Cafés à altura do nome na nova cena parisiense

Há dez anos, o londrino Channa Galhenage se mudou para Paris para trabalhar com recursos humanos. Devoto de um bom café, logo ficou impressionado com a péssima qualidade dos expressos na cidade. "Depois de algum tempo tentando engolir cafés ruins", diz, segurando o nariz e fazendo caretas, decidiu abrir seu próprio negócio.

SETH SHERWOOD / PARIS , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2014 | 02h06

Ano passado, inaugurou o Loustic (40, Rue Chapon ), no 3.º Arrondissement (ou distrito). O espaço reúne uma boa mistura de papéis de parede de 1950, assoalho de madeira e confortáveis sofás. A atmosfera se distancia - e muito - da profusão de azulejos, balcões de zinco, mesas de mármore e cadeiras de treliça de plástico típicos dos cafés parisienses.

Com grãos fornecidos pela Caffènation, famosa torrefação da Antuérpia, Loustic dizimou o "jus de chaussette", a água de lavar pratos francesa, e frequentemente muda seus blends. "Estamos tentando educar nosso público para que ele entenda que cafés são como vinhos. Seu aroma e sabor mudam de acordo com a região do cultivo", diz.

Galhenage é um dos empresários dispostos dar uma sacudida na mesmice dos cafés franceses, adeptos do expresso industrial. Ao longo dos últimos anos, mais de uma dúzia de novos pontos surgiram, conduzidos por jovens e concentrados nos Arrondissements 3.º e 10.º. A maioria sob comando de estrangeiros ou entusiastas franceses, que descobriram o conceito de café indie: interior com design inovador, Wi-Fi e cadeiras confortáveis, que convidam o cliente a passar algumas horas por ali.

O Craft (café-craft.com), inaugurado há dois anos com decoração industrial, concentra diariamente em suas mesas compartilhadas uma nova geração de artistas digitais. "Cinco anos atrás quase não havia cafés especializados em Paris", diz Felipe Perez, diretor e chef. Segundo ele, o proprietário, francês, se inspirou no estilo dos cafés nova-iorquinos.

Excelente café coado e pães feitos no dia são regra nesses lugares. Quase todos eles (Loustic é exceção) compram grãos de empresas francesas, como Café Lomi (cafelomi.com) e Belleville Brûlerie (cafesbelleville.com), também testemunhas do boom local.

Graças a todos esses desenvolvimentos, Paris finalmente está servindo cafés dignos do nome. Este ano, a cidade até sediou uma competição de baristas. A vencedora foi Melodie Knight, do Boot Café (19, Rue du Pont aux Choux), um lugar forrado de azulejos brancos, daqueles típicos de metrô, e revistas de lifestyle.

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