Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Caçada fotográfica às 'big' estrelas da savana

Já estávamos há duas movimentadas horas naquele jogo de gato e rato. Com atuações memoráveis ao longo desse tempo, como uma manada de búfalos a se refrescar em um lago temporário. Mas a esperada estrela daquele fim de tarde estava se escondendo, e bem: nada de avistar um leopardo, por mais que nosso 4X4 tivesse encarado trechos bem fechados de mata e outros de areia tão solta que dava a impressão de que estávamos prestes a atolar.

HOEDSPRUIT, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2013 | 02h11

Não era uma busca cega. Shedrik, nosso trekker, que nasceu e viveu toda a vida na área do Kruger Park, vinha apontando pegadas do felino e era atrás delas que o biólogo Rian, ranger (ou guia) do grupo, conduzia o carro. O problema é ambiental: todas as espécies de leopardo estão em perigo de extinção. Estima-se que em toda a África do Sul existam hoje apenas 450 deles.

Graças às habilidades de Shedrik, encontramos nosso leopardo. Uma fêmea com filhote e, por isso, arisca (tanto que foi preciso observar a dupla com binóculo, e as fotos ficaram desfocadas). Até isso o trekker havia previsto quilômetros lá atrás, para completa perplexidade do grupo. Como é possível saber tantos detalhes de antemão? "Vi isso a vida inteira, leio pegadas como vocês leem livros", disse Shedrik. Para ele, garantir que os turistas fiquem cara a cara com os Big Five é um misto de dever profissional e questão de honra.

Aquele era o terceiro game na savana e o leopardo, o único encontro que nos faltava entre os tais Big Five - o quinteto de feras mais difíceis de serem caçadas por humanos, formado ainda por leão, búfalo, rinoceronte e elefante.

A cota de fortes emoções começou ainda antes do primeiro safári, poucos minutos depois de o grupo desembarcar do táxi aéreo em uma pista de terra no meio do nada. Mal o carro se pôs na trilha até o hotel, uma girafa solitária apareceu entre árvores baixas. Foi apenas a primeira de todas as vezes em que a savana me deixou com nó na garganta.

Tão perto. Montados no veículo aberto e prontos para o primeiro game, pouco depois da chegada ao lodge Royal Malewane, ouvimos o guia Rian perguntar "quem vocês querem ver?". E assim ele recebeu a missão de encontrar leões, que cumpriu poucos metros (e minutos) depois. E foram só os primeiros.

Foi ali também que vivemos nosso primeiro susto, quando uma das leoas rosnou, alto e inesperadamente, arrancando dos visitantes gritinhos abafados - que, por sinal, não são nada recomendados.

O outro momento de quase pânico foi imposto por elefantes que cercaram o carro no dia seguinte. Encurralados por eles e pela mata, e devidamente informados por Shedrik de que os bichos não estavam felizes com a nossa presença ("mas não deram sinal de que vão atacar", tentou minimizar o guia), só nos restava tremer. As fotos, contudo, ficaram ótimas.

No último game - foram quatro, em três dias -, ranger e trekker sugeriram procurar mais uma vez um leopardo, para fotos melhores. Apesar de toda a troca de informações via rádio com os vários guias de grupos que circulam por ali, nenhum outro felino cruzou nosso caminho. O pedido de desculpas, no entanto, não era necessário. Depois de ver, além dos Big Five, girafas, gnus, impalas, nialas, zebras, javalis, hipopótamos e várias espécies de aves, não havia ninguém triste ou insatisfeito.

Surgiram também hienas acompanhadas de filhotes muito fofos (foto). "São interessantes e necessárias", comentou Rian. "Foi por culpa do Rei Leão que ficaram com má fama."

Eu disse, lembra? / M.N.

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