Pedro Sibahi
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Caravelas, para ver a diversidade de Abrolhos

Arquipélago, que chegou a ser visitado por Charles Darwin, serve de berçário para as baleias-jubarte; há passeios também para mergulho

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Caravelas

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Uma das últimas cidades no sul da Bahia, Caravelas também é das mais antigas. Américo Vespúcio chegou à localidade em 1503, deixando uma benfeitoria que mais tarde foi destruída. A cidade em si foi fundada em 1581 por um missionário, mas novamente acabou abandonada, e só voltou a apresentar algum tipo de urbanização a partir de 1694.

Já em 1700 foi elevada à categoria de vila, e alguns dos casarões que hoje existem no centro datam desta época, portanto, têm mais de 300 anos. Em muitas fachadas, nota-se a arquitetura portuguesa centenária, com suas janelas e portas largas, além dos balaústres e azulejos, ou o que restou deles. A cidade guarda um charme histórico mesclado com uma modernização que caminha a passos lentos.

Para curtir uma praia, a melhor pedida é a Barra de Caravelas, onde deságua o rio de mesmo nome. Seguindo pela mesma rota, ainda existe a Praia do Graucá, com alguns quiosques e uma pousada. A próxima praia, a de Iemanjá, fica a cerca de 20 km de estrada de terra, ou 5 km seguindo pela costa desde a barra.

O grande espetáculo de Caravelas, no entanto, está fora da cidade. É o Arquipélago de Abrolhos, protegido como Parque Nacional Marinho desde 1983. A região é considerada a de maior biodiversidade marinha em todo o Oceano Atlântico Sul. Não por acaso o cientista Charles Darwin fez questão de visitá-lo em 1832. O lugar também é importante pois serve de berçário para as baleias-jubarte, que migram até Abrolhos entre agosto e novembro, para ter seus filhotes.

É possível visitar o arquipélago de diferentes maneiras. O passeio padrão, que pode ser feito de junho a fevereiro, inclui uma volta de barco pelo arquipélago e caminhada pela Ilha de Siriba, a única aberta ao público, onde é possível avistar de perto os ninhos de aves marinhas como atobás e grazinas. Esse passeio em geral inclui mergulho de snorkel próximo aos paredões submersos, onde vivem cerca de 1,3 mil espécies, 45 delas ameaçadas de extinção. O coral cérebro (Mussismilia braziliensis), que recebe esse nome devido à sua textura esponjosa, é encontrado apenas nesta região.

Durante a temporada de visita das jubarte, é possível fazer um passeio apenas para avistamento dos animais. Outra opção, voltada para os praticantes de mergulho, é o live aboard, com duração entre uma e três noites no mar. Os iniciantes também têm a opção de aproveitar o passeio de visita ao arquipélago para fazer o batismo de mergulho autônomo. Consulte as agências locais, como Abrolhos Dive Inn (abrolhos.com.br) e Abrolhos Embarcações (abrolhosembarcacoes.com.br).

De volta à terra firme, vale a pena fazer uma visita à sede do Instituto Baleia Jubarte (Rua Barão do Rio Branco, 125). Apesar do lugar servir mais como sede administrativa, há uma sala de exposição com informações sobre a reprodução das baleias e sobre o trabalho de preservação no arquipélago, além de ossadas de jubarte, de golfinhos e de uma baleia orca.

Para comer em Caravelas, experimente o bobó de caranguejo do restaurante Tio Berlindoo; serve duas pessoas e custa R$ 85. Ou escolha a moqueca de budião para três, por R$100.

Onde ficar

Hotel Marina Porto de Abrolhos: R$ 390 para casal. Site: marinaportoabrolhos.com.br

Pousada das Sereias: R$ 150 para casal. Tel. 73-3674-1006

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