Priscila Mengue
Priscila Mengue

Bogotá: da vista de Monserrate ao charme da Candelaria

Capital também guarda museus imperdíveis, como o do Ouro e o dedicado às obras de Botero

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 05h50

Cheguei a Bogotá no início da manhã de um domingo. O meu táxi ganhou as avenidas ainda adormecidas e, aos poucos, passamos por paisagens com cara de capital. Conforme nos aproximávamos do centro, comecei a vislumbrar as construções antigas e diversos museus, especialmente na parcela mais boêmia e gastronômica: La Candelaria.

O movimento na cidade ainda era silencioso quando desembarquei, deixei a bagagem e fui em direção ao Cerro de Monserrate. Caminhei algumas quadras até o pé do morro ainda cedinho, na intenção de evitar filas, mas me enganei: dezenas e dezenas de pessoas se alongavam para encarar a subida a pé mesmo sendo pouco mais de 7 horas, enquanto outras tantas aguardavam o funicular (o teleférico não funcionou naquele dia). Peguei a fila, paguei pouco mais de R$ 15 pelo trajeto ida e volta (nos demais dias custa R$ 25) e, uns 30 minutos depois, subi.

Se Bogotá fica a 2.600 metros acima do nível do mar, Monserrate adiciona mais 550 metros a essa conta. No topo, um santuário católico divide a atenção dos visitantes, que estão atrás também das opções gastronômicas da feirinha e da vista que abrange grande parte da capital.

Após a descida, pertinho dali, visitei o Museu Quinta de Bolívar, onde Simon Bolívar viveu por pouco mais de um ano. A entrada custa cerca de R$ 5, mas é gratuita aos domingos. 

A chácara mistura peças, roupas e móveis originais a réplicas, além de receber atividades culturais. Infelizmente não consegui, mas fiquei com a impressão que o passeio seria mais proveitoso com visita guiada - que ocorre em dois horários (11h e 14h, nos sábados, e 11h e 15h, de terça a sexta-feira)

Candelaria

Se você tiver poucos dias na cidade, tenho três conselhos: vá à Candelaria, caminhe pela Candelaria e se hospede na Candelaria. Como toda metrópole, Bogotá tem várias caras e lugares para se conhecer. Mas é nesse bairro que estão reunidos os principais elementos que definem a cidade: a história, a cultura, as manifestações políticas, a gastronomia, as pessoas. 

A Candelária também é a parte mais turística e boêmia do centro, junto de Chapinero (a Pinheiros dos bogotenhos). Dito isso, não esqueça das outras partes do centro, como Santa Fe.

Uma das coisas que mais me marcaram em Bogotá é que os moradores também vivem o centro. As ruas são cheias de artistas, especialmente na Carrera Séptima, uma versão colombiana do que é a Paulista Aberta em São Paulo. É perto da via também que estão as sedes do legislativo e judiciário, além de algumas das igrejas mais bonitas. Para visitar a sede do governo, a Casa Nariño,  é preciso agendar com algumas semanas de antecedência.

Ouro e arte nos museus

Também é por ali que estão alguns dos principais museus da cidade. Um dos mais famosos é o Museo del Oro, que tem entrada gratuita aos domingos e ao custo de pouco mais de R$ 5 nos outros dias, com valor adicional para quem optar pelo audioguia (mais R$ 10).  Há ainda visitas guiadas em horários variados.

O museu do ouro reúne centenas de peças em ouro feitas por povos pré-colombianos, além de outros tipos de artesanatos, incluindo estátuas de San Agustín (consideradas patrimônio da humanidade pela Unesco).  Os detalhes e o luxo de algumas peças impressionam, bem como a forma como ajudam a contar um pouco da história e costumes desses povos.

Quer mais museu? Vá ao complexo de antigos casarões que reúne os Museus Botero e de Arte Miguel Urrutia, que ficam junto da Casa da Moeda. São milhares de obras expostas simultaneamente em um passeio que leva, no mínimo, um turno - e tudo de graça, com possibilidade de fazer visitas guiadas e comprar alguma coisas na lojinha e no café. O mais tradicional teatro da cidade (o Colón) fica na frente, mas tem poucos horários de visita (quartas e quintas, 15h, e nos sábados).

Mais Botero

Dos três museus, o mais procurado é o Botero, que reúne 123 obras próprias do artista colombiano, entre pinturas, desenhos e esculturas, incluindo sua famosa versão da Monalisa. E aqui vale uma breve explicação: o artista brinca com as dimensões e volumes nas pinturas, misturando objetos e pessoas com tamanhos variados, criando um contraste entre as formas. O espaço reúne ainda 85 obras de artistas diversos que integravam a coleção pessoal de Botero, de autores como Salvador Dalí.

A arte do colombiano também está no Museu Miguel Urrutia, que traz o que seria a primeira obra em que Botero explorou a técnica de volumes (na pintura de um violão). A grande atração da instituição é, contudo, La Lechuga, um ostensório católico repleto de esmeraldas e outras pedras preciosas que fica dentro de um espaço de exposição com diversas tecnologias de segurança. Os locais costumam dizer que, se vendida, essa peça seria capaz de pagar toda a dívida internacional do país. 

Outro lugar para visitar é o Museu Nacional, localizado em um bairro vizinho ao centro. Ele foi criado em 1823 e tem um acervo etnográfico, histórico, arqueológico e artístico com cerca de 2,5 mil peças de momentos variados da trajetória do País, desde o período pré-colombiano até (olha ele de novo aqui) Fernando Botero. Um adendo, porém: parte das obras de Botero presentes no espaço é anterior ao estilo que lhe ficou característico. O ingresso custa pouco mais de R$ 5 e garante um bom panorama do que é e já foi a Colômbia.

Ainda pelo centro, há uma série de tours guiados com temática histórica e também especializados em grafite (que se multiplicam na parte mais alta da Candelaria). Eu optei pelo realizado pela Prefeitura de Bogotá, que é realmente gratuito (não adianta tentar, os guias não podem receber gorjeta) e circula por grande parte da área central - com saída diárias às 10h, 12h, 14h e 16h. 

Ele sai da praça principal. A minha guia, como grande parte dos bogotenhos que conheci, era simpática e tirou diversas fotos do passeio, além de me indicar a provar a chicha - uma bebida fermentada e alcoólica feita desde o período inca. Quem preferir andar por conta, não esqueça de entrar nas muitas (muitas mesmo) e belas igrejas.

Bate-volta

A uma hora de Bogotá, Zipaquirá vale um bate-volta. A cidade tem um pequeno centro histórico com lojas e restaurantes, mas a grande atração é a antiga mina que virou o Parque do Sal, cuja entrada custa de cerca de R$ 70 a R$ 120 (a depender dos atrativos a que está combinada, como city tour e ingresso na Catedral de Sal).

Um cheiro ruim, similar ao de enxofre, se espalha na entrada por causa das formações da mina. Os caminhos são bem iluminados e, no comecinho, tem projeções de bandeiras de países cuja população já visitou o local. 

As paredes são escuras, esbranquiçadas e úmidas. O percurso tem paradas em pontos com cruzes que lembram a via sacra, até chegar à nave central, com um grande lustre e espaço para celebrações. Fui em um dia útil e, mesmo assim, havia bastante movimento, até pela presença de excursões. 

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