Dennis Fidalgo/Estadão
Dennis Fidalgo/Estadão

Bye, bye, my friends

‘Viajantes como eu só morrem se suas histórias também desaparecerem’

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2018 | 03h00

Well, my dear readers, chega ao fim nosso longo e produtivo relacionamento semanal. Depois de exatas 751 crônicas em quinze anos neste matutino, parece claro que as histórias de um velho viajante e sua raposa de estimação já não são tão necessárias como antes. O mundo das comunicações mudou muito e, my God, o próprio papel que sai das rotativas hoje é mais procurado para auxiliar na higiene de casas que têm pets ou no auxílio à forração dos pintores de automóvel.

Vou sentir a sua falta – e espero que vocês também busquem notícias de Mr. Miles nas mídias digitais. Fico pensando no awful impact que essa noticia terá nos 132 fãs clubes que tenho espalhados pelo País – e prometo visitá-los um a um, para oferecer meu carinho e minhas palestras. 

As colunas, unfortunately, desaparecerão deste caderno. However, seguirei viajando, comentando o que vejo, contando minhas humildes histórias e escrevendo para jornais de mais de cem países que ainda não se renderam à decadência da qualidade de conteúdo.

Continuarei, as well, defendendo a teoria de que este belo planeta, repleto de surpresas geográficas, culturais, históricas e climáticas siga sendo visto como o quintal de cada um de seus habitantes; que visitar, revisitar e sempre com o espírito aberto ao conhecimento, torna infinitas as possibilidades de exploração e reexploração da Terra.

Serei, forever, um inimigo dos burocratas que criam entraves para nossa movimentação, dos nacionalistas sem consciência e, always, dos estultos de todas as espécies. 

Foi peregrinando que aprendi a fazer amigos; assim tornei-me padrinho de três centenas de casamentos, quatro centenas de nascimentos e pelo menos 80 bar mitzvás – e, mesmo depois de torrar a fortuna que herdei (há tanto tempo que já nem é mais verdade), obtive a sorte de continuar peregrinando pelo mundo, para ver, rever ou apenas festejar as pessoas que gosto.

Foi assim também que tornei-me sócio remido de oito programas de milhagem e hoje viajo, sem custos, em quase todas as companhias do mundo.

Os que me leram sabem da paixão que nutri pelas mulheres mais formosas e sedutoras, das viagens que pude desfrutar com cada uma delas e – shame on them! – da maneira que elas me trocaram pela estabilidade de um lar fixo e sólido. 

Tenho a convicção de que lhes contei histórias divertidas, que compartilhei tudo o que pude, que os levei a todos os continentes e mostrei quantos erros se pode cometer para que um acerto se justifique.

Não escondi, em momento algum, minha paixão (e a de minha mascote) por bebidas destiladas de boa qualidade, sobretudo uísques muito envelhecidos e single malts. Chego a pensar, sometimes, se esses meus hábitos, no passado aceitáveis, acabaram por transformar-se em manifestações politicamente incorretas nesse mundo que vive um momento boring e puritano, carente de prazer e alegria.

Consola-me – e espero que a vocês também – que viajantes como eu só morrem se suas histórias também desaparecerem, o que está longe de ocorrer. Tenho uma mala repleta de esboços de crônicas que pretendo publicar em alguma parte aonde quer que haja um leitor curioso, de mente atilada e espírito aberto.

Outra boa noticia que recebi foi o convite para reembarcar no Titanic (em sua nova versão, uma cópia exata, rebatizada como Titanic II e, believe me, desde já ansiada por viajantes que adoram viver “experiências”), que vai repetir sua marcante viagem incompleta entre Southampton e Nova York, iniciada em 14 de abril de 1912 – no dia exato em que se completarem cento e dez anos de sua largada rumo ao naufrágio.

Já pude contar, aqui, que, convidado para a viagem inaugural do primeiro Titanic, tive o infortúnio de chegar atrasado às docas, depois que meu carro encalhou numa charneca em Sussex. 

Nunca me perdoei por ter faltado àquele compromisso, porque sou um cidadão respeitável, que não deixa de cumprir sua agenda. Agora, however, prometo chegar a Southampton dois dias antes do embarque. Será o momento de retomar uma longa história. Unfortunately, very far from you

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM @MRMILESOFICIAL.

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