro. Por outro lado, dificilmente você verá um cachorro de rua. 

A realidade narrada em Narcos é ferida ainda não cicatrizada para os colombianos. Perguntei a alguns bogotanos se assistiam à série da Netflix, e muitos responderam que não. Alguns disseram que até assistiram a alguns episódios e os acharam fiéis à realidade, mas não tiveram interesse em continuar porque é uma história contada incansavelmente por todo canal de TV do país. 

“A Colômbia tem tanto mais para mostrar, por que ficam tão apegados ao passado, como se nosso país se resumisse ao narcotráfico?”, questionou uma jovem com quem conversei nas ruas do centro. Uma guia turística, porém, disse que a série tem seu lado positivo: por ser exibida mundialmente, trouxe mais visibilidade para a Colômbia e aumentou o turismo, principalmente em Bogotá. “As pessoas assistem à série, ficam curiosas pelo país. Quando chegam aqui, percebem que temos muitas belezas e muita riqueza cultural para oferecer.”

Trânsito para os fortes 

Bogotá é a terceira maior cidade da América Latina em termos populacionais. De assustar até paulistanos acostumados com os congestionamentos nas marginais às 18 horas de uma sexta-feira, o trânsito parece não ter fim. Além disso, os motoristas bogotanos gostam de abusar da buzina. A cidade tem área de 1.775 m², pouco maior que São Paulo, mas não conta com serviço de trem e metrô, um antigo anseio da população.

A questão dos congestionamentos é tão problemática que a cidade tem um rodízio bastante restritivo, portanto quem alugar carro por lá deve ficar atento: nos dias pares, carros com placas de final par não podem andar pela cidade entre as 6h e 8h e das 15h às 19h. Nos dias ímpares, a regra vale para os automóveis com placas de final ímpar. Então, espere ver as ruas já cheias às 5h da manhã, quando os motoristas tentam fugir da restrição antes de chegar ao trabalho. 

Sem metrô, a cidade se vira com ônibus, microônibus e o Transmilenio, sistema de corredor de ônibus expresso semelhante ao VLT de Curitiba (PR). Porém, fiquei surpresa com a quantidade de bicicletas nas ruas. Mesmo com poucas vias exclusivas – por lá, chamadas de ciclorrutas – os ciclistas andam entre os carros e ônibus ou na calçada, geralmente alcançando velocidades maiores que os veículos motorizados. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Cena gastronômica à base de milho, mandioca e restaurantes renomados

Celíacos fazem a festa com biscoitos e panquecas feitos sem trigo; a banana-verde é a outra estrela do cardápio

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Os celíacos são muito felizes em Bogotá, pois a base da culinária colombiana é o milho e a mandioca – portanto, espere ver biscoitos e panquecas tradicionais substituídos por alimentos feitos com farinha de mandioca ou milho. Outra estrela da culinária colombiana é a banana verde, o plátano, que se parece muito com a banana-da-terra brasileira e dá origem aos patacones, nada mais que discos de banana verde fritos. 

Enquanto o glúten aparece em menos lugares, a fritura é, talvez, o método de preparo favorito dos colombianos. Bolinhos de mandioca fritos recheados com queijos, chips de mandioca e banana, minibatatas temperadas fritas, frutos do mar fritos. Nos bares, as frituras são mais comuns, mas não se espante em encontrá-las até no café da manhã. 

Por outro lado, dá para ser saudável com a infinidade de frutas, que são encontradas em toda a esquina. Não é difícil ver mulheres vendendo frutas frescas, sucos e iogurtes com granola (que por lá é chamada de cereal) nas ruas da cidade. A goiaba e o abacaxi, velhas conhecidas do brasileiro, são queridinhas por lá, mas vá direto às novidades: lulo e tamarindo. A primeira parece um maracujá na aparência e textura, mas o gosto é único. Pode ser comida pura ou ser ingrediente de sucos e drinques. Já a segunda faz a tamarinada, um suco ácido que pode ser encontrado em qualquer restaurante. 

Cores e sabores. E por falar em restaurante, o Andres Carne de Res (andrescarnederes.com) é parada obrigatória para os turistas. O restaurante e bar original fica em Chía, cidade na região metropolitana de Bogotá. Para chegar lá, a melhor opção é de carro, e a viagem leva cerca de 40 minutos. O local é tão receptivo com estrangeiros que, às terças-feiras, promove uma noite turística – com dança e música típicas.

Mas quem não quiser ou puder sair da capital ainda pode conhecer a atmosfera colorida e psicodélica de Andrés no Andrés D.C., em El Retiro, região badalada de Bogotá que abriga lojas de grandes grifes. O local não tem os quatro andares do Carne de Res, mas ainda é um ambiente amplo, com elementos lúdicos e curiosos em cada detalhe. O proprietário, Andres Jamarillo, se inspirou em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, para criar sua decoração que pretende levar o visitante “do céu ao inferno” e mistura objetos que encontra em viagens ao redor do mundo. 

O menu, felizmente, é o mesmo e os indecisos podem se preparar: são mais de 70 páginas de cardápio. Isso mesmo, 70. O restaurante serve de café da manhã a jantar e conta com uma variada carta de bebidas, que passeia entre cervejas, vodcas, runs, gins e a tradicional aguardiente. Entre os drinques, escolha o Lulazzo, que custa caro (cerca de R$ 50), mas é bem servido, feito com o tradicional fruto colombiano, o lulo. Para comer, porções, boas para dividir e que permitem experimentar os pratos típicos. 

A porção de patacones custa 9.600 pesos, algo como R$ 10. As batatas criollas fritas são deliciosas e ótimas para acompanhar uma cerveja, assim como as arepas com queijo antioqueño, ambos por cerca de 12 mil pesos (R$ 14). 

Os amantes de boa culinária têm em Bogotá um destino recheado de opções. A zona G, de gastronomia, fica entre as calles 68 e 71 e concentra dezenas de restaurantes de diversas especialidades. E o melhor: tem opções para todos os bolsos. Em determinado trecho, o visitante vai se deparar com redes de fast-food americanas, como Papa John’s, Dunkin’ Donuts, T.G.I.Fridays e McDonald’s. Já em outras ruas, estão concentrados os restaurantes de comida italiana. 

A cidade ainda é palco de restaurantes premiados, como o Leo (restauranteleo.com), de Leonor Espinosa, que figura na 16.ª posição dos cobiçado ranking World’s 50 Best Restaurants da América Latina de 2016. Para comer lá, faça reserva. Mas se a ideia é um restaurante mais informal, ainda com sabores típicos, vale um almoço no Misia (restaurantemisia.com), comandado pela mesma chef. Lá, a Posta Negra Família Espionosa, carne bovina com molho típico de Cartagena, é boa pedida, por 43.500 pesos colombianos (R$ 48).

Hora do brinde. A bebida alcoólica mais comum na Colômbia é, assim como no Brasil, a cachaça – por lá, chamada de aguardiente. Mas o universo cervejeiro tem ganhado força e a Bogotá Beer Company, ou apenas BBC, fabricante de cerveja artesanal, tem bares e quiosques espalhados por toda a cidade, de feiras de food trucks – sim, Bogotá também foi afetada pela moda – a shoppings. Opte pelos bares próprios da marca, com decoração que mescla elementos da cultura pop a símbolos tradicionais da cidade.

Visitei a unidade do Chapinero. Ao chegar, precisei mostrar meu documento e entrei. Sentei no balcão para ter uma melhor noção do espaço, mas logo fui convidada por uma jovem simpática a me juntar a ela e seu amigo na mesa em que estavam sentados, prova da simpatia e hospitalidade dos bogotanos. 

No cardápio, há cervejas fixas e sazonais. Tive a sorte de provar a Tocancipa, uma brown ale feita com mel, disponível por apenas alguns meses do ano. Outras boas pedidas são a Cajicá, também feita com mel, e a Chapinero Porter. Todas podendo ser servidas em copos de 200 ml, 300 ml ou 500 ml, com preços que vão de 5 mil a 13 mil pesos (R$ 6 a R$ 14). 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

É muito provável que, durante uma conversa com um colombiano, o assunto pule repentinamente para café – e não é preciso muito tempo em Bogotá para perceber que a bebida é o orgulho nacional. 

Logo nos primeiros minutos de conversa com um jovem casal bogotano em um bar, veio a quase inevitável pergunta: “Já provou nosso café? É incrível, não é?”. Comecei a formular uma resposta, com um “sim, é diferente…”, mas a expressão de surpresa indignada da dupla não me deixou prosseguir. “Você não gostou?” Respondi que gostei, mas expliquei que achei bastante diferente do brasileiro. Ali, ficou claro que não se pode jamais insultar o café colombiano em casa e a pergunta se repetiu outras vezes. 

E para os amantes da bebida, o fato: o café colombiano é sim de qualidade sem igual. Não estranhe a tonalidade clara, quase cor de mel, fruto da torra suave, que também deixa a bebida muito mais adocicada que a que os brasileiros estão acostumados. O açúcar é dispensável. 

Para provar bons cafés não é preciso procurar muito. A maior rede de cafeterias lá é a Juán Valdez, que leva café de pequenos produtores colombianos para suas centenas de franquias na Colômbia e fora dela, em países como Espanha, Estados Unidos, México, Equador, Bolívia e Malásia. 

Semelhante à americana Starbucks, lá é possível encontrar bebidas quentes e frias, como os nevados e frapês, além de bolos, pães e empanadas. E por falar e m Starbucks, o orgulho pelo produto local é tão grande que a rede só abriu sua primeira loja na Colômbia em 2014 e, desde a inauguração, prometeu servir apenas cafés produzidos por colombianos.

Menu degustação. Quem prefere um ambiente mais intimista pode ir direto ao Cafe Cultor, com três unidades em Bogotá. A maior delas fica na Candelaria, na Biblioteca Luis Ángel Arango. Todos os cafés servidos no local são oriundos de pequenos produtores do país. Para quem tem pressa, vale pedir um tinto (café puro) e escolher o método de extração entre filtrado, espresso, prensa francesa, chemex e aeropress, tudo custa cerca de 5 mil pesos (R$ 6). 

Já quem quer se aprofundar no universo cafeeiro colombiano pode dedicar cerca de 1h30 na degustação, que consiste em uma explicação detalhada sobre cada região cafeeira do país. Com caneta e papel em mãos, começamos a experiência sentindo o cheiro de seis essências diferentes, como chocolate, mel e baunilha. Depois, cafés de diferentes origens são servidos, um por vez, e a graça é tentar adivinhar as notas presentes em cada um. 

No fim da degustação de cada copo, o barista explica mais sobre as fazendas onde são produzidos e os processos de torra e moagem dos grãos. As datas, horários e valores para as sessões de degustação são publicadas na página do Facebook da cafeteria (facebook.com/CafeCultorCol).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

A região mais turística de Bogotá éa central, parte dela conhecida como La Candelaria. No local, está localizada também a região administrativa da cidade, que abriga as sedes dos órgãos oficiais da Colômbia. 

La Candelaria é cor, é história, é pluralidade, é calçada estreita ao lado de rua de paralelepípedo, é casa de escritor famoso dividindo quarteirão com residência de estrangeiros hipsters, é o velho e o novo, ali representado por dezenas de universidades. 

A região merece um dia dedicado especialmente a ela. Uma caminhada no local dura em torno de duas horas, mas vale permanecer mais tempo para tomar um café colombiano, arranhar um portunhol nas quitandas e provar frutas, parar nos carrinhos de vendedores de rua para tomar o tradicional chá de coca, que ajuda a amenizar os efeitos da altitude. 

A prefeitura oferece visitas guiadas a La Candelaria gratuitamente, todos os dias, das 10 às 14 horas. Pode-se escolher entre guias que falam espanhol ou inglês, e o agendamento deve ser feito com ao menos um dia de antecedência no Instituto Distrital de Turismo (bit.ly/infocandelaria), pela internet, ou pessoalmente na agência, que fica na região.

O bairro foi declarado Patrimônio Nacional em 1963 e, por isso, as coloridas fachadas da maioria das casas e estabelecimentos não podem sofrer alterações. Anteriormente casas de pensadores, artistas e escritores, hoje as residências abrigam hostels e pensões de estudantes, já que é a região com maior concentração de universidades em Bogotá, entre públicas e privadas. Lá, há também casas em que se pode fazer uso de maconha medicinal, legalizada no país. 

La Candelaria também abriga a Biblioteca Gabriel Garcia Marquez, que homenageia o escritor e jornalista colombiano ganhador do Nobel de Literatura de 1982. O local, que conta com mais de 94 mil volumes, funciona todos os dias e tem entrada gratuita. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Segurança e vigilância, as palavras de ordem

Vestígios da guerra contra os narcotraficantes são vistas por todo lado na capital colombiana

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Na Bogotá pós-guerra contra o narcotráfico, passado ainda não cicatrizado para os colombianos, a sensação é de segurança. E de vigilância constante. A era dos grandes cartéis acabou e a Colômbia se desenvolveu, mas vestígios dessa guerra são vistos em cada esquina da capital colombiana, principalmente na região central. 

Ver homens fardados (do exército, da polícia, da guarda municipal, da segurança oficial dos políticos) deixa claro que a palavra de ordem é proteger a cidade – e a pátria, já que se trata da capital administrativa. E, para mantê-la, aparentemente vale a pena abrir mão da privacidade e até do direito de ir e vir. 

Para acessar algumas ruas que cerceiam a Casa de Nariño, residência oficial do presidente da República, é preciso parar, abrir bolsas e mochilas e mostrá-las a um segurança. Só depois é possível ir rumo a pontos turísticos e históricos de Bogotá, como a Câmara dos Deputados e o Palácio de Justiça. 

Tanta vigilância dá, ao menos, certa tranquilidade aos visitantes, que podem caminhar por todo o centro, incluindo La Candelaria, sem receio de assaltos e furtos, tanto de dia quanto à noite. E na região há muito para se ver. A residência oficial do presidente pode ser observada apenas de fora, mas os mais interessados podem agendar uma visita guiada no site do Governo Federal da Colômbia (visitas.presidencia.gov.co) para conhecer o interior. Às quartas e sextas (14h30) e aos domingos (15h) é possível observar também a troca de guarda.

Seguindo nas ruas laterais da Casa de Nariño, chega-se a Praça Simón Bolívar, que abriga a Câmara dos Deputados, a Catedral Primada de Bogotá e o Palácio de Justiça. Os fãs mais atentos de Narcos vão lembrar de cenas da primeira temporada ao chegar no local: nos dias 5 e 6 de novembro de 1986, um grupo de guerrilheiros do M-19 tomaram o Palácio de Justiça, sede da Corte Suprema e do Conselho de Estado colombiano, e fizeram reféns as pessoas que se encontravam dentro do prédio. Ao saberem da invasão, soldados das Forças Armadas entraram no local, supostamente sem ordens do então presidente Belisario Betancur, o que resultou em um confronto que deixou 100 mortos, 12 deles magistrados, e 11 pessoas desaparecidas.

A versão oficial é de que a atitude do M-19 foi uma consequência ao descumprimento de um acordo de paz, que havia sido firmado no ano anterior, por parte do governo. Entretanto, muitos historiadores acreditam que a invasão ao Palácio de Justiça foi coordenada por Pablo Escobar – e é essa a versão retratada na série da Netflix. O chefe do Cartel de Medellín teria feito uma parceria com os guerrilheiros para impedir a Suprema Corte de autorizar sua extradição para os Estados Unidos. Os guias turísticos contam as duas histórias aos turistas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

1. Museu Botero

O mais famoso artista colombiano, Fernando Botero, famoso por seus quadros e esculturas com personagens gordinhos, tem museu próprio na cidade. O Museu Botero (bit.ly/MuseuBotero) reúne 125 obras do artista – entre elas, uma versão rechonchuda da Mona Lisa e a escutura A Mão – além de obras de Picasso, Renoir e Monet. Fica no bairro da Candelária, e a entrada é gratuita. Atenção: o museu fecha às terças-feiras.

2.  Museu del Oro

 

Quase um "El Dorado" no meio de Bogotá, o Musel del Oro (bit.ly/MuseuDelOro) tem em seu acervo tesouros de povos da era pré-hispânica, em sua maioria feita de ouro maciço. Apesar de não ser o único museu com esta temática na América Latina, o Museu del Oro de Bogotá é considerado o maior do mundo no gênero: são 13 mil metros quadrados no total. Fecha às segundas; ingresso a 4 mil pesos colombianos (cerca de R$ 5). Aos domingos, 

a entrada é grátis.

3.  Museu Nacional da Colômbia

Um dos mais antigos museus em funcionamento da América Latina, foi fundado em 1824 e está no prédio de uma antiga penitenciária. Seu acervo reúne mais de 20 mil peças. Ingressos a 4 mil pesos 

(R$ 4) para adultos. Às quartas-feiras, das 16h às 18h, e aos domingos a entrada é gratuita o dia todo. Mais: museonacional.gov.co

4. Museu de Arte Moderna

O prédio, projetado pelo arquiteto Rogelio Salmona, é um baú que guarda tesouros artísticos colombianos e mundiais. Ali estão 4.331 peças de nomes como Rodin, Picasso, Diego Rivera, além de locais como Negret e Oslina. Abre de terça a sábado, com ingressos a 10 mil pesos (R$ 11); mambogota.com.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Bogotá é a capital financeira e administrativa da Colômbia, mas bem que poderia ser considerada capital ecumênica, dada a profusão de igrejas que há por lá. São cerca de 900 templos católicos, religião majoritária no país. Aliás, visitei o local uma semana antes da visita do Papa Francisco – vi o catolicismo estampado em cada canto da cidade, e deu para perceber o quanto a presença do líder religioso mexeu com os ânimos da população.

Ainda que a intenção não seja um passeio religioso, algumas igrejas valem a visita pela grande bagagem arquitetônica e histórica que carregam, sobretudo as da região central. Na Praça Simón Bolívar, por exemplo, fica a Catedral Primada de Bogotá, a mais importante da cidade. Inaugurada em 1823, está localizada entre a Câmara dos Deputados e o Palácio de Justiça, e demonstra, como dizem os guias turísticos, o “quarto poder” colombiano: a religião, que ainda tem forte papel em decisões políticas e sociais no país.

Também no centro de Bogotá está a Igreja Nossa Senhora do Carmo, cujo exterior é todo em listras vermelhas e brancas, com detalhes em dourado. Já a Igreja da Candelária, que dá nome à região, é mais simples por fora, mas em seu interior há uma intensa mistura de detalhes em vermelho e imagens de santos nas paredes e no teto.

O ponto mais alto. Se não havia sentido fortes efeitos da altitude desde a minha chegada, ao subir ao Cerro Monserrate (monserrate.com) a situação mudou – afinal, são 3.152 metros de altitude. É quase impossível não se pegar respirando mais forte a fim de inspirar um ar que parece não chegar aos pulmões, enquanto o passo fica mais lento e a cabeça, já tonta, começa a doer. Mas a vista compensa tudo.

Na parte mais alta do cerro está o Santuário Monserrate, construído em 1920. O local ganhou esse nome porque a primeira capela estava consagrada a Nossa Senhora da Cruz de Monserrate. Do Cerro é possível ver toda Bogotá, de seus prédios mais altos a seus parques e praças. 

O acesso ao morro pode ser feito por meio de teleférico e funicular ou a pé. A caminhada dura cerca de três horas e, apesar de cansativa (além de tudo, lembre-se da altitude), muitas pessoas fazem o trajeto para pagar promessas, como ocorre na cidade de Aparecida (SP). As tarifas para usar o teleférico ou funicular variam entre 11 e 20 mil pesos colombianos (de R$ 12 a R$ 22), a depender do dia e horário. Há descontos para idosos e é permitido levar animais mediante o pagamento de uma taxa extra. 

Além do Santuário, o Cerro também abriga dois restaurantes, uma feira livre (onde é possível comprar lembrancinhas e artesanatos) e uma fonte. De lá, também é possível ter uma vista distante da diminuta réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, esculpida por Luis Carlos Quintero em 2014, que aparece na abertura de Narcos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Em Bogotá, as temperaturas raramente ultrapassam os 22 graus. A 2.640 metros de altitude, a cidade é cercada por montanhas (cerros), e seu clima muda bastante ao longo do dia. Vista-se em camadas e tenha um guarda-chuva à mão. 

Para evitar os efeitos da altitude, procure tomar muito líquido, especialmente bebidas quentes, e evite as alcoólicas. O chá de folha de coca, típico dos países andinos, também ajuda (não, não tem efeitos alucinógenos).

- Aéreo: SP – Bogotá – SP, sem escalas: a partir de R$ 1.617,80 na Latam(latam.com/pt_br) e 

R$ 1.690,57 na Avianca (avianca.com.br). 

 

- Site: colombia.travel.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.