Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Nos passos dos grandes mestres belgas e holandeses

Da Bélgica à Holanda, do surrealismo ao De Stijl, um roteiro de inspiradora beleza nos passos de grandes artistas

Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h00

De casaco escuro e modos elegantes, o guia Remco Dörr fez um gesto entre o reverente e o engraçado para me dar passagem. Ao entrar na sala de piso de madeira e papéis de parede verdes, dei de cara com A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp. Sem um aviso prévio de que aquela era “a” sala, pega de surpresa pela obra-prima de Rembrandt, senti um indiscreto nó na garganta de emoção.

Cara a cara com o quadro visto tantas vezes em aulas sobre pintura barroca no Ensino Fundamental, descobri coisas que livros didáticos não contam. Observado a partir do lado esquerdo, o corpo do homem morto que ocupa o centro do óleo sobre tela tem pernas curtas que o fazem parecer um anão. Já a perspectiva desde o lado direito o mostra como um sujeito alongado, alto.

O Mauritiushuis, em Haia, era o último museu de um roteiro de 13 dias pela Bélgica e pela Holanda todo guiado por obras de arte. Em oito cidades, foram 16 museus e galerias, seis ateliês, outros 5 monumentos e demais atrações ligadas às artes, e incontáveis artistas – entre os quais René Magritte, irmãos Van Eyck e Peter Paul Rubens, na Bélgica, além dos holandeses Piet Mondrian, Gerrit Rietveld e o próprio Rembrandt tiveram papel de destaque.

Comemorações. Tanto na Bélgica quanto na Holanda, o mundo das artes tem estado em festa. O ano de 2017 marcou os 50 anos da morte do surrealista René Magritte, aquele que adorava nuvens, maçãs e chapéus-coco e desafiou o próprio conceito de arte ao afirmar que “Isto não é um cachimbo” em seu quadro mais famoso, o desenho de um... cachimbo. Foi para seguir passos de Magritte e, depois, descobrir outros destaques das belas-artes da região de Flanders que visitamos quatro cidades entre Bruxelas e Antuérpia, onde o ano de 2018 é dedicado ao pintor barroco Peter Paul Rubens

Na Holanda, foi o centenário do movimento De Stijl, de Piet Mondrian e companheiros, o fio condutor da viagem. De Stijl é também sobre design – a Cadeira Vermelha e Azul, ícone do arquiteto Gerrit Rietveld, completa 100 anos neste 2018. Por isso, o contemporâneo design holandês, que tem seu epicentro na Academia de Design de Eindhoven, entrou no roteiro.  Arte holandesa, por sua vez, é também sobre Vermeer, além do próprio Rembrandt, o que colocou no radar Haia, a cidade mais importante do país (sim, mais que Amsterdã) do ponto de vista administrativo.

Foram dias de descobertas estéticas entre cidades medievais com estilo de vida do século 21. Lojas de fast-fashion internacionais, como se espera da Europa. Naves espaciais arquitetônicas que impõem o novo e fraturam a unidade visual das paisagens. Os escuros e claros, bonitos e feios, a forma e o conteúdo da arte transpostos para a vida.

E transpostos também para a cozinha. Tanto em restaurantes antigos servindo farta comida tradicional quanto nas pretensões de jovens cozinheiros a fim de reinventar a gastronomia com suas declaradas releituras. A beleza, neste roteiro, também põe mesa. Arte, por que não? Há outras coisas que, como A Lição de Anatomia, podem depender do ponto de vista.

Bruxelas: vida e obra de Magritte

Embora pensasse à frente de seu tempo – que o diga o cachimbo da discórdia, mais detalhado adiante –, René Magritte era um homem de seu tempo. Um pouco entediado, um pouco desiludido, um perfil comum de se encontrar naqueles anos de ressaca da 1.ª Guerra Mundial, era um frequentador assíduo de um certo Taverne Greenwich. O pintor ia para jogar xadrez, algo que se faz até hoje nesse bar-restaurante, e onde também se comem, atualmente, moules et frites (mariscos e batatas fritas) a partir de 12,90 euros.

Magritte morou também em Paris, onde foi amigo do poeta André Breton – autor do Manifesto Surrealista que, em 1924, deu o pontapé inicial do movimento artístico de mesmo nome. De volta a Bruxelas, Magritte tornou-se um dos artistas belgas de maior expressão no mundo. Sua morte completou 50 anos há pouco, data lembrada com eventos e exposições. A mostra em cartaz no interior do Atomium, construção em formato de átomo de ferro que é ícone de Bruxelas, ainda pode ser visitada até setembro.

O ponto principal do roteiro Magritte em Bruxelas é o museu que leva seu nome, e que fica no complexo dos Museus Reais de Belas Artes da Bélgica, no centro da capital. Inaugurado em 2009, tem 230 pinturas, desenhos e colagens do artista, o maior acervo no mundo. É onde está um de seus mais belos trabalhos, o famoso La Magie Noire, de 1945, no qual uma figura feminina se funde com as nuvens e o céu azul característicos de várias obras de Magritte. Como boa parte do acervo, este quadro foi doado pela mulher do artista, Georgette Berger (1901-1986). 

O museu tem também réplica de A Traição das Imagens (1929), que ficou conhecido pela frase “isto não é um cachimbo” impressa abaixo da imagem de um cachimbo. Trata-se de uma réplica porque o original pertence ao Lacma, de Los Angeles, nos Estados Unidos. O quadro provocou debates sobre a arte como representação; até o filósofo francês Michel Foucault escreveu um ensaio e publicou livro sobre o assunto, em 1973, tomando Magritte como inspiração. 

Ainda no Museu Magritte, veja outro quadro famoso, O Império das Luzes (1954), antes de seguir para a próxima parada: a Casa Magritte. O imóvel de três andares onde o pintor viveu com Georgette durante 24 anos é aberto à visitação pública. A mobília original, a minúscula cozinha, o gracioso banheiro e o ateliê de Magritte, no fundo do terreno, estão intocados. Foi aqui, neste bairro a cerca de 7 quilômetros do centro (pegue o ônibus 93) que o artista pintou O Império das Luzes. Repare nas fachadas não idênticas, mas similares da residência real e de sua representação.

Torre Eiffel belga. O Atomium é o principal monumento de Bruxelas. É a Torre Eiffel da capital belga: uma construção extravagante que foi projetada para a Exposição Mundial. No caso, a de 1958. Está completando 60 anos neste 2018. 

O prédio todo prateado foi projetado como uma representação do átomo de ferro, uma forma de homenagear a abundância da indústria belga de ferro e aço da época. Parte das nove esferas são visitáveis; uma delas tem acesso por um túnel de luzes. Dentro, entre outras mostras, a exposição Magritte – Atomium Encontra o Surrealismo vai até 10 de setembro. Nela você descobre, entre outras coisas, uma suposta ligação entre Magritte, os Beatles e Steve Jobs. Assim: a maçã que forma o logotipo dos computadores e celulares Apple teria sido inspirada no estúdio musical dos Beatles cujo nome, por sua vez, Paul McCartney teria tirado das maçãs verdes que aparecem em várias telas de Magritte. 

Mais para ver em Bruxelas

Galerie de la Reine 

O suntuoso centro comercial tem para Bruxelas a mesma importância da Galeria Vittorio Emanuele para Milão, na Itália – mas foi inaugurado quase duas décadas antes, em 1847. É onde estão as grifes feitas à mão mais exclusivas da Bélgica, como as bolsas Delvaux, criadas em 1829, e as rendas da Manufacture Belge des Dentelles, de 1810. Repare na cobertura de vidro da galeria, original do século 19. 

 

Chocolateria Neuhaus 

A fábrica de chocolates existe há 160 anos. Ficou famosa pelo praline, um biscoito de açúcar coberto de chocolate que é uma das iguarias típicas de Bruxelas, também criado para a Exposição Mundial de 1958. Na loja da Galerie de la Reine é possível participar de uma oficina para aprender a fazer seus próprios chocolates. A brincadeira custa 35 euros, e você sai de lá com uma sacolinha de bombons e barras.

Maneken Pis  

Para não dizer que foi até Bruxelas e não viu o dito-cujo, siga para a esquina da Rue de L’Etuve com a Rue du Chêne para ver o boneco de bronze de 61 centímetros de altura que faz um xixi eterno. Avisos: um, a depender do dia da semana, a escultura estará vestida; seu guarda-roupas tem mais de 800 modelos. Dois, a imagem na esquina é uma réplica de 1965; o Maneken verdadeiro, de 1619, está exposto no Museu da Cidade de Bruxelas (8 euros), a duas quadras, na deslumbrante Grand-Place.

Leia mais: Todas as dicas do Viagem Estadão para a Bélgica

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h06

A partir do momento em que pisar na zona do euro, guarde o troco. Especificamente quando vier na forma de moedas de 1 euro. Elas serão necessárias na Catedral de São Bavo, onde fica a obra de arte mais cheia de história para contar deste roteiro: A Adoração do Cordeiro Místico

O políptico formado por 24 painéis foi encomendado aos irmãos Van Eyck pelo comerciante Joos Vijdt para decorar a capela particular de sua mulher, Lysbette Borluut, na igreja que então era consagrada a São João Batista. Como pagadores da conta, o casal teve direito a aparecer na pintura, que demorou 12 anos para ficar pronta. O Van Eyck mais velho, Hubert, começou a obra, que foi concluída pelo caçula, Jan

Os Van Eyck estão entre os nomes mais importantes da pintura primitiva flamenga. O Cordeiro Místico, também conhecido como Retábulo de Ghent, tornou-se, ao longo dos séculos, uma das obras mais cobiçadas do mundo. Teve seus painéis roubados seguidas vezes, com Napoleão Bonaparte e Hitler entre os ladrões. O filme Caçadores de Obras-Primas (2014), com George Clooney, conta a parte nazista desta história.

O Retábulo permaneceu retalhado entre Londres, Berlim e Bruxelas até que tudo foi recuperado e retornado a Ghent em 1920. Mas um novo roubo, em 1934, subtraiu do conjunto o painel Os Juízes Íntegros. Um sacristão da catedral, no leito de morte, teria confessado ser este último ladrão – e morreu sem contar o paradeiro da tela, que não reapareceu até hoje. 

Restauração. Quanto ao resto, o Retábulo está sendo restaurado desde 2012 no Instituto Real do Patrimônio Artístico, que fica no Museu de Belas Artes de Ghent. O público pode ver os restauradores trabalhando atrás de um vidro, e só por isso já vale muito ir ao museu. É hipnotizante observar o quanto o trabalho é absurdamente minucioso. A restauração completa será entregue em 2020, definido como Ano Van Eyck em Ghent, quando o Cordeiro Místico voltará à Catedral de São Bavo. 

Então voltemos também à Catedral e às moedas de 1 euro. Elas serão necessárias para admirar a réplica d’A Adoração do Cordeiro Místico, que ocupa o lugar da original na tal capela da senhora Borluut e tem o mesmo tamanho do políptico real: 5,20 metros de largura por 3,75 de altura. Coloca-se a moeda na máquina, a luz acende por um tempinho. Você decide que não viu tudo, coloca outra. Nessa, gastamos uns 6 euros.

Veja também em Ghent

Korenmarkt 

Praças centrais com arquitetura linda de cair o queixo são encontradas em várias cidades belgas, mas a de Ghent tem um motivo a mais para ser visitada. Ela é o endereço de dois carrinhos que vendem o doce mais tradicional da cidade: o cuberdon (ou rode neuzen, ou ainda red nose). O “nariz de Ghent” é como uma bala de goma maiorzinha, recheada e muito, muito doce.

 

Castelo de Gravensteen 

O Castelo dos Condes de Ghent é uma fortaleza medieval bem no centro da cidade cuja construção começou no século 10. Hoje, abriga um museu com objetos de época dos exércitos locais e outros itens.

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h07

O coração ficou dividido assim que pisei em Bruges, terceira parada na Bélgica do nosso roteiro artístico. Cadê vontade de me enfiar nas salas fechadas de um museu, mesmo que a promessa fosse mais um monte de Van Eyck, se do lado de fora estavam aqueles canais lindos e um fim de tarde gelado, mas azul e luminoso?

Bruges é uma das cidades mais belas da Europa e provavelmente do mundo. Pelos canais, construídos a partir do século 12 para o transporte de mercadorias, hoje navegam barcos turísticos (leia abaixo). Ruas e casas medievais seguem preservadas, algumas em restauração, exibindo o estilo gótico feito de tijolos de diferentes padronagens que registram a sobreposição dos séculos. O centro histórico é Patrimônio da Unesco desde 2000.

No século 15, Bruges foi o berço dos primitivos flamengos, muito graças à disponibilidade de ricos comerciantes de financiarem a artistas. Jan Van Eyck (1390-1441) foi um dos pintores que se beneficiaram deste arranjo.

“Primitivos flamengos” era uma expressão que eu vinha escutando até aquele momento da viagem pela região de Flanders sem ainda entender muito bem seu significado. Mas a dúvida foi magistralmente esclarecida diante de A Virgem e o Menino com o Cônego Joris Van der Paele, no Museu Groeninge. Estava tudo lá. A representação naturalista dos personagens. Cores vivas, perspectiva. O detalhamento extremo das texturas que fazem o manto vermelho da Virgem parecer um pedaço real de tecido. Não é de estranhar que Jan Van Eyck tenha demorado dois anos para terminar o quadro, de 1434 a 1436, depois de receber a encomenda do tal cônego que pagou pela obra. 

O mesmo caso de financiamento e as mesmas características estéticas definem o Tríptico da Família Moreel (1484), outra dentre as obras mais importantes do acervo do Museu Groeninge. O autor Hans Memling, que morreu em 1494, também é destaque entre os primitivos flamengos. 

A cada três anos. O ano de 2018 traz uma programação que deixa Bruges ainda mais bonita e deliciosa de se visitar porque resolve o dilema dentro/fora. Começou na semana passada e vai até 16 de setembro a segunda Trienal de Artes. A ideia é povoar canais e ruas com esculturas e instalações criadas por artistas e arquitetos. 

Nesta edição, sob o tema Cidade Líquida, são 15 obras de grande porte. A mais curiosa delas é chamada de What’s Eating the Chinese Mitten Crab? (“o que come o caranguejo mitten chinês?”), do coletivo de arquitetos Rotor, baseado em Bruxelas. Trata-se de uma reflexão ambiental e cultural sobre a proliferação de caranguejos chineses nos canais de Bruges. A espécie é uma iguaria na China, mas está se tornando um problema ambiental na cidade belga. Há inclusive um bar temporário servindo degustações do caranguejo na área portuária de Zeebrugge.

Visitantes mais tradicionais podem preferir os bares com mesas ao ar livre ao longo dos canais. É o jeito mais gostoso de admirar a beleza escancarada de Bruges: degustando uma boa cerveja belga. 

Outros passeios em Bruges

Canais 

Uma cidade de pontes e canais entre construções medievais e jardins: poderia ser Veneza, mas é Bruges, que por isso também acabou virando sinônimo de romantismo. Passeios de barco e até uma ou outra gôndola operam das 10h às 18h, a partir do Cais do Rosário (Rozenhoedkaai). 

 

Torre Belfry 

Com 83 metros, a torre mais alta de Bruges foi construída no século 13, abriga um carrilhão com 47 sinos e é aberta ao público – são 337 degraus a pé até lá em cima.

 

Beguinage 

Em meio a um jardim de álamos muito altos e calçamento de pedras, uma fileira de casas brancas abrigava, no século 17, mulheres que não queriam se casar, nem se dedicar à vida religiosa. A essas moradias específicas dava-se o nome de beguinages. Hoje, vivem algumas freiras por ali, junto com mulheres que precisam se inscrever para morar. Por 2 euros, é possível visitar umas das casas por dentro.

Leia mais: Beguinage e mais 10 destinos para ver os típicos tapetes de rua do Corpus Christi

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h08

É pela moda e pela lapidação de diamantes que a cosmopolita Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica com 500 mil habitantes, é conhecida. Mas este é o ano da arte barroca. Batizado de Antuérpia Barroca 2018 – Rubens Inspira, o ano temático joga ainda mais luz sobre o principal artista local.

Peter Paul Rubens (1577-1640) nasceu na Alemanha, na região de Colônia. Mas passou a maior parte de sua vida em Antuérpia. Sua casa, no centro da cidade, está a poucos passos da Meir (área que é o epicentro da moda) e da estação central de trens, uma atração em si pela monumental arquitetura neobarroca. Transformada em museu, a Rubenshuis expõe não apenas as criações de seu dono, mas também a de seus amigos e alunos e coisas que ele mesmo colecionava. 

É um museu magnífico, onde até o revestimento de couro de algumas paredes é original (sei o quanto é difícil, mas não pode mesmo tocar) e é possível sentir a atmosfera de agitação intelectual do lugar naqueles dias em que o ateliê do multivalente Rubens empregava vários aprendizes. Estima-se que ali foram produzidos cerca de 3 mil trabalhos artísticos. Rubens era também um grande negociante, diplomata e – hoje sabe-se cada vez mais a respeito – espião de guerra. 

O autorretrato pintado por Rubens em 1630 é o cartão-postal do museu. A Rubenshuis ganhou, em meados de 2017, um atrativo de peso a mais. Santa Catarina, quadro do veneziano Tintoretto pintado entre 1560 e 1570, pertenceu a David Bowie (1947-2016) até sua morte. Leiloado, foi comprado por um colecionador que encaminhou a obra à Rubenshuis sob as justificativas de que, como Bowie, Rubens foi um fã de Tintoretto; e que a casa de Rubens era um dos museus preferidos do cantor no mundo. 

A 15 minutos de distância, o museu Plantin Moretus ocupa um palacete que, por três séculos a partir do 16, foi a residência e a gráfica da família que lhe dá nome. É onde Rubens imprimiu volumes com as ilustrações que criava – imagine ver-se diante de um papel que foi impresso no século 17. 

De 29 de setembro a 6 de janeiro, o museu recebe a exposição O Livro Barroco: Uma Criação Conjunta de Balthasar Moretus e Peter Paul Rubens.

Mais em Antuérpia

MAS 

O Museum aan de Stroom (Museu no Rio), que se destaca pela arquitetura ímpar e o mirante com vista em 360 graus da cidade, recebe a partir de 1º de junho (a data de encerramento não foi divulgada) a exposição gratuita Barroco Burez, do jovem fotógrafo Athos Burez. Ele se inspira no estilo de Rubens para fazer retratos, naturezas mortas, paisagens e interiores. 

 

Meir 

Aberto aos pedestres e com lojas instaladas em prédios de estilo rococó, é a área da moda na cidade mais fashion da Bélgica. Um bom programa enquanto o Museu da Moda está fechado para renovação – reabre em 2020.  

Leia mais: ‘Tintoretto do Bowie’, a nova estrela da Antuérpia

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h09

A hospedagem tinha a aura certa, quartos distribuídos em um antigo prédio industrial, readaptado com decoração minimalista e cores chamativas. E tinha também a localização ideal. Isso porque o hotel Inntel Art fica bem em frente a The Blob, uma estrutura de aço e vidro com 25 metros de altura e formato que mais ou menos lembra uma bolha. É a entrada de um shopping e também um recado: em Eindhoven, a forma importa tanto quanto o conteúdo.

Como primeira parada da parte holandesa do roteiro, Eindhoven trouxe um outro clima à viagem. Temporariamente, saiu de cena a atmosfera medieval e entrou com força o século 20. 

A história de Eindhoven se funde à da companhia de lâmpadas Philips, que nasceu aqui em 1891 e chegou a ser dona de tantos prédios e galpões que quase tudo o que hoje tem interesse turístico em algum momento será descrito como “no passado foi da Philips”.

Hoje, a sede da companhia é Amsterdã. À medida em que foi se mudando para a capital holandesa – um processo que se completou no começo dos anos 2000 –, a Philips foi deixando para trás imóveis abandonados. Foi nesse vazio que a Academia de Design de Eindhoven, a primeira escola de design, artes e arquitetura fundada na Holanda, em 1947, consolidou uma posição de liderança cultural e um estilo de vida na cidade. 

As várias gerações de alunos vêm estabelecendo por Eindhoven novos hubs criativos, que levam consigo gastronomia, lojas interessantes e lugares de encontro. Piet Hein Eek é sem dúvida o mais famoso: seu ateliê é um grande galpão onde são fabricados seus móveis feitos de restos de madeira, muitos deles custando alguns milhares de euros. 

O ateliê é também galeria de arte. Expõe os trabalhos de Hein Eek e de vários outros artistas. Tem uma loja com souvenirs, coisas para a casa, roupas, papelaria, brinquedos. E um ótimo restaurante em um prédio anexo. Tudo isso fica na área de Strijp-R, que começa a despertar interesse como moradia de classe média. 

Casas de criadores. Eindhoven não tem canais, mas é uma cidade plana e pedalável; as corridas de táxi, por serem curtas, sempre sairão mais ou menos baratas. A 2 quilômetros do ateliê de Hein Eek está Strijp-S, concentração de galpões abandonados da Philips sob um pergolado industrial de metal, como uma cobertura que se estende por 500 metros, ocupando a rua.

A mágica das lojas descoladas e ateliês se fez aqui também, e houve quem plantasse uma vegetação sobre a cobertura industrial para tornar menos árida a vista. Deu certo. A moda dos tetos verdes está em alta em Strijp-S. Já são 2.500 metros quadrados. O bom humor também ajudou: no dia gelado em que estive na região, um café tinha colocado na porta uma placa onde se lia: “Design dá fome. É quente e confortável aqui dentro”. 

A leste do centro, o conjunto de galpões Sectie-C provê espaço de trabalho e atmosfera moderninha para outro punhado de jovens designers. A enorme oficina do artista espanhol Nacho Carbonell, que esculpe malucas formas orgânicas, faz valer ir lá. 

Em direção ao sul a partir do centro, entre casas que parecem mais antigas (bem como o bairro onde estão), uma velha igreja hoje abriga o ateliê NL. Nadine Sterk e Lonny van Ryswyck fazem cerâmicas belíssimas e mantêm o projeto Para Ver o Mundo Num Grão de Areia, que reúne areias do mundo todo e tenta fazer vidro com elas. Dá para ver no site ateliernl.com como mandar a sua amostra. Também dá para fazer oficinas de cerâmica e compras no ateliê. 

Mais em Eindhoven

Kazerne 

Criado por Annemoon Geurts, designer e professora da Academia de Design de Eindhoven, e por seu marido, o músico Koen Rijnbeek, o Kazerne é um espaço múltiplo. Tem bar, frequentado na happy hour por estudantes e professores; galeria de arte, cujas mostras se destacam principalmente durante a Design Week da cidade (20 a 28 de outubro), a segunda maior do mundo, atrás de Milão; e um restaurante inspirador, com cardápio enxuto e que muda com frequência para se adapta à disponibilidade de ingredientes. Entrada, prato e sobremesa custam cerca de 40 euros; reserve. Um hotel com oito quartos será inaugurado em outubro.

Festival Glow 

O grandioso festival de luzes reúne multidões para ver as performances luminosas em vários pontos do centro da cidade – a igreja de Santa Catarina vira tela para uma dança de desenhos impressionantemente minuciosos. A 12ª edição, este ano, será de 10 a 17 de novembro. 

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Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2018 | 03h10

Encostamos as bicicletas numa parede qualquer – “nem precisa do cadeado, não acontece nada”, assegurou Jitte Rosendaal, o guia daquela tarde – e descemos para admirar e fotografar um exemplar gigante da Cadeira Vermelha e Azul. A réplica estava ao lado do Velho Canal, no meio da rua com calçamento de tijolinhos no centro de Utrecht, quarta maior cidade da Holanda com 300 mil habitantes e segunda parada no país. Retomamos a atmosfera medieval ali, sim. Mas o design continuou no centro das atenções. 

Ah, as bicicletas. Elas fazem parte da vida dos holandeses, quase como uma extensão do corpo. Em Utrecht, foram nosso meio de transporte para circular pelo centro histórico, ir e voltar do hotel, a 3 quilômetros de distância, sair para almoçar e jantar, visitar o Museu Central e fazer o tour guiado, cujo tema era o movimento artístico De Stijl, que completou 100 anos em 2017.

De Stijl reuniu um grupo de artistas interessados na pureza das linhas arquitetônicas, nas formas geométricas simples e na funcionalidade. Em muitos aspectos, foi parecido com a escola alemã Bauhaus, da qual, inclusive, foi contemporâneo. A redução da cartela cromática a cores primárias – azul, vermelho e amarelo vivos, além do preto e do branco – é sua característica mais marcante. Falar de De Stijl é falar dos retângulos e quadrados brilhantes do pintor Piet Mondrian (1872-1944).

Centenária. A Cadeira Vermelha e Azul foi criada por outro dos integrantes famosos do movimento, o designer e arquiteto Gerrit Rietveld (1888-1964), que nasceu e morreu em Utrecht. Foram as criações de Rietveld que conduziram nosso tour artístico pela cidade.

O Museu Central tem a maior coleção do designer no mundo, inclusive uma preciosidade: a Vermelha e Azul na sua versão original, só de madeira, sem pintura, que é como ela primeiro veio ao mundo, em 1918 – está completando 100 anos neste 2018, portanto. A pintura colorida só foi aplicada cinco anos depois, em 1923. 

Outros móveis criados por Rietveld estão expostos no Museu Central em interessantes e contrastantes arranjos com quadros franceses e holandeses da segunda metade do século 19 e primeira metade do século 20, pertencentes à coleção de uma certa família Van Baaren. Ficam assim até o fim de 2019. 

De bicicleta, seguimos entre canais e depois por dentro do belo Parque Wilhelmina, do século 19, até uma área residencial, cerca de 3 quilômetros a leste do centro histórico. Na década de 1920, esta era uma área nas franjas da cidade. 

Aqui, a socialite Truus Schröder (1889-1985) encomendou a Rietveld uma casa. A construção, entregue em 1924, virou patrimônio da Unesco tanto pelo design quanto pela funcionalidade de seu interior. As paredes se movem para adaptar os cômodos aos vários usos do dia. A Casa Rietveld Schröder está aberta a visitas, com agendamento. Dica: a lojinha tem bons livros sobre a arquitetura do período. 

Outra criação de Rietveld, conhecida como Casa do Chauffeur (do motorista) está perto, no número 20 da Rua Waldeck Pyrmontkade. É de 1928 e sua fachada em módulos, de tão afinada com os retângulos, cores e retas do movimento De Stijl, parece muito com um quadro de Mondrian.

Para ver mais em Utrecht

Canais 

Como Amsterdã, mas em menor escala, Utrecht centra a vida do dia a dia em torno dos canais. O Velho e o Novo são os canais principais; margens rebaixadas ao nível d’água recebem as mesas de restaurantes e bares e propõem, assim, uma experiência bem diferente de convivência com os cursos d’água. Passear pelas águas é indispensável – e você pode fazer isso em barco aberto, fechado, ou até de stand up paddle. Desde 20 euros. 

 

Dom Tower 

Com 112 metros, é a torre de igreja mais alta da Holanda. Lá do topo, depois de subir os 465 degraus (pelas escadas, não há elevador), tem-se uma bela visão panorâmica da cidade. A meio caminho, aos 50 metros de altura, estão os 14 sinos. Ingresso a 9 euros.

 

Tour de bicicleta 

A muito holandesa cultura da bicicleta é forte em Utrecht. Vale a pena se encaixar em passeios guiados para interesses específicos, como o passeio focado em comida da Colorbike. O city tour clássico pelo centro histórico recomendo que você faça por conta própria: alugue a bike no seu hotel ou em lojas do centro e perca-se.

 

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h11

De tão perto que fica de Utrecht, Amersfoort nem exigiu pernoite. De trem, são 14 minutos e 9 euros. É uma cidade pequena que cabe num bate-volta, mas é bom se preparar para um dia longo. Há muito o que ver – e as atrações complementam o roteiro De Stijl.

Depois da imersão em Rietveld do dia anterior em Utrecht, ainda restava uma importante criação do arquiteto e designer: o Pavilhão Rietveld, em Amersfoort. De 1959, foi criado como centro cultural em homenagem aos 700 anos da cidadezinha, e lança mão da geometria simples e da abundância de luz natural que caracterizam De Stijl

Dentro estão expostas peças como a Cadeira Amersfoort (1949) e os móveis que ele desenhou para a sala de imprensa da Unesco em Paris. Mais legal que tudo isso é ir ao banheiro no pavilhão: você faz xixi no vaso sanitário que Rietveld escolheu para o local, olhando para os azulejos que ele quis nas paredes, e lava as mãos na pia e na torneira que ele desenhou. Tudo original.

Nasce um ícone. Amersfoort também é uma cidade de canais. À beira de um deles, as rodelas de plástico vermelhas, azuis, amarelas, brancas e pretas que transformam o guarda-corpo num ábaco gigante sinalizam até melhor que a discreta placa: estamos na Mondriaanhuis, a residência onde Mondrian nasceu e viveu até os 8 anos.

A casa reabriu em março de 2017, depois de uma remodelação. Falta-lhe acervo, obras originas – a maioria está em Haia –, mas sobram bons insights tecnológicos. Numa sala, assiste-se a uma linha do tempo animada em várias telas simultâneas; na outra, traços horizontais e verticais vão se organizando num cubo branco e ganhando cores até formar uma projeção do quadro Broadway Boogie Woogie

Por fim, você entra no pequeno apartamento onde Mondrian viveu em Nova York, senta no sofá ao lado da imagem holográfica do pintor e faz-se a mágica: sai numa foto “papeando” com Mondrian, na sala dele, em pleno 2018. 

Mais Amersfoort

Kunsthal Kade 

À beira do canal de Amersfoort e em meio à arquitetura medieval, uma nave espacial arquitetônica desenhada pelo espanhol Juan Navarro Baldeweg abriga o centro cultural Kunsthal Kade, que recebe exposições de arte moderna e contemporânea. 

 

Koppelpoort 

O cartão-postal da cidade é seu principal portal, do século 15. Passe por ele em horários diversos para ver os efeitos das mudanças de luz no dia. O Kunsthal Kade fica perto. 

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Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h12

Se em Amersfoort eu “visitei” o apartamento nova-iorquino para ver onde Mondrian criou sua última obra, foi em Haia que vi de verdade Victory Boogie Woogie, a pintura na qual ele trabalhou até sua morte, em 1944. O trabalho, que representaria a esperança de vitória na 2.ª Guerra Mundial, ficou incompleto. A guerra acabou no ano seguinte.

Nenhuma performance tecnológica substitui o prazer estético de estar mesmo diante da tela. Luzes, projeções e interatividade não são capazes de revelar detalhes que fazem toda a diferença. Foi preciso chegar muito perto do quadro, que tem uma sala só para ele no Museu Municipal de Haia (o Gemeente) para constatar que no canto inferior direito de Victory Boogie Woogie Mondrian substituiu as pinceladas por fita adesiva colorida. Teria sido impaciência, vontade de experimentar ou algum outro motivo que nunca saberemos?

O Gemeentemuseum tem a maior coleção de Mondrian no mundo. São 300 itens de todas as fases da carreira do artista. Você anda e esbarra no Moinho ao Sol (1908); logo adiante, no Autorretrato de 1916. Outros artistas de De Stijl, como Theo van Doesburg e Gerrit Rietveld, têm obras aqui. 

Clássicos. A arte holandesa tem muita história antes de chegar ao século 20 e a De Stijl, e Haia, última parada deste roteiro, é uma cidade de museus excepcionais – além de vibrante e deliciosa. Merece fácil três dias inteiros. 

Na Real Galeria de Arte Mauritiuhuis – aquela onde fica A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, de Rembrandt – está também a chamada Monalisa holandesa. Trata-se de Moça com Brinco de Pérola, de Johannes Vermeer, pintado em 1665, e que inspirou filme com o mesmo nome em 2003. A história do cinema é pura ficção: Vermeer não retratou uma mulher real, mas uma figura imaginada. 

Para brasileiros, a Mauritiushuis tem uma curiosidade adicional. O nome significa Casa de Maurício, e o tal Maurício é ninguém menos que o de Nassau, que governou a colônia holandesa no Nordeste brasileiro no século 17. Outro quadro de destaque aqui é O Jardim do Éden com a Queda do Homem (1615), criação conjunta de Brueghel, o Velho, e Rubens, o de Antuérpia. Dá para ver as assinaturas na obra e identificar as diferenças de estilo entre as pinceladas dos dois mestres. 

Pertinho da Mauritiushaus está Escher in het Paleis (Escher no Palácio). As obras do artista gráfico Maurits Escher (1898-1972), mestre da ilusão de óptica, ocupam o palacete inteiro, diante de uma bela praça arborizada que era frequentada pela nobreza local. 

Veja mais em Haia

Museu Beelden aan Zee 

No distrito litorâneo de Scheveningen, a 8 km do centro de Haia (“20 minutos de bicicleta”, dizem os moradores), o museu privado, cujo nome traduzido significa “imagens sobre o mar”, é dedicado à arte contemporânea de vários países, especialmente ex-colônias holandesas. O terraço de esculturas se destaca pela vista.

 

Píer de Sheveningen 

Scheveningen é onde os moradores de Haia vão à praia (que tem larga faixa de areia escura). O píer, reaberto após reforma em 2015, tem lojas, restaurantes e atrações como a roda-gigante de 40 metros de altura e uma tirolesa. 

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Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 15h31

A maioria dos restaurantes pergunta o que cliente quer comer. Alguns, no entanto, subvertem essa convenção: só querem saber se há algo que você não come de jeito nenhum. Deste segundo tipo, atrevidos, apareceram dois neste roteiro belga-holandês: primeiro, L’epiceria du Cirque, em Antuérpia; dias depois, Oogst, em Haia. 

Confiar na sensibilidade dos artistas da cozinha me pareceu uma ideia que realmente combinava com a proposta da viagem. Entre um museu e outro, conheça os restaurantes que nos apresentaram a comida dos dois países, das receitas tradicionais às “gourmetzices”. 

Bozar Brasserie, Bruxelas

Tem uma estrela Michelin. Os pratos vêm parecendo pinturas de tão bonitos, servidos em tábuas e potes de madeira rústica. Mas fique tranquilo: a comida é farta. O peito de pato com abóbora, figo e couve-de-bruxelas estava delicioso. Vá no almoço, com menus de cerca de 40 euros, um quarto do preço no jantar. 

Tom’s Diner, Bruges

Como não amar um lugar em que se pode pedir refil da ótima batata frita? O cardápio é conciso, mas variado, que vai de carne uruguaia a penne com camarões e molho de leite de coco.

De Halve Maan, Bruges

No restaurante da cervejaria De Halve Maan provei o hutsepot, um sopão de legumes em pedaços com linguiça e carne – era de porco, mas podem ser outras. É como comida de vó, caseiríssima. Menu a 22 euros.

L’Epicerie du Cirque, Antuérpia

O chef Dennis Broeckx é um dos Flanders Kitchen Rebels, os rebeldes da cozinha de Flanders, grupo de jovens cozinheiros que serve comida flamenga, mas desafia seus cânones. Aceitamos a proposta de “menu surpresa do chef”, com altos e baixos: o camarão recheado não deu certo, a lagosta estava excepcional, quem comeu mariscos pediu mais. O cardápio muda sem periodicidade definida, para acomodar os ingredientes da época. Menus custam de 32,50 a 75 euros.

City Castle Oudaen, Utrecht

Em um castelo do século 13, esta cervejaria e restaurante serve quatro tipos de cerveja (há tour guiado pela produção, com agendamento) e pratos individuais enormes (em média, 18 euros). Peça qualquer coisa que acompanhe as memoráveis batatas fritas.

Stan & Co., Utrecht

Além de um ambiente gostoso, moderninho e baladeiro, é o lugar certo para os chatos à mesa. Tem carne, massa, salada e sanduíche. Deu vontade de comer algo básico: escolhi nhoque com cogumelos e parmesão e fui dormir feliz. Cerca de 35 euros por pessoa. 

Dara, Amersfoort

O dia em Amersfoort terminou com um delicioso jantar de múltiplos sabores neste restaurante meio marroquino, meio árabe. A comida é servida em pequenas porções para compartilhar, as mezzes (4 a 9 euros cada). 

Encore by Simonis, Haia

Este novo restaurante na Marina de Scheveningen serve comida asiática em um ambiente chique e moderno. Camarão “pipoca”, supercrocante, e lula com amendoim e cebolinha foram alguns dos minipratos que compartilhamos. Quase tudo custa mais de 15 euros. É caro, mas memorável. 

Oogst, Haia

Último e melhor restaurante da viagem. É da categoria Bib Gourmand (anterior às estrelas) no Guia Michelin. De novo, aceitamos a proposta de menu surpresa do chef. A comida valoriza ao extremo os ingredientes, modificando-os o mínimo, por um lado; por outro, há espumas, esferas, cremes. Foram cinco pratos deliciosos com verduras frescas, linguado no ponto, aspargos. Três pratos e uma sobremesa custam 28 euros. Reserve.

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