Nathalia Molina/Como Viaja
Nathalia Molina/Como Viaja

Campos do Jordão sem aglomeração, com atividades ao ar livre

Cidade na Serra da Mantiqueira pode ser aproveitada longe do agito das ruas do Capivari; ao redor, circuitos esbanjam paz e natureza

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

03 de setembro de 2021 | 05h00

“Um mar de montanhas. Imagina uma, depois outra; várias até o fundo. Quando nós voltarmos a viajar, vamos ver o mar de montanhas ao vivo.” A descrição usada por mim para ajudar meu filho, Joaquim, a relaxar antes de dormir na quarentena e o acordo para um futuro desconfinamento após a vacinação dos pais apontavam um destino: a serra.

Após mais de um ano e meio isolados no apartamento, decidimos fazer a primeira viagem na pandemia. A intenção era relaxar na natureza. Na nossa cromoterapia particular, só cabiam verde e azul, em tons de vegetação e céu. Sem aglomerar, queríamos um lugar com algum movimento e atividades que deixassem a família toda feliz.

A 175 km da capital, Campos do Jordão tem fácil acesso de carro e várias novidades de 2020 para cá. Queríamos descobrir onde se escondia aquele lugar de ar puro que tinha virado sinônimo de muita gente amontoada no Capivari. Ele é mais difícil de ser encontrado em feriados ou férias. Mas pode ser visto sem problemas no contrafluxo (fomos durante a semana) ou em períodos de meia-estação (caso de abril ou outubro).

Para evitar filas, fuja de atrações turísticas no sábado – é o dia mais lotado. Prefira um piquenique, uma trilha, um passeio de bike ou uma atividade no hotel. Descobrimos que há um destino delicioso para ser degustado pelas beiradas, nas montanhas do município mais alto do País, a 1.628 metros de altitude.

Bairro dos Mellos, entre natureza e produtos locais

Começamos pelo Bairro dos Mellos, colado a Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí. Nesse lindo entroncamento se instalou o Botanique, que em fevereiro virou o primeiro Six Senses das Américas – diárias com café a partir de R$ 2.277 para dois. Para incorporar a filosofia da marca, que traz bem-estar e sustentabilidade na essência bem antes da covid, o cardápio do restaurante Mina teve mudanças e experiências foram lançadas.

A proposta de ser um alquimista usando ervas do jardim e ingredientes macerados no pilão faz do Alchemy Bar (cortesia às 11h; demais a R$ 75 por quarto) uma prazerosa brincadeira de adulto, para obter o próprio hidratante ou esfoliante natural. Mais do que estética, é botânica, é história, é cultura. Na sequência, a fórmula pode ser aplicada em tratamentos corporais do spa. Desde 16 de agosto, o spa recebe o público externo, de segunda a sexta, das 11 às 15 horas – The Alchemist Journey, a R$ 915, dura duas horas e meia e inclui o preparo do cosmético e, depois, flutuário, esfoliação e massagem holística.

Foraging (ir à mata para colher insumos com o chef) e visitas à gelateria Eisland e à fábrica da cerveja Araukarien são alguns dos passeios pagos à parte – e que você pode fazer por conta própria, mesmo sem estar hospedado no hotel. Arrumado sob o jatobá-mirim do hotel, o piquenique (R$ 550 para o casal) é programa para se perder no tempo, enquanto degusta frios e beberica espumante.

Piquenique, aliás, é uma ótima moda atual. Combina com atividade ao ar livre, indicada na pandemia, e pode ser organizado por conta própria em parques ou no Museu Felícia Leirner, no Alto Boa Vista, outra região indicada para quem busca tranquilidade. As 85 esculturas estão expostas no jardim, dividido com o Auditório Claudio Santoro, sede do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

A área de 35 mil m² fica pertinho do Palácio Boa Vista, residência de inverno do governador de São Paulo. O Empório dos Mellos, perto do Botanique, serve para encher a cestinha de guloseimas regionais, como biscoitos de amêndoas Das Senhoritas, queijo de cabra com cacau do Capril do Bosque e geleia de framboesa do próprio empório. Numa mesinha externa, aprecie a truta com castanhas e nhoque de banana (R$ 75), diante do verde e de crianças locais pedalando pelas ruas. Slow food, do campo à mesa, como propõe o lugar. Piquenique com degustação em parreirais e olivais estão num roteiro da LET Mantiqueira, agência que também faz roteiros personalizados na região. Ao preço individual de R$ 390 (grupos de até três pessoas), o tour inclui transporte em carro 4x4 e leva à vinícola Villa Santa Maria e ao Azeite Sabiá.

Horto Florestal com tirolesa e mountain bike

No extremo oposto da cidade, as trilhas do Horto Florestal, como é chamado o Parque Estadual de Campos do Jordão, podem ser feitas a pé ou de mountain bike (1h, R$ 40), alugada na Zoom Aventura. Circuitos de arvorismo (35 min, R$ 60) e de tirolesa (1h30; R$ 80) atraem adeptos de adrenalina no verde. Um deles, meu filho de 12 anos teve coragem de deslizar a 60 metros sobre o vale.

Talvez tenha tido mais frio na barriga (e eu também) na subida do teleférico do Parque Capivari, um clássico que experimentamos sem muvuca, assim como o pedalinho em formato de caravela. Primeiro no Brasil movido a cabos com cadeirinhas, o teleférico aberto em 1970 está em suas últimas saídas – será substituído por outro, com cápsulas fechadas, ainda sem data de inauguração.

Fomos checar como se tinha filas no parque – combos de dois brinquedos a partir de R$ 50 por pessoa. Terça e quarta são os dias menos movimentados em Campos em geral, mas passamos uma tarde de quinta tranquila, com a roda-gigante girando só para nós, mãe e filho. Já as ruas do Capivari, onde casinhas alpinas abrigam lojas, bares e restaurantes, tinham muita gente, mesmo de dia. Voltamos para o hotel.

Alto Lajeado: jardins, lazer, mirantes e cerveja

Com tarifas desde R$ 940 para duas pessoas com café, o Toriba integra o Alto Lajeado, circuito que pode ser visitado sem nem pôr os pés no centrinho turístico. Reúne atrativos como o centro de lazer Tarundu (R$ 45 de entrada e cerca de 30 atividades pagas à parte), o Amantikir (R$ 60; quase 30 jardins diferentes) e o Parque da Cerveja (R$ 45; espaço com visita à fábrica da marca Campos do Jordão a R$ 55 e o restaurante Alto da Brasa, especializado em grelhados).

Fundado em 1943, o tradicional Toriba vem investindo em experiências, com semanas temáticas (entre elas, oficina de jardinagem e fotografia de natureza) e passeios do Aventoriba (observação de aves é o mais novo). O hotel acaba de lançar duas suítes envidraçadas, isoladas entre árvores, chamadas de ninhos (tarifas com café a partir de R$ 2.160 para dois). Os hóspedes podem aproveitar ainda 18 km de trilhas e uma ponte pênsil no Sítio Siriúba, em frente ao hotel. Na volta da caminhada, é só atravessar a rua e parar antes diante da serra.

Mirantes sobram em Campos. Em março deste ano, o Parque da Cerveja abriu o seu (ingresso desde R$ 78), com uma plataforma que avança em direção ao horizonte. Panorama das montanhas escancarado como esse só tivemos no pôr do sol num piquenique após a trilha de uma hora e meia do Aventoriba (R$ 280 por adulto). Num platô, acima de araucárias, vimos a lua saudar o fim do dia e voltamos para casa banhados de Mantiqueira.

Cuidado extra na viagem

Máscaras: Tenha para trocar. Quando molhada, a proteção diminui. Prefira a PFF2 ou N95. Com calor e em atividades físicas, a máscara de tecido pode ficar úmida logo.

Álcool em gel: Leve seu recipiente. Nem todo lugar oferece.

Hospedagem: Prefira suítes isoladas, quando possível, caso de chalés fora do prédio central.

Café da manhã: Tome num espaço ao ar livre, com mesas distantes, ou peça no quarto.

Arrumação: Deixe o “Não perturbe” na porta para evitar limpeza diária. Isso diminui a circulação de pessoas no quarto. O contágio na covid se dá principalmente pelo ar, não por superfície.

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