Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Mônica Nobrega, Estadão

05 Julho 2016 | 01h06

Quando dizem “pura vida”, os costa-riquenhos pronunciam um erre enrolado, marcado, um pouco como se Mazzaropi falasse espanhol. “Pura vida”, a frase que estampa souvenirs e tem jeito de slogan publicitário, é na verdade um curinga no falar cotidiano do país: serve para cumprimentar, agradecer, concordar, responder positivamente. Quanto ao sotaque, ele reforça no visitante a sensação de que a viagem pela Costa Rica é um passeio no interior.

Pouco mais de metade do território, 51,5%, é recoberto de florestas. Do restante, a agricultura e a pecuária ocupam 37%, e as áreas urbanas ficam apenas com os 11,5% restantes. Um país orgulhosamente selvagem e rural, que investe na imagem de sustentabilidade turística por meio de um programa nacional de certificação, com catálogo de hotéis, restaurantes, agências e passeios já certificados para consulta no site turismo-sostenible.co.cr.

A Universidad de Costa Rica, pública e a maior do país, mantém cursos de Turismo Ecológico e Gestão Ecoturística em quatro unidades.

As cidades abrigam um pouco de patrimônio histórico, alguma gastronomia internacional e eventos de pequeno porte, para até 500 participantes. Na capital, San Jose, estão os hotéis de redes internacionais, que são minoria no perfil de alojamento da Costa Rica. Segundo o ministro do Turismo, Mauricio Ventura, 80% dos meios de hospedagem têm até 40 quartos.

Pensou em hotéis-butique? Não é bem assim, embora alguns até caibam nessa genérica definição. É o caso do Espino Blanco, na região de Turrialba, com lindos bangalôs de madeira e um bar-restaurante que serve a típica comida de Cartago, com ingredientes da região e influência colonial espanhola, aberto também a não hóspedes. Custa US$ 90 o pernoite para dois, e até US$ 20 a refeição. 

Majoritariamente, o que se encontra são pequenos hotéis-fazenda, pousadas, cama&cafés, lodges simples no meio da floresta. Um tipo de viagem para tênis, aventura, imersão rural, comida caseira. Isso mesmo, mochileira. E a preços amigáveis

Zona de impacto. Não é por outro motivo que surfistas gostam tanto da Costa Rica. O jeitão desencanado de harmonia com a natureza têm tudo o ver com o que esses esportistas tanto prezam. O território montanhoso permite ir da praia ao alto de um vulcão – são mais de 100 cones vulcânicos, muitos deles ativos – em poucos quilômetros. As orquídeas somam 1.400 espécies. E tem o canopy, sequência de tirolesas entre árvores que é uma das marcas do ecoturismo costa-riquenho.

A temporada chuvosa vai de maio a novembro; a seca ocupa os outros meses. Mas os muitos microclimas mudam a cara da viagem em um pequeno deslocamento, graças às variações de altitude: do seco para a umidade máxima, do frio de altitude para o calorão na costa. 

São os americanos os turistas que mais veem graça na fartura natural e ausência de frescuras de uma viagem pela Costa Rica: 1 milhão deles foram ao país em 2014, ou 40% dos desembarques internacionais. Europeus somaram 400 mil chegadas. Os estabelecimentos turísticos mostram preços em colón, a moeda local (R$ 1 vale 164 colones) e em dólar (US$ 1 vale 530 colones); mas o pagamento deve ser em colones. 

Brasil, México e Argentina estão na mira da Costa Rica e de seu jeito interiorano na América Central. Para viajantes desprendidos, recomendo.

Saiba mais: como ir à Costa Rica

Aéreo

Entre São Paulo e San Jose, a Copa voa com conexão na Cidade do Panamá, desde US$ 420. Na Avianca/Taca, desde US$ 720, conexão em Bogotá. Valores mínimos pesquisados para setembro, depois das férias nos Estados Unidos

 

Visto

Nâo é exigidos dos turistas brasileiros

Vacina contra febre amarela

É indispensável. A carteirinha internacional é exigida na imigração. A vacina precisa ser tomada no mínimo 10 dias antes da data da viagem. Saiba mais sobre saúde do viajante aqui

'Pura vida'

Acredita-se que o "pura vida" como a expressão multiuso que é atualmente tenha tido origem em um filme mexicano de 1956, cujo título era exatamente a frase – sucesso na época, acabou sendo adotada na fala cotidiana da Costa Rica

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O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 00h56

Com o fim de tarde chegou a neblina. Em dez minutos tinha ficado impossível ver qualquer coisa a mais de 5 metros de distância. O típico bosque nuboso da Costa Rica é uma floresta com muita nebulosidade entre as árvores, por causa da altíssima umidade. Caminhar por aqui é, literalmente, pisar nas nuvens. 

Saiba mais sobre a Costa Rica aqui.

Estamos no alto da Cordilheira de Tilarán, na localidade de Zapotal, a 1.500 metros de altitude no município de Miramar. As estradas até aqui são sinuosas – como boa parte das rodovias costa-riquenhas –, com precipícios e mirantes naturais para ver o horizonte e o mar. 

O lodge Colinas Verdes abriga os hóspedes em cabanas muito simples, a US$ 60 por noite, para dois, com café. Tem piscina e canopy. A falta de aquecimento nos quartos foi um problema à noite, quando a temperatura desceu abaixo dos 10 graus. Um pijama quentinho é item de primeira necessidade. Também não há sinal de celular e Wi-Fi.

Mas os passeios, de US$ 10 a US$ 20 por pessoa, compensam. Colado à reserva biológica Alberto Manuel Brenes, o lodge abriga ou recebe variadas espécies de pássaros. Com um manual de ornitologia em mãos, o guia aponta pardais e quetzales coloridos enquanto conduz o grupo por uma trilha. Mostra espécies de epífitas, plantas características do bosque nuboso que usam as árvores maiores como apoio. É possível pedalar e cavalgar. 

Perto da natureza, no Brasil: um deslumbrante passeio fotográfico pelo Pantanal

No campo. Foi um dia dedicado ao turismo rural. Começou bem cedo na Finca Betty (506-2639-8604), onde se faz desde a ordenha das vacas até o preparo de queijo, devidamente degustado. Caminha-se entre as criações de galinhas e porcos, os canteiros de ervas comestíveis e ornamentais, as hortênsias, a lagoa de tratamento das águas já usadas para evitar poluição, o biodigestor, sistema que transforma excrementos animais em energia limpa na forma de gás. 

Ziguezagueando entre montanhas, durante a tarde vamos a outra vila, Cedral, onde os sitiantes se reuniram para estruturar um tour comunitário com o tema sustentabilidade. 

É uma iniciativa ainda bastante rudimentar, mas com bons momentos. Como não há pacotes estruturados, contratar o passeio demanda entrar em contato com a Câmara de Turismo de Montes de Oro (506-8829-0619; info@turismomontesdeoro.com), que ajuda a arrumar transporte e contatar os produtores rurais para agendamento das visitas. 

O casal Ana Íris e Alex Dias tem função de liderança no lugar. Ela mostra o criadouro de morcegos na finca e opera o gostoso restaurante onde são servidos pratos com gallo pinto, carne a escolher entre boi, frango, porco e pescado, banana com queijo e salada, tudo caseiro e, dizem, orgânico. Ele apresenta o projeto de certificação da agricultura orgânica que coordena junto com os governos da província e do país. Visitas e almoço custam de US$ 15 a US$ 20 por pessoa (aadp0860@hotmail.com).

Para o café, vamos à finca El Bueyerito, que processa grãos plantados por 50 sitiantes em terras que ficam acima de 1 mil metros de altitude, condição para que, na Costa Rica, o café seja classificado como gourmet. Na última propriedade visitada no dia, os turistas são convidados a operar o arado manual, enquanto um enorme tacho cozinha caldo de cana para fazer o miel de caña, o melado. Do panelão sai também uma mistura de melado, leite em pó e amendoim. Pode chamar de sobremesa. 

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O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 00h54

Aos pés do Parque Nacional Tapantí, o Vale do Orosí, na província de Cartago, tem o formato de um anfiteatro, com vilazinhas urbanas acomodadas no que seriam as arquibancadas. Graças a essa topografia, aqui não existe vista sem graça. Só em Ujarrás são dois mirantes bem estruturados, com parquinho infantil e quiosques para piquenique. 

Algumas hospedagens também fazem esse papel de camarote. O lodge El Salto está de frente para a cachoeira de mesmo nome, com 200 metros de altura, que também pode ser vista desde a rodovia desativada – culpa de um deslizamento de terra – onde está o portão da hospedagem. Moradores e visitantes usam a rodovia para correr e caminhar. A diária no lodge começa em US$ 57 para dois, com café.

Em outro terreno contíguo à estrada desativada e que se estende encosta acima, o Riconcito Verde é um cama&café dos mais charmosos. Os proprietários vivem ali. Recebem hóspedes literalmente em casa, em quartos espaçosos com duas camas de casal e minicozinha, e estrategicamente servem o café da manhã (incluído) na varanda (desde US$ 53 para dois). 

Ujarrás guarda as ruínas da igreja mais antiga da Costa Rica, construída entre 1575 e 1580 e consagrada a Nossa Senhora Imaculada Conceição, por causa de uma imagem da Virgem que teria sido encontrada naquele ponto. Cercadas por um jardim bem cuidado, as ruínas fazem parte de um complexo usado pelos moradores para o churrasco de domingo. 

Junto com outras três cidadezinhas, Paraíso, Cachí e Orosi, Ujarrás integra a Rota da Água, criada pelos pequenos empreendedores do turismo da região para promover em conjunto seus atrativos naturais, históricos e culturais. Ao longo da planície do Río Orosí e pelas montanhas das cercanias é possível fazer caminhadas, pedalar, cavalgar, tomar banho de cachoeira e de rio. As hospedagens indicam passeios e, na margem do Lago Cachí, há um parque de aventuras, o Charrarra, com ingressos a US$ 8,50. Atividades são pagas à parte: US$ 6 pelo passeio de barco, US$ 10 pelo aluguel do caiaque, US$ 23 pelo combo barco mais almoço. 

Conservação. As áreas de conservação da Costa Rica estão reunidas em dez grandes conjuntos (veja em sinac.go.cr). O parque Tapantí integra o grupo La Amistad Pacífico, com altitudes entre 700 e 3.400 metros, lar de 45 espécies de mamíferos e uma das zonas mais chuvosas do mundo, com 7 mil milímetros por ano que dão origem a mais de 150 rios. Enquanto eu percorria a mais fácil entre as quatro trilhas do parque, com 1,2 quilômetro de extensão, despencou um toró que a capa de chuva não foi capaz de barrar. 

Quer mais dicas para ir à Costa Rica? 

O vulcão mais alto da Costa Rica fica na província de Cartago. Irazú tem 3.432 metros de altitude e uma infraestrutura que permite subir de carro até quase a boca da cratera principal – que tem 1.050 metros de diâmetro e 300 de profundidade. 

Durante a vertiginosa subida pela encosta do cone vulcânico, a cidade de Cartago vai ficando lá embaixo e o carro entra pelas nuvens para, então, ultrapassá-las. Mais uma paisagem característica dessa Costa Rica rural e dada à contemplação. 

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O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 00h52

Costa-riquenhos comem como brasileiros. Gostam de quantidade e colocam tudo, salada, carne e acompanhamentos, num prato só. E ainda banana, frita ou grelhada. Mas, ainda que os ingredientes sejam familiares, o tempero é bem diferente. 

A fartura se repete dos restaurantes populares, conhecidos como sodas, e que estão para o trabalhador da Costa Rica como o self-service está para o do Brasil, aos mais chiques da capital San José. No bom asiático Tin Jo, pedi um curry tailandês de berinjela com cogumelos (7 mil colones, R$ 41) individual que facilmente serviria dois.

Turismo rural, praia, desova de tartarugas marinhas: a natureza é o cenro das atenções na Costa Rica

Arroz com feijão também é comida de todo dia na Costa Rica. O gallo pinto, preparo que mistura os dois ingredientes, é servido no café da manhã, no almoço e no jantar. A banana, picada e temperada com sal, recheia tortilhas, ou ganha uma fatia de queijo grelhado por cima. 

O queijo, aliás, se destaca na alimentação do país, que tem na criação de gado leiteiro uma importante atividade econômica. O queso Turrialba, branco e suave, produzido artesanalmente na província de Cartago, é uma Denominação de Origem que atesta o sabor e garante o terroir do produto. As hospedagens na cidade indicam tours para acompanhar o feitio dos queijos e até colocar a mão na massa.

Há fartura de legumes e frutas. Abacate é vendido em carrinhos de mão nas ruas. Cas, uma fruta similar à goiaba branca, dá um drinque ótimo, com hortelã, licor e mel de cana (ou melado) – este, mais comum que o mel de abelha, usado para adoçar de tudo e como cobertura do prestiño, um disco de massa crocante de milho, servido no café da manhã e como sobremesa. 

E, seja lá qual for a refeição, ela termina com café costa-riquenho, preparado bem ralo, como gostam os americanos. 

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O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 00h50

A costa do Pacífico... 

Equivale a 75% do litoral do país, de 1,2 mil km totais. É a mais recortada, abriga as praias mais concorridas, os resorts vips (como o Marriott, na Herradura, e o Four Seasons, na Baía do Papagaio), e tem as melhores ondas para o surfe em praias como Hermosa e Jacó, a 2 horas da capital. Pouco ao sul, no Parque Nacional Manuel Antonio, estão as praias consideradas mais bonitas do país.

... e a do Caribe 

O lado caribenho do litoral da Costa Rica fica todo na província de Limón. As praias têm quilômetros de extensão e alternam areias brancas e negras, consequência da atividade vulcânica intensa no país. Ao sul, já perto da fronteira com o Panamá, dentro do Parque Nacional Cahuita está a Playa Blanca, que costuma ser citada como o principal destaque dessa parte do litoral.

Canopy

Pela topografia montanhosa e a abundância de florestas, a brincadeira de deslizar entre árvores pendurado em tirolesas é mania na Costa Rica. Com dez cabos, um deles instalado a 200 metros de altura e outro com 750 metros de comprimento, o canopy no parque Rincón de la Vieja, na província de Guanacaste, no norte, é um dos mais radicais.

Desova das tartarugas

O Parque Nacional Tortuguero, no litoral caribenho, é um dos principais pontos de desova de tartarugas no mundo - a alta temporada é de julho a outubro. Este ano, começa oficialmente no dia 11.

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