Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Caburé: doce de um lado, salgada de outro

Além de ser o lugar mais agradável da cidade (especialmente no fim do dia), o deque forrado de restaurantes e bares que margeia o Rio Preguiças, em Barreirinhas, acumula outra função. Todas as manhãs serve de ponto de partida de um passeio obrigatório para quem visita os Lençóis Maranhenses. Dali saem as voadeiras - lanchas de alumínio com motor de popa - que descem rio abaixo com vigor, até o relaxante povoado de Caburé.

BARREIRINHAS, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h16

Como em toda boa jornada, chegar não é a graça - pelo menos não a única. O percurso de 1h30 (cada trecho) revela uma faceta florestal que contrasta poeticamente com os arredores arenosos dos Lençóis. O manto verde que beija as águas formando igarapés retrata uma biodiversidade incrível, com garças e guarás exibindo suas plumas vermelhas acima das águas.

Como o barqueiro costuma navegar mais perto da margem direita, quem ficar deste lado do barco pode conseguir melhores cliques dos pássaros e da vegetação de matizes intensos. Entre lindas palmeiras, como buriti e açaí, o guia diminui a velocidade para contar detalhes sobre as espécies espalhadas entre as margens do Preguiças, que chegam a ter mais de 250 metros de distância.

Primeira parada, a minúscula vila de Vassouras mistura água de coco, artesanato e macacos. Espere - macacos? Pois é. Uma família de macacos-prego vive ali há muitos anos e interagem com os turistas. Interesseiros, claro, estão de olho nas bacias com banana picada, vendidas a R$ 1. Prepare-se para ser escalado como uma árvore e para risadas tão infinitas quanto o apetite dos bichanos.

Em Vassouras começam os Pequenos Lençóis, conjunto de dunas menores que os originais, mas também com lagoas que integram o parque nacional. Os mais dispostos podem contratar um dos moradores para uma caminhada nos arredores e combinar com o barqueiro o horário para voltar.

Neste ponto do trajeto, sempre do lado direito do rio, o barco passa por pequenas vilarejos de quatro ou cinco casas, como Morro do Boi. A foto bucólica e o retrato da simplicidade e da natureza ficam eternizados.

Do alto. Antes do almoço em Caburé, para-se ali por cinco minutos para escolher o prato. São poucos restaurantes ali - a especialidade, é claro, vem do mar, localizado logo do outro lado da duna, a não mais que 200 metros. Uma vez que o número de barcos costuma ser grande na temporada, vale encomendar o rango antes de conhecer a próxima atração.

A voadeira tira o bico da água e, em 15 minutos, alcança a vila de Mandacaru. Logo na chegada, uma barraquinha oferece meia porção de camarões a R$ 12 e caipirinha a R$ 3. Refresca, viu? O vento ameniza o calor úmido na espera para conferir a principal - ou única - atração do lugar. Respire fundo e suba os 160 degraus do Farol Preguiças. A visita é gratuita e a vista lá do topo, a 35 metros de altura, não tem preço.

O estômago ronca e avisa que é hora de voltar a Caburé. O vilarejo fica em uma estreita faixa de areia entre o rio e o mar, que está sendo engolida aos poucos com a subida do nível oceano. Lugar deslumbrante, praticamente uma concentração de restaurantes e pousadas, como a Paturi (pousadadopaturi.com.br). com diárias desde R$ 120 o casal.

Antes de desfrutar do seu peixe ao molho de camarão que o Restaurante Recanto do Mar (R$ 70, para duas pessoas) preparou com esmero, escolha entre um passeio de quadriciclo entre a praia e os Pequenos Lençóis (R$ 80, por uma hora) ou um mergulho no mar, logo ali do lado. Antes de voltar, um mergulho no Rio Preguiças para tirar o sal. / FELIPE MORTARA

 

 

O que trazer

Para usar

A região é famosa pela produção de artesanato feito com a palha da palmeira buriti. Transformada em fios e trançada, vira lindos objetos como bolsas e toalhas de mesa. Destaque para os chapéus - especialmente os femininos

Para devorar

Doces artesanais como bombons de buriti, cupuaçu e bacuri são o forte do Centro do Artesanato de Barreirinhas

 

O que levar

Sem dor

O calor não dá trégua, por isso o kit filtro solar, chapéu (de preferência, que cubra o pescoço) e óculos de sol são básicos, assim como roupas leves e repelente. Uma canga ajuda a proteger do vento

Sem choro

Leve filme plástico de cozinha para envolver sua câmera. A areia é a mais fina que jamais ousou se infiltrar entre os botões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.