Bruna Tiussu/AE
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Califórnia abaixo de zero

Em Mammoth Lakes, a mais nova candidata a queridinha dos brasileiros, o sol brilha 300 dias por ano, a neve é fofa e abundante e a temporada vai de novembro a junho. Precisa mais?

Bruna Tiussu - O Estado de S.Paulo,

16 Janeiro 2012 | 21h30

A cena inicial parece genérica: esquiadores e snowboarders deslizam pelas pistas com neve igualmente fofa, por onde se espalham gôndolas modernas e, ao redor, uma estrutura hoteleira típica das estações de esqui dos Estados Unidos. Mas ali, passam-se os dias e o sol permanece brilhando no céu azulado, tão firme e forte que encoraja até a abrir mão das jaquetas para se aventurar montanha abaixo apenas de camiseta. Graças a sua localização, Mammoth Lakes se diferencia por sua característica mais californiana, o clima ameno. E a garantia de 300 dias ensolarados por ano.

Tal vantagem fez com que o destino se tornasse a mais nova aposta do American Airlines SkiClub (aaskiclub.com.br), programa de turismo de neve exclusivo para brasileiros. Pacotes montados sob medida para estações norte-americanas são vendidos por operadoras parceiras - em São Paulo, Ski Brasil, Snowtime, Maktour e Interpoint - com redução no preço de passagem, hospedagem e aluguel de carro. Além do recém-lançado cartão de benefícios, que passa a dar desconto em restaurantes, bares e locadoras de equipamentos.

Completando 10 anos de existência este ano, o programa levou 18 mil brasileiros às montanhas do país somente na última temporada. Ao menos parte deste montante é o que Mammoth deseja atrair desde já.

Todos os públicos. É bom deixar claro que o sol a pino da região não impede que haja neve suficiente - e de boa qualidade - para agradar aos mais exigentes esquiadores. No alto de seus 2.400 metros de altitude, a cidade produz uma média anual de 10 metros de neve (no ano passado foram incríveis 17 metros), e mantém uma das mais longas temporadas de inverno, começando em novembro e se estendendo até meados de junho.

A montanha é uma só, mas sua dimensão permite acomodar 150 pistas, que se dividem em níveis ideais para iniciantes, intermediários e experientes nos esportes de inverno. Chegar até elas é fácil: 28 esqui-lifts transportam os visitantes de um lado para outro - para ir até o topo, a 3.369 metros de altitude, suba a bordo da gôndola panorâmica.

A dica é reservar ao menos um dia para o passeio. A linda paisagem que acompanha toda a viagem é multiplicada quando se alcança o alto. A vista composta pela cadeia de montanhas que contorna a área, outros picos nevados e lagos congelados merecem o clique. E, acredite, valem o frio congelante que se sente ao tirar as luvas das mãos para manusear a câmera por alguns minutos.

Para distrair. Depois de um longo dia de manobras na neve, o destino é um só: os bares de après-ski. Uma alternativa é descer do teleférico diretamente para o Hyde Lounge Mammoth, ao pé da montanha, e ali relaxar com os amigos. Ou ainda escolher terminar o dia com um drinque em uma das opções instaladas no The Village.

Principal centrinho da cidade, a área foi desenvolvida há cinco anos e abriga restaurantes, cafés e lojas variadas. Três boas opções de hospedagem, The Village Lodge, Auberge Residences e The Westin Monache Resort, também estão lá. Para quem pretende esticar a noite, há bares animados, todos com aquela atmosfera descontraída que faz lembrar, uma vez mais, que você está sim em terras californianas.

Aliás, taí outra vantagem de Mammoth. Distante cerca de 500 quilômetros de Los Angeles e São Francisco (percorridos em cinco horas de carro), fica fácil combinar a semana na neve com alguns dias em outros destinos descolados, como as principais metrópoles do Estado. Para quem prefere aproveitar ainda mais a natureza da Califórnia, uma das entradas oficiais do Parque Nacional Yosemite está a apenas 50 quilômetros dali. Troque as botas de esqui por confortáveis tênis de trekking e termine a viagem se aventurando em desfiladeiros, gigantescos bosques e cachoeiras.

Na região, lagos e clima de faroeste

Há cerca de 50 lagos na região de Mammoth, um deles de parada obrigatória. Basta dirigir 50 quilômetros ao norte para chegar na cidadezinha de Mono County, onde estão as águas clarinhas e repletas de inusitadas formações calcárias de um dos mais antigos lagos da América do Norte, o Mono Lake – especialistas sugerem que sua formação é de aproximadamente 1 milhão de anos atrás.

Sem saída para o oceano e concentrando cada vez mais os sais minerais oriundos das montanhas que o cercam, ele ficou assim: 2,5 vezes mais salgado e 80 vezes mais alcalino que a água do mar. E com um charme único, graças às brancas torres de tufa, de tamanhos variados, disformes e de beleza incomparável.

Para um passeio perfeito, o ideal é chegar na região de manhãzinha ou no fim da tarde, enquanto o sol nasce ou se esconde atrás das montanhas, refletindo no lago cada uma das torres. Como um impressionante espelho d’água. Se o clima permitir, nadar e curtir um passeio de caiaque são opções.

Longe de ter o glamour do Mono, é possível que o Crystal Lake, ali pertinho, também chame sua atenção. Pequeno, fica completamente congelado durante o inverno. Tanto que moradores da região colocam seus patins e deslizam nele por conta própria – quando estive lá, encontrei um senhor em seus 60 anos que disse repetir o hábito a cada estação fria.

Vale ao menos a experiência de dar alguns passos naquela água congelada (e escorregadia), tão transparente que permite ver detalhes do fundo do lago.

Faroeste. Dirija mais um pouquinho para se deparar com uma paisagem completamente diferente, que mais parece um cenário de filme de western. Com atmosfera desértica, casas, igreja, hotéis, lojas e bares construídos completamente em madeira, Bodie é uma das cidades-fantasmas mais bem preservadas dos Estados Unidos.

Com a mesma rapidez em que foi desenvolvida, durante a corrida do ouro em meados dos anos 1880, foi também abandonada por seus 10 mil habitantes assim que o metal se esgotou das minas da região. Até hoje, após mais de um século sem moradores, boa parte da sua estrutura segue intacta, para sorte dos visitantes.

A entrada custa US$ 7 e são praticamente três ruas a serem exploradas. A maioria das casas mantém seus móveis e utensílios domésticos – há apenas duas que permitem a entrada de turistas. Tudo está meio desgastado, com cortinas e tapetes aos trapos e chão cheio de poeira. E o silêncio absoluto completa o clima de faroeste.

Na vitrine de um armazém, ainda está o velho manequim, garrafas seguem enfileiradas no balcão do bar e até mesmo equipamentos de ginástica permanecem na antiga academia. Uma atmosfera realmente fantasmagórica e repleta de surpresas que vale a pena ser espiada pelas janelas

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