Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Boston, a joia da colônia

Entre os espigões envidraçados e as avenidas largas que costumam definir a paisagem das metrópoles dos Estados Unidos, um conjunto de construções baixas adicionou um elemento de surpresa ao arranjo urbano de Boston. Pelo uso, não pela forma. Só mesmo o cheiro, por sinal bastante moderado, dava a entender o que eram os dois edifícios compridos que encontravam ao fundo um predinho de duvidosas influências neoclássica e romana: um porto pesqueiro.

MÔNICA NOBREGA / BOSTON, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h18

Limpo de encher os olhos, cercado de barcos coloridos, o lugar não é para turista ver. Mas faz parte do contexto de calçadões à beira-mar que, nas últimas duas décadas, ajudaram a revitalizar Boston e a dar uma aura pedestre à cidade.

"Isso é novo", conta a empresária brasileira Iseti Reis durante um passeio pela área do Faneuil Market, um conjunto de galpões históricos que ficaram abandonados até serem transformados em mercados superconcorridos. Ela mora em Boston há 39 anos.

Os moradores que conseguem pagar aluguéis nos bairros centrais - um mínimo de US$ 2,5 mil mensais, conforme anunciam vitrines de imobiliárias - comemoram a facilidade de fazer tudo a pé. Tanto estes quanto os que habitam subúrbios de casas coloniais feitas de madeira acham graça ao constatar o burburinho crescente. "Ainda me surpreende ver Boston nos anúncios de revistas como um hot spot fashion", diverte-se Iseti.

Trauma. É bem verdade que a tranquilidade de ir e vir foi abalada pelo trauma da explosão de bombas durante a Maratona de Boston, em 15 de abril último. Isso em plena Boylston Street, uma das vias mais movimentadas e chiques do centro.

A tristeza daqueles dias, transformada em orgulho ferido, transborda na forma de desejo de superação na fala de quem estava lá. "Ano que vem (a maratona) vai ser maior", diz Gregory Lockhart, guia de passeios de bicicleta e habitué do evento. Ele está certo. A edição de 2014, primeira depois do incidente com as bombas e 118.ª da história da prova, terá 36 mil corredores, 9 mil a mais que a prejudicada edição deste ano.

Fora a linha de chegada permanente no asfalto da Boylston, apenas um par de tênis entre os galhos de uma árvore e a vitrine de uma loja de artigos esportivos lembram discretamente o fato. Nos dias subsequentes às explosões, flores e homenagens foram deixadas ali, mas o poder público já limpou tudo. A Praça Copley deve ganhar um memorial em breve, sem muito alarde. Parece que Boston não quer se deixar definir pela insanidade.

Inglaterra. Já a antiga identificação com a Inglaterra eles fazem questão de sublinhar. O Estado de Massachusetts foi uma das Treze Colônias inglesas nos EUA. Boston, maior cidade da região naquele período, foi decisiva na luta pela independência do país. História que fica evidente quando se segue a Freedom Trail, Trilha da Liberdade.

O caminho de tijolinhos vermelhos começa (ou termina) no monumento Bunker Hill, endereço de uma luta entre colonos e o exército inglês em 1775, cuja visita se justifica pela bonita vista. E segue por 18 pontos em um passeio que resolve a questão histórica da viagem (para viver a atmosfera colonial de fato, siga para cidadezinhas do entorno, como se vê nas páginas 11 e 12).

O passado inglês deixou marcas na fala cotidiana (escuta-se muitos "aqui na Nova Inglaterra"). Em receitas como a deliciosa sopa New England clam chowder, de lagosta em creme branco. E na arquitetura colonial, das janelas bay window no pitoresco bairro de Beacon Hill (as luminárias das ruas são do período também) aos sobrados vitorianos de Back Bay.

Na Praça Copley começa o passeio por Back Bay: grifes, gastronomia e hotéis de luxo. Na praça, vi a Trinity Church, de 1877, refletida nos espelhos do grandalhão e modernoso John Hancock Tower, prédio mais alto da cidade com aproximados 240 metros. Dali, segue-se a pé para a Prudential Tower, que tem o mirante mais alto, no 50.º andar. Ou, no sentido oposto, para os parques Public Garden e Boston Common, que formam a versão local do Central Park.

O ponto de partida é dos mais fáceis e óbvios. O escritório de turismo de Boston distribui mapas para percorrer a cidade a pé, os walking maps. Seu hotel tem.

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