Mike Crane/Tourism Whistler
A rodovia Sea to Sky Highway (algo como Rodovia do Mar ao Céu) conecta Vancouver, à beira do Oceano Pacífico, a Whistler, no alto das Montanhas Costeiras, no Canadá Mike Crane/Tourism Whistler

Canadá no inverno: veja o que fazer em Vancouver e Whistler

Queridinha dos brasileiros, Vancouver é repleta de atividades ao ar livre; de lá, uma estrada cênica leva aos mais famoso destino de esqui do país

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 07h00

No litoral, o horizonte é a linha onde o mar encontra o céu. Um degradê de azuis transforma líquido em ar. Quanto tempo leva a alquimia? Na visão relaxante a partir da praia, o movimento dos olhos. No oeste do Canadá, uma hora e meia. De nome tão bonito quanto o percurso, a Sea to Sky Highway (algo como Rodovia do Mar ao Céu) conecta Vancouver, à beira do Oceano Pacífico, a Whistler, no alto das Montanhas Costeiras.

Num desenho nem sempre reto, o trajeto desafia a lógica da menor distância entre dois pontos. Considerada uma das mais cênicas estradas do Canadá, a Sea to Sky Highway é um percurso curto, mas contraria quem tem pressa de chegar. Curvas dão o contorno ao longo do caminho, até a inclinação alcançar o mais famoso destino de esportes de neve do país, a vila de Whistler, a 675 metros de altitude.

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O deslocamento dentro da província de British Columbia risca no mapa aproximadamente 120 quilômetros da rodovia BC-99, nome da estrada com 400 quilômetros de extensão aproximada. O pedaço de Horseshoe Bay (bairro no distrito de West Vancouver) a Pemberton (cidadezinha 30 quilômetros acima de Whistler) é chamado de Sea to Sky Highway.

Clima e sustentabilidade

No Canadá, a época do ano muda completamente o cenário — e a experiência. Durante a temporada de calor, azuis se intercalam na Sea to Sky Highway. Quando esfria, os tons desbotam ao redor. De outubro a março, o cinza da chuva pinta Vancouver com maior frequência e convoca a assistir a um jogo dos Canucks no auge da temporada de hóquei, o esporte nacional, e a aproveitar o maior festival de gastronomia e bebida do Canadá, o Dine Out, entre janeiro e fevereiro.

Mas outro tom dita tendência na cidade, considerada a melhor das Américas para se viver e terceira do ranking mundial, segundo levantamento de 2019 da consultoria Mercer. Vancouver, onde o Greenpeace foi fundado em 1971, põe em prática um plano de sustentabilidade desde 2015, com o objetivo de se tornar a cidade mais verde do mundo ainda neste ano.

Desde 2005, a vila de Whistler promove ações para ser mais sustentável também até 2020, pensando não apenas no ambiente natural, mas no fortalecimento da comunidade local para ser verde e economicamente viável. Sua estação, Whistler Blackcomb, sob o comando da americana Vail Resorts desde 2016, acaba de lançar um programa para zerar a emissão de carbono até 2030. Tem novidade nos meios de elevação por lá: um investimento de 66 milhões de dólares canadenses foi feito para agilizar a chegada até o topo das pistas.

Esqui nas montanhas

Nas montanhas — tanto as da estação Whistler Blackcomb quanto as que cercam Vancouver —, a paleta de inverno abraça o branco da diversão. É o chamado para esquiar, deslizar de boia ou snowboard, patinar no gelo e caminhar com sapatos de neve. Tudo isso pode ser feito a menos de meia hora de Vancouver, no alto de Grouse Mountain, localizada em North Vancouver, ao lado da Capilano Suspension Bridge, ponte suspensa dentro do parque de mesmo nome, com status de cartão-postal.

Um roteiro com Vancouver e Whistler traduz o melhor de um estilo de vida. A harmonia entre cidades e natureza, a valorização do regional à mesa e no copo, o resgate da história de povos ancestrais, o apreço pela arte, a busca pelo bem-estar, o convívio corrente com a mudança das estações. No extremo oeste do Canadá, essa viagem por British Columbia traça a linha que separa — ou, de fato, une — o céu e o mar.

COMO IR

Aéreo: a AirCanada tem voos diretos entre São Paulo e Toronto ou Montreal – é preciso fazer conexão em uma dessas cidades para ir a Vancouver. Custa a partir de 950 dólares canadenses (aproximadamente R$ 3 mil). 

 

Terrestre: é possível ir direto do aeroporto ou da cidade de Vancouver para Whistler em vans e ônibus. O site da estação Whistler Blackomb lista uma série de opções em diversas faixas de preços.

 

Sites úteis: tourismvancouver.com; whistler.com.

 

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Conheça Vancouver, a queridinha dos brasileiros

O clima ameno de Vancouver (para os padrões canadenses) estimula as atividades ao ar livre, mesmo no frio. Mas há mais formas de curtir a cidade

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 06h50

Vancouver é uma cidade vibrante, em que as atrações ao ar livre se destacam o ano inteiro - mesmo no inverno. Afinal, para os padrões canadenses, a cidade apresenta clima ameno: raramente neva e as temperaturas ficam entre 0°C e 5°C na estação mais fria do ano. Na beira do Pacífico, Vancouver também recebe diversos navios de cruzeiros que seguem para o Alasca. Veja as principais atrações da cidade.

Stanley Park

O movimento hipnótico das águas-vivas no Vancouver Aquarium, com sua vibrante sucessão de tons laranjas, reflete a imagem da maior cidade de British Columbia: bela e zen. Sustentabilidade, ioga, alimentação orgânica, bicicleta, bebida regional e spa são expressões comuns na rotina em Vancouver.

Atividade frequente é caminhar ou andar de bicicleta no Stanley Park, maior parque da América do Norte, de aproximadamente 4 quilômetros quadrados de área. O aquário, com 30 exibições e 50 mil animais marinhos, é um dos principais atrativos do Stanley Park. Há contemplação e também interatividade guiada pelos profissionais do Vancouver Aquarium, com toque em pepinos-do-mar, estrelas, ouriços e arraias (alguns ocorrem apenas nos fins de semana).

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Um dos melhores programas ao ar livre no Stanley Park é apenas apreciar o skyline de Vancouver naquela quietude. O desenho da silhueta adiante risca no ar os prédios de Downtown, o teto pontudo do Canada Place e a forma de disco voador da Lookout, torre de Vancouver que apresenta a cidade em 360 graus e possui um restaurante giratório.

Alugar uma bicicleta é uma deliciosa maneira de passear pela área verde; existem lojas e estações de aluguel de bike ali perto. Vancouver também conta com um sistema de compartilhamento de bicicletas, o Mobi, com estações espalhadas por toda cidade.

No paredão de 10 quilômetros de extensão que envolve o parque, pessoas caminham, patinam e pedalam. Ao longo do trajeto circular, mirantes mostram as montanhas nevadas do entorno.

Mesmo com tempo ruim, as pessoas seguem no pedal. Chove em Vancouver, um pouco mais no inverno. Os moradores saem de casa de qualquer jeito, numa manifestação prática do dito popular brasileiro: chova ou faça sol. Pode até nevar em Vancouver. Embora seja raro, com as mudanças climáticas, o desequilíbrio pode contrariar a normalidade. Esperado é que chova e a temperatura se mantenha entre 0 e 5 graus positivos no inverno.

Os conhecidos totens do Stanley Park ficam logo na entrada do parque, na direção oposta à água. Muita gente vai até lá para tirar fotos por ser um dos pontos turísticos de Vancouver. Para você entender o que está registrando, o parque permanece como um lugar importante para os descendentes dos três povos nativos predominantes no território ocupado atualmente pela maior cidade de British Columbia: musqueam, squamish e tsleil-waututh.

Ponte pênsil

Totens de outros povos são vistos também no parque em volta da Capilano Suspension Bridge. Com 137 metros de extensão e suspensa sobre o penhasco a uma altura de 70 metros, a ponte, na verdade, fica na vizinha cidade de North Vancouver.

No Capilano Suspension Bridge Park, há ainda o Cliffwalk (plataforma de vidro sobre o rio) e um posto dos correios do início do século 20, atualmente uma loja de souvenir, com itens interessantes para trazer de lembrança da viagem. A ponte suspensa foi construída três anos depois da fundação de Vancouver, datada de 1886.

Chinatown

Maior Chinatown do Canadá, o bairro oriental de Vancouver foi fundado no fim do século 19. Ao lado de lojas e restaurantes como o contemporâneo Sai Woo, estão os pavilhões do Dr. Sun Yat-Sen Classical Chinese Garden. Entre as atividades, o jardim chinês oferece a cerimônia do chá, a experiência cantonesa com dim sum e o tour histórico por Chinatown.

Aproximadamente 603 mil pessoas moram em Vancouver — considerando a região metropolitana, o total de habitantes quase alcança 2,5 milhões. Quase metade da população (47%) é descendente de asiáticos, sendo 29% de chineses. Dos 196 idiomas falados, predominam, ao lado do inglês e do francês (línguas oficiais do Canadá), o mandarim e o cantonês.

Com tudo isso, natural que a província de British Columbia tenha sido apontada pelo jornal The New York Times como o melhor lugar para experimentar a cozinha asiática na América do Norte. Sobram restaurantes orientais em Vancouver. Mais do que um sushi bar, o Tojo’s é uma experiência de gastronomia oriental — o chef japonês Hidekazu Tojo, na cidade canadense desde 1971, alega ser o criador do sushi Califórnia.

O cachorro-quente original de Vancouver pode ser provado no Japadog, com combinações inspiradas em comida japonesa, temperadas com maionese de missô ou wasabi. Além das barraquinhas nas esquinas da cidade, a empresa tem uma loja desde 2010 na Robson Street. Na mesma rua, fica o Ramen Danbo, onde geralmente há fila no jantar para provar a especialidade da casa: o lámen. 

Tendência e gastronomia

A Robson Street é a rua de compras de Vancouver, com marcas internacionais e butiques. Nas proximidades, também se encontra o Pacific Centre, shopping com lojas como Nordstorm e Holt Renfrew, entre outras. Convenientemente localizada no meio da rua de compras de Vancouver, a Robson Square ganha um rinque de patinação durante o inverno; segue na praça até 29 de fevereiro de 2020. 

Uma caminhada pela Water Street mostra a charmosa arquitetura de Gastown, lugar de tendências, não só na gastronomia, mas também na moda e nas artes. Em meio à fumaça do relógio a vapor, que apita a cada 15 minutos, o olhar esfumaça as casas vitorianas e os postes de lamparina retrô ao fundo.

Em Vancouver se leva a sério a ideia de comer e beber o que é local. Uma forma de experimentar o resultado à mesa é fazer um tour gastronômico por essa vizinhança descolada. Durante três horas, o guia da Vancouver Food Tours para em quatro restaurantes de Gastown. Beliscos e bebidas estão incluídos, tudo harmonizado com drinques, vinhos e cervejas da província - custa 110 dólares canadenses (R$ 340) por pessoa. 

Outro lugar para experimentar a culinária farm-to-table é o restaurante TUC Craft Kitchen, também em Gastown. Serve brunch, assim como o delicioso L’Abbatoir, restaurante no mesmo bairro histórico.

Bebidas locais

Vancouver tem cerca de 45 microcervejarias, muitas com menos de cinco anos. Para uma boa amostragem, o lugar a ir é East Vancouver, ou Yeast Van, o bairro das cervejarias artesanais – entre elas, a Parallel 49. Em North Vancouver, cidade do outro lado da baía, a Wildeye Brewing abriu neste ano, com variações como a oatmeal chocolate chip stout, fabricada com creme de aveia e flocos de chocolate amargo. No après-ski de Whistler, dá para conhecer a produção regional no Beacon Pub and Eatery.

Para os fãs de vinhos, o Okanagan Valley é a principal região produtora de British Columbia, com cerca de 180 vinícolas. Para provar alguns dos rótulos em Vancouver, o Forage vende vinhos por taça (a partir de 7 dólares canadenses ou R$ 21). Para acompanhar, há pratos inusitados, como o carpaccio de bisão (19 dólares ou R$ 60). 

Granville Island

O mercado público de Granville Island é um bom pretexto para embarcar em um Aquabus para ir até a outra margem de False Creek. Mas, se seu estilo de viagem inclui experimentar sabores, faça o passeio gastronômico de duas horas organizado pela Vancouver Foodie Tours.

Começa na parte externa, no Edible Canada, bistrô-mercearia indicado tanto para um brunch ou almoço regional quanto para trazer temperos e ingredientes orgânicos para casa. Dentro do mercado, o tour leva a provar delícias como queijos de British Columbia e donuts feitos na hora, nos Lee’s Honey Dipped Donuts. Custa 65 dólares canadenses (R$ 200) por pessoa.

Entretanto, além de boa comida, há mais para ver na península — tem nome de ilha, mas está conectada ao continente. Saindo do mercado, caminhe pelas ruas próximas para explorar a atmosfera de Granville Island. Distrito industrial no início do século 20, atualmente reúne 240 estabelecimentos dedicados a arte, cultura, educação e comércio. Lojas descoladas se concentram em Railspur District, onde a Circle Craft vende artesanato diretamente dos artistas; a Taraxca Jewellery, bonitas joias de prata; e a The Hat Shop, irreverentes e clássicos chapéus.

Aventura

Para um voo virtual, embarque no FlyOver Canada, simulador 4D que leva os visitantes a sobrevoar regiões e pontos turísticos canadenses. Agrada especialmente famílias com crianças, e custa 28 dólares canadenses (R$ 86) por pessoa, comprando pelo site. Fica em Coal Harbour, no Canada Place, centro de convenções onde as festas do Dia do Canadá (1º de julho) e de Réveillon são realizadas na cidade. 

 

 

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Para curtir a neve em Vancouver, vá a Grouse Mountain

Gôndola sai direto da cidade para as montanhas nevadas, onde esqui, snowboard e outros esportes de inverno aguardam os visitantes

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 06h50

Como numa sessão de ioga, Grouse Mountain eleva o encontro do mar com o céu à visão do horizonte. Em minutos, a gôndola Skyride sai da Vancouver invernal rumo a um mundo nevado. Depois da maravilhosa vista da cidade se afastando devagar, enquanto o Pacífico e as Ilhas do Golfo surgem ao fundo, um bosque de pinheiros e um terreno esquiável de 212 acres recebem o visitante.

Quem quiser se divertir no gelo, praticando esqui, snowboard, tirolesa, snowshoeing (caminhada com raquetes) ou patinação, encontra equipamentos para alugar. Grouse Mountain, no entanto, supera a imagem de destino de esportes de montanha. A 1,2 mil metros de altitude, a estrutura inclui restaurante, café e lanchonetes. O cenário no inverno é tão bonito que compensa ir até lá mesmo que você não queira experimentar fazer nenhuma das modalidades.

Quando está nevando, o rinque de patinação ganha um ar esfumaçado, e a atmosfera fica toda turva de brancura, como numa visão surreal. É lindo, ainda mais porque a pista faz parte da paisagem. Não foi montada ali, como costumam ser os rinques em cidades. Outra atividade muito divertida em Grouse Mountain é escorregar no gelo. Durante o trecho curtinho, a descida sobre a almofadinha não chega a atingir uma velocidade grande. É gostosa a sensação de se sentir na natureza, brincando como criança ao ar livre.

Inesperado, no entanto, é se ver cercado por pinheiros nevados, quando meia hora antes você estava no asfalto. Localizada a apenas 15 minutos, na vizinha cidade de North Vancouver, Grouse Mountain é surpreendente pela proximidade e pela beleza. A caminhada no bosque nevado mostra um cenário mais encantador do que o outro. Para um programa completo, há um tour de snowshoeing combinado com fondue no Altitudes Bistro. A refeição em três etapas é realizada, perto da lareira, depois da caminhada com raquetes.

Mais atividades

Para explorar mais a região das montanhas ao redor de Vancouver, Cypress Mountain pode ser o destino de quem busca esqui cross-country e snowtubing. Crianças acima de 6 anos já podem experimentar descer nas boias com capacidade para até seis pessoas — abaixo de dez anos têm de estar acompanhadas por adultos.

Distante 30 quilômetros, a estação na cidade de West Vancouver também pode ser alcançada por transporte público. Do mesmo modo, essa alternativa é válida para se chegar a Grouse Mountain e a Sea to Sky Gondola, outro ponto para a prática de esportes de neve, localizado na rodovia BC-99.

Na subida de Vancouver em direção a Whistler, pouco antes da cidade de Squamish, a Sea to Sky Gondola proporciona uma visão panorâmica. A ponte suspensa de 100 metros de comprimento e as plataformas de observação podem ser visitadas em qualquer época do ano. Entretanto, neste inverno, a gôndola está fechada. Em agosto, um dos cabos foi cortado em decorrência de uma sabotagem, conforme concluiu a investigação sobre o acidente sem feridos (ocorrido antes da abertura da atração).

Segundo previsão da companhia, a Sea to Sky Gondola deve voltar a funcionar na primavera canadense de 2020, quando a empresa planeja inaugurar ali a Elevated Tree Walk, estrutura espiral que promete erguer o público 27 metros acima das árvores.

 

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Whistler: um mundo de possibilidades sobre o gelo

Iniciantes e iniciados nos esportes de neve se divertem na estação, que tem atrações como a gôndola mais alta do mundo e ótimos restaurantes

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 06h50

A janela na quina do restaurante paira sobre a imensidão branca. O banco na ponta da gôndola se debruça sobre a floresta nevada. Um pensamento recorrente acompanha o passar dos dias: como são bonitas as montanhas de Whistler. E de tantos ângulos. Chega a ser um disparate pensar que, no destino famoso por ter a maior área esquiável da América do Norte (8.171 acres), praticar esportes de neve é só mais um programa possível. Mas é fato.

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Umas das experiências mais impressionantes dessa viagem pela província de British Columbia é o passeio na Peak 2 Peak. A gôndola conecta as montanhas Whistler (1.530 metros) e Blackcomb (1.609 metros), escancarando a paisagem formada por picos, rios, geleiras e lagos. Apenas 11 minutos de percurso foram suficientes para a atração entrar para o Guinness Book como a gôndola mais alta do mundo (a 436 metros) e a mais longa ligação sem suporte entre dois cumes (por 3,024 quilômetros).

Ao longo de uma extensão total de 4,4 quilômetros, a Peak 2 Peak flutua de uma montanha à outra. A junção dos dois nomes batiza a estação de esqui local: Whistler Blackcomb. Desde 2016, o centro canadense de esportes de montanha pertence ao grupo americano Vail Resorts, que vem investindo em melhorias, especialmente nos 39 meios de elevação. A partir de Upper Village, desde o inverno passado, parte rumo ao topo de Blackcomb a nova gôndola com capacidade para até dez pessoas.

Quem não esquia tampouco pratica snowboard pode comprar um ingresso de city tour na estação para viver esse momento inesquecível na Peak 2 Peak. Memorável também é a aula de esqui para principiante. O incentivo dos professores faz qualquer um acreditar que pode ficar em pé, ainda que caia minutos depois na neve. Tente. Com cautela, mas tente. Seguindo as instruções na aula para iniciante ou expert, alguma das 200 pistas da estação há de servir para se divertir.

Além do esqui

O mundo de possibilidades no gelo de Whistler não para por aí. Tem ainda passeios em moto de neve, voltinhas de trenó puxados por cães, descidas de boia e tirolesa. No parque da Olimpíada de Inverno de 2010, realizada entre Vancouver e Whistler, há cerca de 90 quilômetros de pistas de esqui cross-country, 30 quilômetros para tours de snowshoeing e uma área para descida de tobogã (prancha e capacete são emprestados conforme disponibilidade).

Todo inverno a Whistler Olympic Plaza ganha uma pista de patinação gratuita. Até março, é possível se divertir deslizando (ou, ao menos, tentando) na praça ao ar livre; há onde alugar os patins.

Grande parte do charme de Whistler está no fato de ser um vilarejo, e não apenas uma estação de esqui. Tem um centrinho com ruas de pedestres (Village Stroll), cerca de 200 restaurantes, bares e cafés, um spa escandinavo com piscinas aquecidas ao ar livre, em torno de duas centenas de lojas e até bons museus. Some-se a isso o fácil acesso a partir de Vancouver e a qualidade do serviço encontrada num destino tão pequenino.

Novidades

As novidades aparecem a cada temporada. Nesta, a principal é a Vallea Lumina (a partir de 29,99 dólares canadenses ou R$ 92), experiência multimídia com luz, som, vídeo e cenografia. A caminhada pela floresta à noite convida o viajante a interagir com o ambiente, tocando e explorando a seu redor. 

Original da estação americana de Breckenridge, a Rocky Mountain Underground é outra estreante no inverno de Whistler. Mais do que uma loja de roupas e acessórios para adoradores de esportes de montanha, ela funciona como um café durante o dia e se transforma num bar com vinho e drinques no après-ski. A localização é estratégica. Fica em Upper Village, área charmosa com opções gastronômicas, butiques e luxuosos hotéis como o Fairmont Chateau e o Four Seasons Resort.

Pela vila, aliás, há muitas lojas de roupas de esporte de neve e de souvenir, com imãs e camisetas. Caso prefira algo mais local, além das toucas de neve, experimente comprar barras e bombons da Roger’s Chocolates e da Rocky Mountain Chocolate Factory.

Depois do anoitecer

No fim do dia, ainda que tenha aproveitado apenas a parte não-esquiável de Whistler, curta o après-ski. A happy hour depois do dia na neve faz parte da cultura da montanha. Na base de Whistler, a Garibaldi Lift Company (GLC) é um lounge que atrai muita gente para ver o movimento, bebericando e beliscando. Para um après-ski em clima de balada, vale visitar o Merlin’s, bar encontrado na outra montanha da estação, a Blackcomb.

A vila oferece bons restaurantes para jantar, entre eles, o Red Door Bistro, que serve de frutos do mar a javali, e o Araxi, com seu renomado bar de ostras.  Uma oportunidade de relaxar e relembrar as aventuras do dia, especialmente se tiver sido um dia de blue bird (expressão dada quando o céu azul é limpo e intenso). 

NÃO PERCA

Spa

A tradição finlandesa de banho quente seguido por gelado, para aliviar a tensão muscular e liberar endorfina, exige apreço pelo choque térmico. Aos bravos, a promessa de sair do Scandinave Spa revigorados. A unidade fica a 1,5 km do centro do vilarejo – é fácil pedir um táxi para ir e outro para voltar. 

A empresa fornece o roupão, e o visitante deve levar roupa de banho e chinelos. Celular e bate-papo são proibidos. O silêncio, segundo a filosofia do spa, é fonte de força interior. A duração do circuito de banhos proposto é de 2h. A piscina a 40 graus é uma delícia, ao ar livre, com tudo nevado no entorno. Duro é sair dali para se enrolar no roupão com a temperatura ambiente de 10 graus negativos. Os tratamentos custam a partir de 230 dólares canadenses (R$ 711).

Arte local

Com uma área de 5,2 mil metros quadrados, o Audain Art Museum reúne 200 obras de arte. É surpreendente ver uma instituição desse porte numa cidade de apenas 12 mil residentes fixos. Aberto desde 2016, o Audain foca nos trabalhos de British Columbia, apresentando um passeio pela arte criada na província desde o século 18. A coleção permanente engloba de máscaras das Primeiras Nações a pinturas da modernista Emily Carr. Entrada a 18 dólares canadenses (R$ 55).

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