Lisandra Paraguassu/ AE
Lisandra Paraguassu/ AE

Calmos jardins e palácios históricos desaceleram Seul

No país dos outdoors eletrônicos e da internet mais rápida do planeta, é possível encontrar silêncio e tranquilidade nas ruas para pedestres e nos monumentos seculares da capital

Lisandra Paraguassu / SEUL, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h08

No país com a internet mais rápida do mundo, é quase impossível se desligar. Mas essa talvez seja a única razão para não conhecer a capital da Coreia do Sul. Ao mesmo tempo em que as enormes avenidas e a overdose de outdoors eletrônicos não deixam dúvidas de que se está em uma das maiores metrópoles do planeta, as praças, parques e a inesperada atmosfera zen que se encontra ao dobrar uma esquina mostram que Seul ainda guarda um pouco do passado tranquilo.

Para os coreanos, sua capital é confusa e barulhenta ao extremo. Os engarrafamentos que entopem as highways que cruzam a cidade trazem um quê de São Paulo na hora do rush. Mas, basta sair das estradas para perceber que a cidade não é assim tão bagunçada. Ao contrário da maior parte das metrópoles recheadas de arranha-céus, Seul não é barulhenta. Talvez porque seus enormes prédios raramente sejam grudados uns aos outros.

Andar por suas ruas é opção ideal para conhecer a cidade. Apesar de bastante grande - são 11 milhões de habitantes - a capital coreana tem regiões bem definidas. Uma dica é escolher uma delas por dia e usar o metrô para explorá-la, o meio de transporte mais fácil e barato. Entre largas avenidas, você vai se surpreender com ruas só para pedestres, com bancas de frutas, restaurantes e um tanto da vida cotidiana. Também pode, quando menos esperar, chegar a um dos cinco grandes palácios de Seul.

Templos da nobreza. Foi durante a dinastia Joseon, que governou o país por seis séculos, até 1910, quando a península coreana foi dominada pelos japoneses, que os palácios foram construídos, com arquitetura semelhante. Feitos de madeira, possuem diversos prédios que abrigam sala do trono, escritórios, dormitórios e cozinhas. Por baixo do piso, contam com um sistema de aquecimento em que água quente corre por canos - algo ainda usado nas casas coreanas.

Gyeongbokgung é o mais impressionante e antigo deles, erguido no século 14 e destruído na primeira invasão japonesa, no século 16. Foi reconstruído nos anos 1800 e logo perdeu o status de central do governo para o Changdeokgung, ou Palácio do Leste. Mas ainda hoje é considerado o mais importante da dinastia, abrigando no Museu Nacional do Palácio a maior coleção de artefatos dos reis coreanos. Já a fama do Palácio do Leste se deve aos seus jardins, os preferidos dos coreanos. Um passeio por lá realmente dá a impressão de que todos aqueles arranha-céus e painéis eletrônicos não existem.

Em Seul é assim: sempre há um jardim ou parque quando se quer fugir da agitação. Com 40 quilômetros, a margem do rio Han é outra área de lazer, com parquinhos infantis, pista de corrida e aluguel de bicicleta. Vale lembrar que até em locais de descanso quase sempre é possível acessar a internet. Duas operadoras oferecem Wi-Fi por todos os cantos de Seul, na rua, nos cafés, ônibus que vão ao aeroporto e no metrô - 24 horas de acesso não corrido custa cerca de US$ 3.

Compras. Além da quantidade astronômica de shoppings e lojas de departamentos - a Lotte é a mais completa delas - o mercado de Nandaemun é imperdível. Trata-se de um bairro inteiro onde se vende de tudo. Há desde versões exóticas de comida coreana, como insetos fritos, até roupas e bolsas de grifes internacionais - de autenticidade não comprovada. Aberto até a madrugada, Nandaemum é a típica experiência asiática, que exige tempo e sapatos confortáveis. Depois da visita, reponha as energias com chá de ginseng e bolo de arroz. Isso é Seul. Saiba mais   Como ir: o trecho São Paulo–Seul–São Paulo custa a partir de US$ 2.137 na Air China (airchina.com), US$ 2.385 na Qatar Airways (qatarairways.com), US$ 2.447 na Singapore (singaporeair.com) e US$ 2.582 na Emirates (emirates.com). Voos com conexões.

Moeda: é o won sul-coreano. R$ 1 vale 578 wons.

Aeroporto: o Incheon, Aeroporto Internacional de Seul, é considerado o melhor e mais moderno do mundo. Prepare-se para a surpresa: entre o pouso da aeronave, a passagem pela imigração e o resgate das malas gasta-se, no máximo, 25 minutos. E, na Coreia, a recomendação de chegar uma hora antes do voo é mais que suficiente.

Até o centro: o trem expresso AREX conecta o aeroporto ao centro de Seul em cerca de 45 minutos, por 13.800 wons (R$ 24). Outra opção é o ônibus executivo da Korean Air, que pode ser usado por passageiros de qualquer empresa. Custa US$ 15 (R$ 30) e a viagem leva 1h30 até o centro.

Transporte público: para circular na cidade use o metrô, que é limpo, seguro e fácil de decifrar. As estações têm nome em alfabeto ocidental e os tíquetes são comprados em máquinas simples de operar. Paga-se de acordo com a distância a ser percorrida (a própria máquina faz a conta) – basta informar origem e destino. O tíquete custa, em média, US$ 1,50 (R$ 3).

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