Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Bom Jardim: três cânions para visitar

Em um ponto da trilha, o guia convidou a deitar no chão. E olhar para baixo

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 00h45

O 4X4 cruzou o pequeno centrinho de Bom Jardim da Serra, cidade com pouco mais de 4 mil habitantes, rumo ao Cânion das Laranjeiras. Até lá, seria cerca de 1 hora de carro e mais uma caminhada de 2,5 km em um trajeto um pouco mais longo, mas sem tantas subidas e descidas quanto a outra opção de trilha. 

Embora a noite tivesse sido gelada, o dia amanheceu ensolarado. Um sinal de que a melhor opção seria se vestir em camadas para não passar calor conforme as temperaturas subissem. 

Antes de deixar o carro, Chico, guia da Tribo da Serra que acompanhou nosso grupo, oferece galochas. “Alguns trechos têm muita lama, é melhor”, aconselhou. Acatei, e, logo no começo da trilha, percebi que a escolha tinha sido acertada. Não demorou muito para a bota da minha colega atolar e eu mergulhar o pé em outra poça, logo à frente. Graças às galochas, os pés seguiram sequinhos.

Depois do trecho de lama, há um grande descampado. Faz calor – leve água, você vai precisar. Vacas e bois encaram nosso grupo perto de um riacho. Trocamos olhares desconfiados e cada um seguiu seu caminho. Melhor assim.

Ao longe, era possível ver que a neblina cobria boa parte do cânion. “Mas está ventando, as nuvens estão indo e vindo, vamos ver como será quando chegarmos lá perto”, explicou Chico. Caminhamos de dedos cruzados, torcendo para enxergar alguma coisa na chegada. 

O nevoeiro parecia bailar à nossa frente. Em certo momento, até o grupo de araucárias à beira do abismo estava encoberta. Em outro, a imensidão do cânion se mostrava sem pudores, e a vista alcançava longe, em direção ao litoral.

Seguimos caminhando pela encosta. Num ponto específico, Chico convidou: “Pode deitar aqui e olhar para baixo”. O coração sambava no peito, mas me arrastei como orientava o guia e olhei lá para baixo, num vale que parecia não ter fim. Um a um, todos do grupo fizeram o mesmo – e eu pedi para repetir a experiência. Na segunda vez, o cenário era diferente: as nuvens dançavam sob meus olhos, e os paredões já não eram tão visíveis. Mas a beleza continuava ali. 

Para encerrar o passeio, um lanche com vista privilegiada, enquanto as nuvens brincavam ao nosso lado, em seu infinito balé.

Outras vistas. Além do Laranjeiras, há outros dois cânions a serem visitados em Bom Jardim. O do Funil é para os fãs de trekking, com 14 quilômetros de ida e volta, enquanto o da Ronda não exige tanto esforço físico, já que é possível chegar de 4X4 até bem próximo do cânion – ou a cavalo, no caso dos hóspedes do Rio do Rastro Ecoresort, onde ficamos. 

Integrante da associação Roteiros de Charme, a propriedade, vizinha ao mirante da Serra do Rio do Rastro, tem apenas 19 chalés e muitos mimos para os clientes. Espumante de boas-vindas, chocolate no travesseiro, ammenities L’Occitane e chá da tarde, além do café da manhã incluído, fazem parte do aconchego dedicado aos hóspedes. Frio, só do lado de fora: dentro dos chalés, aquecimento central, lareira, lençol elétrico e jacuzzi. Diárias a partir de R$ 690 o casal; riodorastro.com.br.

À beira da serra. Mesmo para quem não pretende percorrer os cânions da região, é difícil fugir da vocação contemplativa da cidade. O mirante de onde se vê todas as curvas da Serra do Rio do Rastro dá as boas-vindas aos viajantes, que não economizam nas selfies ao se deparar com a paisagem.

Como o vento gelado não dá trégua, dê uma passadinha no café Mensageiro da Montanha, ali mesmo. Com chocolates quentes e cafés preparados de diversas maneiras (escolhi um com licor e chantilly, R$ 12), guarda um pouco da história da região. Há diversas fotos antigas que mostram a estrada antes de ser asfaltada, quando os carteiros percorriam o trajeto entre Bom Jardim e Lauro Müller em mulas. 

“Meu sogro, seu Tobias, era o verdadeiro mensageiro da montanha. Ele trabalhou como carteiro muito antes da pavimentação da via”, relata Sandra Vieira Padilha, dona da casa. Boa de papo, ela adora contar as histórias do passado para os turistas. “Tenho umas ótimas. E eu falo pouco, sabe...”, diz, caindo na risada.

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