Robert Caplin/The New York Times
Robert Caplin/The New York Times

Bogotá: Cena gastronômica à base de milho, mandioca e restaurantes renomados

Celíacos fazem a festa com biscoitos e panquecas feitos sem trigo; a banana-verde é a outra estrela do cardápio

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Os celíacos são muito felizes em Bogotá, pois a base da culinária colombiana é o milho e a mandioca – portanto, espere ver biscoitos e panquecas tradicionais substituídos por alimentos feitos com farinha de mandioca ou milho. Outra estrela da culinária colombiana é a banana verde, o plátano, que se parece muito com a banana-da-terra brasileira e dá origem aos patacones, nada mais que discos de banana verde fritos. 

Enquanto o glúten aparece em menos lugares, a fritura é, talvez, o método de preparo favorito dos colombianos. Bolinhos de mandioca fritos recheados com queijos, chips de mandioca e banana, minibatatas temperadas fritas, frutos do mar fritos. Nos bares, as frituras são mais comuns, mas não se espante em encontrá-las até no café da manhã. 

Por outro lado, dá para ser saudável com a infinidade de frutas, que são encontradas em toda a esquina. Não é difícil ver mulheres vendendo frutas frescas, sucos e iogurtes com granola (que por lá é chamada de cereal) nas ruas da cidade. A goiaba e o abacaxi, velhas conhecidas do brasileiro, são queridinhas por lá, mas vá direto às novidades: lulo e tamarindo. A primeira parece um maracujá na aparência e textura, mas o gosto é único. Pode ser comida pura ou ser ingrediente de sucos e drinques. Já a segunda faz a tamarinada, um suco ácido que pode ser encontrado em qualquer restaurante. 

Cores e sabores. E por falar em restaurante, o Andres Carne de Res (andrescarnederes.com) é parada obrigatória para os turistas. O restaurante e bar original fica em Chía, cidade na região metropolitana de Bogotá. Para chegar lá, a melhor opção é de carro, e a viagem leva cerca de 40 minutos. O local é tão receptivo com estrangeiros que, às terças-feiras, promove uma noite turística – com dança e música típicas.

Mas quem não quiser ou puder sair da capital ainda pode conhecer a atmosfera colorida e psicodélica de Andrés no Andrés D.C., em El Retiro, região badalada de Bogotá que abriga lojas de grandes grifes. O local não tem os quatro andares do Carne de Res, mas ainda é um ambiente amplo, com elementos lúdicos e curiosos em cada detalhe. O proprietário, Andres Jamarillo, se inspirou em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, para criar sua decoração que pretende levar o visitante “do céu ao inferno” e mistura objetos que encontra em viagens ao redor do mundo. 

O menu, felizmente, é o mesmo e os indecisos podem se preparar: são mais de 70 páginas de cardápio. Isso mesmo, 70. O restaurante serve de café da manhã a jantar e conta com uma variada carta de bebidas, que passeia entre cervejas, vodcas, runs, gins e a tradicional aguardiente. Entre os drinques, escolha o Lulazzo, que custa caro (cerca de R$ 50), mas é bem servido, feito com o tradicional fruto colombiano, o lulo. Para comer, porções, boas para dividir e que permitem experimentar os pratos típicos. 

A porção de patacones custa 9.600 pesos, algo como R$ 10. As batatas criollas fritas são deliciosas e ótimas para acompanhar uma cerveja, assim como as arepas com queijo antioqueño, ambos por cerca de 12 mil pesos (R$ 14). 

Os amantes de boa culinária têm em Bogotá um destino recheado de opções. A zona G, de gastronomia, fica entre as calles 68 e 71 e concentra dezenas de restaurantes de diversas especialidades. E o melhor: tem opções para todos os bolsos. Em determinado trecho, o visitante vai se deparar com redes de fast-food americanas, como Papa John’s, Dunkin’ Donuts, T.G.I.Fridays e McDonald’s. Já em outras ruas, estão concentrados os restaurantes de comida italiana. 

A cidade ainda é palco de restaurantes premiados, como o Leo (restauranteleo.com), de Leonor Espinosa, que figura na 16.ª posição dos cobiçado ranking World’s 50 Best Restaurants da América Latina de 2016. Para comer lá, faça reserva. Mas se a ideia é um restaurante mais informal, ainda com sabores típicos, vale um almoço no Misia (restaurantemisia.com), comandado pela mesma chef. Lá, a Posta Negra Família Espionosa, carne bovina com molho típico de Cartagena, é boa pedida, por 43.500 pesos colombianos (R$ 48).

Hora do brinde. A bebida alcoólica mais comum na Colômbia é, assim como no Brasil, a cachaça – por lá, chamada de aguardiente. Mas o universo cervejeiro tem ganhado força e a Bogotá Beer Company, ou apenas BBC, fabricante de cerveja artesanal, tem bares e quiosques espalhados por toda a cidade, de feiras de food trucks – sim, Bogotá também foi afetada pela moda – a shoppings. Opte pelos bares próprios da marca, com decoração que mescla elementos da cultura pop a símbolos tradicionais da cidade.

Visitei a unidade do Chapinero. Ao chegar, precisei mostrar meu documento e entrei. Sentei no balcão para ter uma melhor noção do espaço, mas logo fui convidada por uma jovem simpática a me juntar a ela e seu amigo na mesa em que estavam sentados, prova da simpatia e hospitalidade dos bogotanos. 

No cardápio, há cervejas fixas e sazonais. Tive a sorte de provar a Tocancipa, uma brown ale feita com mel, disponível por apenas alguns meses do ano. Outras boas pedidas são a Cajicá, também feita com mel, e a Chapinero Porter. Todas podendo ser servidas em copos de 200 ml, 300 ml ou 500 ml, com preços que vão de 5 mil a 13 mil pesos (R$ 6 a R$ 14). 

 

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