Caminhos de Lampião

De Paulo Afonso à foz do São Francisco

Vitor Tavares, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 04h59

É incompleto falar do interior do Nordeste sem falar do Rio São Francisco. Parte essencial da economia de toda a região e tema de inúmeras canções do forró e da poesia popular, o “mar sertanejo” guarda alguns cantos especiais em seu curso. Um dos mais famosos é a região do Cânion do Xingó, em Sergipe, que vai além dos mergulhos nas belas formações rochosas encravadas nas águas esverdeadas. 

O roteiro pode começar em Paulo Afonso, no sertão baiano, um destaque no turismo de aventura e com voos diretos que ligam a cidade a Salvador – desde R$ 140 por trecho com a Azul

A Serra do Umbuzeiro, no povoado do Riacho, a 20 quilômetros do centro de Paulo Afonso pela BR-110, é a chance de entrar em contato com a vegetação típica do semiárido nordestino. Ali perto, o parque do Raso da Catarina guarda o cânion seco da chamada Baixa do Chico, com flora de xique-xiques, mandacarus e coroas-de-frade. Ver as formações rochosas exige a presença de um guia local previamente agendado. Durante o dia, a temperatura pode chegar a 40 graus.

Pela BA-210 e a SE-230 chega-se a Canindé de São Francisco, no Estado de Sergipe, famosa pelo Cânion do Xingó. Passeios de escuna e catamarã para navegar pelas águas verdes e nadar, claro, custam cerca de R$ 90 por pessoa. Do outro lado da margem do Rio Piranhas, já em Alagoas, a cidade de Piranhas é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e ponto de partida para a rota do cangaço. A trilha que segue até a Grota do Angico refaz o caminho de perseguição dos militares ao bando de Lampião, que culminou com a morte de grande parte do grupo.

Indo em direção a Aracaju, o Parque Nacional da Serra da Itabaiana reúne mata atlântica e caatinga, além do Parque dos Falcões (entrada a R$ 25), local autorizado para a criação de aves de rapina. Aracaju está perto; é lá que você deve se hospedar.

Se preferir continuar pelo curso do Rio São Francisco, siga a Penedo, em Alagoas. A cidade histórica, no caminho para Maceió, é uma das mais bem preservadas do interior nordestino. O clima é de autenticidade: tem orla de rio, bares ao ar livre, forró à luz da lua. Da cidade vizinha de Piaçabuçu saem passeios em direção ao encontro do Velho Chico com o Atlântico, entre Alagoas e Sergipe. A descida tem extensão de 13 quilômetros até as emblemáticas dunas que marcam os últimos passos do rio. Com a Farol da Foz, de barco típico, lancha rápida e até parasail, preços começam em R$ 60 por pessoa.

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