Anna Carolina Papp?Estadão
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Caça ao tesouro na África: safáris em Botsuana e no Zimbábue

Entre conflitos e belezas, a natureza se apresenta nua e crua em um safári. Nossa aventura passa por Botsuana e Zimbábue, que oferecem experiências distintas, mas igualmente enriquecedoras

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2019 | 05h00

MAUN - “Olhe, Simba. Tudo isso que o sol toca é o nosso reino.” Sendo uma criança dos anos 1990, ao desbravar a savana africana pela primeira vez era impossível não me lembrar constantemente do filme O Rei Leão – que em julho deste ano ganha nova versão nas telonas. Entre árvores de galhos retorcidos, arbustos e um tapete de gramíneas douradas, que descansam sob um céu com paleta de cores ímpar, há Simbas, Mufasas, Timões, Pumbas e Zazus por toda parte. 

Se aventurar num jipe, numa canoa ou mesmo a pé pelo “reino” é uma eterna caça ao tesouro, que compassadamente alterna picos de adrenalina com momentos de contemplação. É sentir-se pequeno diante da beleza implacável da vida selvagem em sua forma mais crua e genuína.

Fazer um safári é uma experiência incomparável. Embora a África do Sul seja a principal referência no assunto, há outras opções no continente, como em Botsuana e Zimbábue, focos desta reportagem. 

O coração pulsante de Botsuana é o Delta do Okavango, maior delta interno do mundo, que nasce em Angola e corre por uma bacia hídrica no deserto do Kalahari, garantindo a Botsuana uma vida selvagem rica e de dar inveja a seus países vizinhos. É bem provável que você saia de lá cumprindo o check-list de ver os chamados “big five” – leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte –, isso sem contar os bônus: zebras, girafas, cervos, hipopótamos, hienas, suricatos, macacos e outras espécies cujos nomes você aprende (e tenta memorizar) ao longo da jornada.

A marca dos safáris em Botsuana é o turismo de conservação, que alia a experiência de descoberta desse rico ecossistema a práticas de sustentabilidade e defesa do meio ambiente. Ali, a caça é proibida – o que torna o país um lugar propício também para a reinserção de espécies ameaçadas de extinção, como o rinoceronte (leia mais abaixo). Para bancar esse modelo, o país aposta no turismo de extremo luxo, mas ainda assim “raiz”: as hospedagens são, ao mesmo tempo, rústicas e extremamente sofisticadas, caso do Great Plains Conservation, onde nos hospedamos.

O caminho para chegar aos camps é longo. Embarcamos no voo da South African de São Paulo até Johannesburgo, na África do Sul, em um voo de 8h30. De lá, seguimos a Maun, em Botsuana, num trajeto de mais 2h30. Depois, nos aventuramos em um “teco-teco”, operado por uma companhia chamada Mackair. Dá frio na barriga, mas os aviões são seguros e confortáveis.

De Botsuana, pegamos mais um voo até o Zimbábue, rumo a uma vivência diferente pela savana do Zambezi National Park. A vida selvagem pode não ser tão rica quanto em Botsuana, mas está longe de decepcionar, e as hospedagens são menos isoladas. Os safáris, porém, não são a única atração. Além das game drives (os safáris com jipe), o turista pode se encantar com passeios de barco pelo Rio Zambeze, além de conhecer as cataratas de Victoria Falls.

A experiência foi um convite a explorar os sentidos. Das incríveis vistas ao sobrevoar a savana aos rugidos que ecoavam nas tendas à noite. Uma chuva de estímulos, cores, sons, cheiros, sabores e sensações. Como na canção, um ciclo sem fim.

COMO IR

Voo: SP – Maun – SP a partir de R$ 3.130,72 na South African Airways, com escala em Johannesburgo.

Mala: leve roupas leves e confortáveis. Opte por cores neutras e evite peças brilhantes para não chamar a atenção dos animais. Leve uma jaqueta leve para aquele friozinho do início e fim do dia, capa de chuva, roupa de banho e calçados confortáveis. Como a locomoção entre camps é feita em aviões pequenos, não exagere na mala (o peso máximo permitido é de 20 quilos) e prefira as maleáveis. 

Fotos: o celular não tem o zoom que você vai precisar para tirar boas fotos. Invista em uma boa câmera, com lente teleobjetiva. 

Extras: protetor solar e labial, hidratante, colírio e soro para o nariz serão seus amigos contra o clima seco. 

*VIAGEM A CONVITE DE GREAT PLAINS CONSERVATION E DA SOUTH AFRICAN AIRWAYS.

 

 

 

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