Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Bora Bora, dona dos bangalôs sobre águas

Vida subaquática em meio à água cristalina

Lucineia Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 04h00

É em Bora Bora que você está pensando quando lembra da imagem turisticamente mais clássica da Polinésia Francesa: a de hotéis cujas acomodações são bangalôs de sonhos sobre águas transparentes.

Bora Bora é uma ilha vulcânica de 34 quilômetros quadrados e 10 mil moradores no meio de uma exuberante lagoa formada por um extenso recife. Suas paisagens são incansáveis: tons de azul do mar e do céu mudam ao longo do dia, enquanto o verde se destaca em dois picos, o icônico Monte Otemanu e o Pahia.

O aeroporto fica em um motu, de forma que todos os visitantes seguem de barco à ilha principal. Em uma ilhota, em meio ao mar esverdeado, somos recepcionados por uma escultura de mulher do artista Garrick Yrondi, que mora em Vaitape, capital de Boa Bora e nosso destino. Yrondi mora no quarto andar de uma casa que é também a recém-inaugurada pousada Villa Rea Hanaa, com cinco quartos bem amplos e uma bela vista do mar e do Monte Otemanu.

No centro de Vaitape, o que se vê é a combinação perfeita de mar de um lado e vegetação do outro. Como em outras ilhas, apenas uma estrada percorre toda sua extensão. E engana-se quem pensa que Bora Bora é um privilégio somente de casais. É, sim, um lugar romântico com diversos passeios e hotéis para curtir a dois. Mas também recebe muito bem amigos e famílias inteiras, que se divertem em aventuras aquáticas e trilhas aos pés do Monte Otemanu.

Dá para passar o dia em uma das praias de Bora Bora, sair pedalando pela cidade, andar de caiaque transparente e até pescar. Porém, se tiver de escolher apenas um passeio, garanto que mergulhar com arraias e tubarões será uma experiência e tanto.

O meu passeio foi organizado pela Moana Adventure Tours e conduzido pelo guia Toiki. O tour completo dura 6 horas e custa cerca de US$ 120 por pessoa, com quatro paradas e piquenique em um motu. O roteiro incluiu snorkeling para apreciar os multicoloridos jardins de corais; mergulho em águas mais profundas para encontrar a arraia manta, que mede até 9 metros; parada para observar tubarões mais agressivos; e, a melhor parte, nadar em águas rasas ao lado de arraias e tubarões galha-preta.

Confesso que senti bastante medo de encarar os bichos dentro d’água; fiquei alguns minutos apenas observando a “brincadeira”, fotografando e fui a última a deixar o barco. Os tubarões chegam muito perto e ficam rodeando. Já as arraias parecem mais pets marinhos querendo carinho – os guias chegam a beijá-las. Foi sensacional enfrentar o desafio, assim como alimentar os peixes. É preciso tomar cuidado com a cauda do animal; o guia alerta que há lugar certo para os mergulhos e ninguém deve se arriscar por conta própria.

O almoço teve pratos típicos preparados pela cozinheira Vairea Teihotu, uma mulher cativante que mora na ilhota com o marido e dois cachorros. À mesa, atum cru com leite de coco, peixe grelhado, frango com folha de taioba, mandioca, fruta pão, abóbora com doce de tapioca e leite de coco, melancia e manga. Além de provar a comida, pude comer conforme a tradição: com as mãos e, sim, lambendo os dedos. Tudo muito divertido, simples e especial, em um lugar acolhedor, rodeado de coqueiros.

-> Fui de barco de Taha’a ao aeroporto de Raiatea; de lá, voo até Bora Bora e, depois, barco a Vaitape.

 

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