José Patrício/AE
José Patrício/AE

Botos pescadores e Anita Garibaldi

Parece história de pescador: em Laguna (SC), homens e golfinhos trabalham juntos na caça às tainhas no encontro do Rio Tubarão com o mar. Os "flippers" encurralam os peixes e os levam na direção das redes dos pescadores. Volta e meia os botos, como os moradores da região chamam os mamíferos, exibem suas caudas ou até saltam, proporcionando uma bela experiência para quem quiser conferir essa espécie de SeaWorld natural.

CARLOS LORDELO, JOSÉ PATRÍCIO, LAGUNA (SC), O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2012 | 03h12

A dica é chegar cedo, sentar em um dos bancos de cimento na areia e apreciar esta curiosa interação entre homem e natureza. Levar câmera com zoom potente ajuda a captar cenas como as manobras dos golfinhos e o arremesso das tarrafas pelos pescadores. Ou a enquadrar aves marinhas caçando peixinhos e siris.

A pesca cooperativa, como o fenômeno é conhecido por biólogos, existe há décadas na cidade histórica de Laguna, distante 110 quilômetros de Florianópolis. Francisco Cardoso, de 62 anos, aprendeu a pescar com o auxílio de golfinhos com o pai. "Sem o boto, a gente não pegaria a quantidade de peixes que pegamos."

Os "botos bons", aqueles que ajudam os pescadores, são chamados pelo nome: tem o Scooby, o Eletrônico, o Borrachinha, entre outros. "Alguns são mais experientes", diz Cardoso.

A parceria é boa para todos. Como a água é turva, os pescadores não conseguem enxergar os cardumes de tainha. Eles se orientam pela movimentação dos golfinhos para identificar o momento certo de jogar as redes. E os animais comem os peixes que sobram: cercados por todos os lados, viram presas fáceis. Até a equipe da rede de TV britânica BBC já foi a Laguna gravar reportagem sobre a pesca cooperativa, que ocorre durante todo o ano.

Filha ilustre. Depois de observar os golfinhos, você pode conhecer o casario histórico e alguns pontos turísticos de Laguna dedicados à sua filha mais ilustre, Anita Garibaldi (1821-1849). A Casa de Anita reconstitui um imóvel da época. Foi no casebre que Anita, então Ana Maria de Jesus Ribeiro, vestiu-se para seu primeiro casamento, aos 14 anos, com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar. Lá estão a máquina de costura que teria sido usada para confeccionar o vestido de casamento e uma tesoura que a revolucionária deu a uma amiga quando se mudou para o Uruguai ao lado de seu segundo marido, o italiano Giuseppe Garibaldi. A entrada custa R$ 2,50.

Vizinha à casa fica a Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos - construída em 1696 e reformada em 2003 - onde Anita se casou com Manuel. Ali perto, na Rua Fernando Machado, está a casa em que a lagunense morou com a família dos 14 aos 18 anos, antes de fugir com Giuseppe. A fachada encontra-se restaurada, mas o local é fechado para visitação.

Com 51 mil habitantes, Laguna também é conhecida por ser uma das cidades brasileiras cortadas pela linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Assinado em 1494 por Portugal e Espanha, o documento dividia as Américas entre os países, tornando Laguna um importante ponto geográfico para as nações ibéricas na época das Grandes Navegações. Vale conhecer o monumento simbolizando o globo terrestre dividido, inaugurado em 1975, perto da rodoviária.

Praias. Como quase toda cidade do litoral catarinense, Laguna tem praias com boas condições para o surfe. Se você não pratica o esporte, não tem problema. Curtir o visual também vale a pena por lá. Um dos destinos mais procurados é a Praia do Farol, num vilarejo afastado do centro. É preciso atravessar o Rio Tubarão e pegar cerca de 15 quilômetros de estrada pavimentada e de terra batida. O local tem bares e restaurantes à beira-mar.

Não deixe de subir o morro onde fica o Farol de Santa Marta. Lá de cima, a vista do encontro do mar azul com a areia e a vegetação surpreende. O farol não recebe visitas. Inaugurado em 1891, tem 30 metros e é considerado a mais alta estrutura do mundo construída com argamassa de óleo de baleia.

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