Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Capricho em pratos que deixam saudades

Apesar de estar ciente da fama gastronômica de Prado, minha extensa quilometragem a respeito da cozinha baiana me deixou desconfiado da quantidade de dendê que encontraria por lá. Ôxi, que saboroso engano. Nos restaurantes da cidade, o menu de temperos vai muito além do trivial - e deixa saudades.

PRADO, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h10

Só no Beco das Garrafas, epicentro da efervescência gastronômica local, há uma porção de surpresas. Para fugir do clichê peixes/frutos do mar, comecemos com o suculento filé ao molho de jabuticaba (R$ 65), que a chef Lili do Bistrô Donna Flor (facebook.com/bistrodonnaflor) prepara com carinho.

No fundo da viela, a chef Márcia Martins apresenta no seu Banana da Terra (73-3021-1721) criações de lamber os beiços - como o Gabriella (R$ 90), camarão servido dentro do cacau com musse de aipim e mel de castanhas com fruta-pão. Outra opção é o Trio da Beatriz (R$ 90), filé de budião (peixe abundante na região), lagosta e camarão VG, com purê de gengibre e banana da terra - para justificar o nome da casa.

Ainda no beco, a fama do Jubiabá (73-3298-2180) tem sua razão. Esqueça o borrachento polvo na manteiga (R$ 58) de entrada, pois o budião delícia tropical (R$ 79), grelhado no azeite com musseline de mandioca e molho especial de pitanga, faz duas pessoas tirarem o chapéu.

Segredinho. Um dos restaurantes mais encantadores da cidade, contudo, não fica no centro, mas em Cumuruxatiba (mais especificamente, no Morro da Fumaça), a 32 quilômetros. O Mama África (73- 3573-1319) é parada obrigatória para quem gosta de viajar pelos sabores do mundo.

Chef e proprietária da casa, a angolana Dolores Lameirão, de 45 anos, recebe pessoalmente os visitantes e apresenta, com cadenciado sotaque, seu cardápio de cozinha internacional. Bom exemplo são as sincronizadas mexicanas (R$15), generosa porção de quesadillas recheadas com feijão, queijo e presunto. Já a muamba de Benguela (R$ 78), espécie de moqueca com belas postas de peixe, quiabo, berinjela e abóbora, é um prato tradicional de Angola e carro-chefe da casa. Quase um afago maternal.

O bacalhau cremoso (R$ 110) faz jus aos anos em que a chef cozinhou em restaurantes de Portugal. Depois de um bom papo com Dolores, dona de uma fascinante história - saiu de seu país ainda menina, fugindo da guerra civil -, e de um cafezinho na cafeteira moka (R$ 2), é hora de adoçar a vida.

Na principal rua de Cumuru, apelido carinhoso desse distrito de Prado, há um açucarado ponto de referência. Pergunte para qualquer um onde fica a Cocada da Lucinha para encontrar o que se pode chamar de porta do paraíso. A entrada no céu, contudo, está condicionada às bocadas em iguarias nas quais o coco se mistura a maracujá, banana (realmente divina) e até gengibre - sim, orna. E o preço, R$ 1, instiga a levar uma bandeja de culpa (ou indulgência) para casa. /F.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.