ORLANDO BARRIA/EFE
Resorts de Punta Cana tiveram estruturas de praia e paisagismo afetados, mas estragos foram poucos.  ORLANDO BARRIA/EFE

Caribe, depois da tempestade

Saiba como estão as ilhas mais afetadas, as que não foram danificadas e como será a temporada de cruzeiros de 2018

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2017 | 05h00

O Caribe está aberto, operante e continua lindo. Este é o recado que a região vem se esforçando para passar ao mundo depois das destruições causadas pelos furacões Irma, José e Maria durante o mês de setembro. Com o fim da temporada dos furacões, em novembro, e a chegada da alta estação turística, do Natal até a Páscoa, as ilhas mais atingidas pelas tempestades têm feito esforços para reabrir parte de sua estrutura receptiva. E aquelas que não sofreram danos - 70% do total, segundo a Associação de Hotéis e Turismo do Caribe - querem mostrar que continuam sendo excelentes destinos de sol e mar para bolsos variados.

Os cruzeiros começam a retomar operações até mesmo nos lugares mais atingidos. No dia 18 de dezembro o Grandeur of the Seas foi o primeiro a navio de grande porte a encostar em St. Maarten, uma das ilhas mais devastadas pelo Irma, que teve seu Aeroporto Internacional Princess Juliana destruído. O aeroporto voltou a funcionar em outubro. Alguns restaurantes e lojas estão fazendo um esforço para abrir na temporada. Dos hotéis, apenas três confirmaram reabertura para turistas. 

Os navios Norwegian Gem e MSC Divina aportarão em San Juan, Porto Rico, outro país severamente afetado, em suas saídas da temporada. 

“O Caribe responde por 35% do mercado mundial de cruzeiros”, disse o presidente da Associação Internacional de Cruzeiros (Clia) no Brasil, Marco Ferraz. Segundo ele, isso equivale a 9 milhões de turistas em 2017. “É o principal mercado no mundo, antes da Europa, que tem 33%, somados os roteiros do Mediterrâneo e do norte do continente”, afirmou. 

A região de Key West, no extremo sul da Flórida, voltou parcialmente ao jogo. A Costa desviou seus navios que previam paradas por ali para Miami e as Bahamas. Já o navio Norwegian Dawn mantém Key West em sua saída a partir de Tampa. 

Marco Ferraz afirmou ainda que a Jamaica e a ilha mexicana de Cozumel devem receber mais navios por terem sido poupadas pelas tempestades. 

Rescaldo. Antígua e Martinica foram pouco afetadas e estão funcionando bem turisticamente. Nas Bahamas, a capital Nassau não sofreu nada e vai receber muitos cruzeiros na temporada. Na República Dominicana, Punta Cana foi atingida pelo Maria quando a tempestade havia baixado para categoria 2. Estragou jardins e estruturas de praia de resorts, mas boa parte já foi recuperada. 

Em Cuba, os Cayos Coco e Guillermo tiveram a hotelaria prejudicada, mas Havana e Varadero foram pouco danificadas.

As Ilhas Virgens Britânicas, arrasadas por Irma e Maria, anunciaram em novembro o reinício pontual da navegação. A temporada deve ser paradona por lá e também nas Ilhas Virgens Americanas, igualmente destruídas. As exclusivas Turks & Caicos e Anguilla tiveram danos severos. Anguilla restabeleceu energia elétrica e comunicações em boa parte do território, reabriu quatro hotéis, mas ainda tem muito a reconstruir. Acompanhe em ivisitanguilla.com.

Outra ilha de destaque no turismo de luxo, St.-Barth teve a maioria de sua estrutura turística destruída. O charmoso hotel quatro-estrelas Le Village, inaugurado em 1969, foi a primeira hospedagem a reabrir na ilha. Para atrair turistas, vai funcionar com preços de baixa estação - a partir de ¤ 180. “Os turistas que receberemos nesta temporada verão a ilha em sua essência, terão contato com nosso lado trabalhador e humilde e com uma população de braços abertos para receber seus visitantes nas melhores condições possíveis”, disse a proprietária do Le Village, Catherine Charneau.

A Associação de Hotéis e Turismo do Caribe (clique) mantém um site onde você pode ver os avisos mais recentes sobre a recuperação das ilhas afetadas por furacões, com anúncios e previsões de reabertura de hotéis e restabelecimento de serviços.

4 DICAS PRÁTICAS

1. Fora da rota de furacões, o trio de ilhas conhecido como ABC do Caribe - Aruba, Bonaire e Curaçau, as três próximas da costa da Venezuela - é boa escolha de viagem o ano todo. O período entre fim de setembro e dezembro é um pouco mais úmido, mas isso significa um ou outro dia nublado. Raramente chove o dia inteiro nessas três ilhas. 

 

2. O dinheiro a levar para o Caribe é o dólar americano. Se você vai fazer um cruzeiro, não precisa se preocupar com a moeda corrente em cada ilha nas escalas: todas aceitam o dinheiro dos Estados Unidos. Cuba e St.-Barth são exceção: o euro é mais forte. 

3. Providencie o visto dos Estados Unidos se: seu voo para alguma das ilhas caribenhas for via Estados Unidos; vai embarcar em um cruzeiro em porto americano; seu roteiro inclui Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas. Cuba também exige vistos dos brasileiros; compre junto com o pacote do cruzeiro ou no embarque no aeroporto de origem, no Brasil. As outras ilhas não pedem visto.  

 

4. Outros documentos necessários são, claro, o passaporte - com seis meses de validade após o fim da viagem - e a vacina de febre amarela, que todo mundo está exigindo dos brasileiros. 

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Um cruzeiro antes dos furacões

Repórter navegou por uma semana no navio Pullmantur Zenith

Celso Filho, Santo Domingo / O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2017 | 04h45

Antes da severa temporada de furacões que assolou o Caribe neste segundo semestre, embarcamos em um cruzeiro da empresa espanhola Pullmantur a bordo do navio Zenith. O roteiro de uma semana partia de Santo Domingo, na República Dominicana, e seguia para St. Maarten, Antígua e Santa Lúcia, com ponto final em Barbados.

Por causa dos estragos, o roteiro do Zenith foi alterado. Na temporada 2018, saem St. Maarten e Barbados e entram St. Kitts & Nevis e Guadalupe. 

Remodelado em 2013, o Zenith é um confortável navio de 12 deques com capacidade para até 1.900 passageiros em 720 cabines. Os destaques dos cruzeiros Pullmantur para o mercado brasileiro são o atendimento em português e a proposta all-inclusive que abrange as bebidas, alcoólicas e não alcoólicas. A seguir, detalhes sobre a experiência nas ilhas que fizeram parte do roteiro - e que continuam na próxima temporada. 

República Dominicana

Ponto de partida do Zenith e capital da República Dominicana, Santo Domingo foi capital das Américas e guarda muita história na zona colonial, onde há vários restaurantes e lojas de souvenir. No Parque Colón está a Catedral Primada de América, a primeira do continente, que começou a ser construída em 1521 e reúne diferentes estilos arquitetônicos. Bermudas e roupas curtas são proibidas na visita.

Às margens do Rio Ozama, o Museu Alcázar de Colón (US$ 2) é uma fortificação que serviu de moradia para o filho de Cristóvão Colombo, Diego, no século 16.

Bayahibe, uma vila de pescadores de onde partem catamarãs para a Ilha Saona, não fica longe da capital. Na ilha, o programa é relaxar em águas calmas e transparentes e observar as impressionantes estrelas-do-mar em piscinas naturais. Tours custam de US$ 60 a US$ 100 por pessoa e, em geral, incluem refeição. 

Se o dia não der praia, siga para a vila Altos de Chavón. Fica na região de Casa de Campo, que concentra mansões e campos de golfe, foi construída em 1970 e imita um vilarejo mediterrâneo. São vielas e casas de pedra em um ponto alto diante do Rio Chavón, com vista deslumbrante. Há oito restaurantes, museus, uma pequena galeria de arte, a igreja onde Michael Jackson se casou com Lisa Marie Presley e um anfiteatro para 5 mil pessoas que já recebeu Frank Sinatra (1915-1998). 

Antígua

A ilha irmã, Barbuda, foi parcialmente afetada, mas Antígua nem chegou a fechar efetivamente para o turismo. Pertencente à Commonwealth, guarda resquícios da colonização, como igrejas anglicanas e o gosto pelo críquete, disputado no estádio Sir Vivian Richards. Atrai famosos como Eric Clapton para seus resorts de luxo.

Um passeio que está em alta é o nado com arraias em um banco de areia cercado de corais a cinco minutos de navegação da praia. Há centenas delas - é possível tocá-las e alimentá-las com pedaços de lula, com a ajuda dos guias. O passeio é feito pela Stingray City Antigua (stingraycityantigua.com) e custa cerca de US$ 80.

Santa Lucia

Verde e úmida, Santa Lúcia tem um cenário único no Caribe - e está em plena forma. Também integrante da Commonwealth, tem 600 quilômetros quadrados de território. A melhor forma de explorá-lo é conseguir um guia e um carro para, a partir da capital, Castries, onde aporta o cruzeiro, descobrir suas estradas cheias de curvas, subidas íngremes e o mar de um tom mais escuro do que aquele que você viu até aqui. 

Há mirantes nos acostamentos, com vistas de encher os olhos e vendedores de frutas e artesanato oferecendo seus produtos. Garanta no tour a passagem pelo símbolo local: as montanhas gêmeas Pítons, em Soufrière, a cerca de 50 quilômetros da capital. 

Cruzeiros Pullmantur

Veja pacotes all-inclusive, com bebidas alcoólicas e não alcoólicas, para os dois navios da Pullmantur que farão roteiros no Caribe na temporada 2018. À venda na R11 Travel (11-3090-7090). 

Zenith: com saída em 3 de março de Santo Domingo (República Dominicana), são 7 noites a bordo, com paradas em Basseterre (St. Kitts & Nevis), Point-à-Pitre (Guadalupe), St. John’s (Antígua) e Castries (Santa Lucia). O preço por pessoa em cabine interna dupla começa em R$ 624. 

Monarch: a saída é em 23 de fevereiro de Colón, no Panamá. Há paradas em Cartagena (Colômbia), Willemstad (Curaçau), Kralendijk (Bonaire) e Oranjestad (Aruba). Custa a partir de R$ 1.599 por pessoa em cabine interna dupla. 

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Escolha um cruzeiro no Caribe em 2018

Veja roteiros selecionados de seis das principais companhias que navegam pela região

O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2017 | 04h43

Durante o período de furacões, praticamente todas as empresas colocaram navios a serviço das equipes de resgate e reabastecimento das ilhas mais afetadas e organizaram campanhas de arrecadação de doações de mantimentos e dinheiro.

Para a temporada 2018, algumas fizeram alterações pontuais nas saídas que envolvem ilhas afetadas. Outras manterão rotas que passam, por exemplo, por St. Maarten, como forma de ajudar a acelerar a recuperação econômica. Veja pacotes para navegar pelo Caribe, separados por empresas. Os preços são os mínimos por pessoa. 

Celebrity Cruises

Tirou Dominica, St. Maarten e Ilhas Virgens Britânicas de suas rotas, e colocou Martinica, St. Kitts & Nevis, Antígua, Bahamas e Santa Lúcia. Saída de 17 de fevereiro no Celebrity Summit, com Fort Lauderdale (Estados Unidos), Bahamas e St. Thomas desde R$ 1.278. 

Costa 

Key West, St. Maarten, Ilhas Virgens Britânicas e Dominica estão fora. A saída de 5 de fevereiro, a partir de La Romana, na República Dominicana, tem 7 noites e passa por Ilha Catalina, Basseterre, St. Kitts, Antígua, Martinica e Guadalupe. Desde R$ 1.199. 

MSC

A empresa adiciona seu quinto navio à temporada caribenha em 2018. O MSC Seaside foi inaugurado em Miami na quinta-feira (dia 21) e tem capacidade para 5,1 mil hóspedes. A saída de 17 de março, com 7 noites, começa em R$ 1.439, com Bahamas, Ilhas Virgens Americanas e Antígua e Barbuda.

Saindo de Cuba em 3 de fevereiro, o MSC Armonia passa por Jamaica, Ilhas Cayman e México, em roteiro de 7 noites, por R$ 1.869. 

Norwegian

A companhia tem 11 navios fazendo cruzeiros pelo Caribe, todos a partir dos Estados Unidos - Miami, Porto Canaveral, New Orleans e Tampa. Nos dias 6, 13 e 27 de janeiro, a partir de Miami com duração de 7 dias no Escape, roteiro inclui Bahamas, Jamaica e Grande Cayman, desde R$ 1.632. Em 10 de fevereiro no Epic, roteiro similar, desde Porto Canaveral, começa em R$ 2.614.

Regent Seven Seas

Com perfil luxuoso, tem a saída de 20 de janeiro, com 10 noites de duração no Seven Seas Explorer, que começa em Miami e passa por Key West, Roatán (Honduras), Santo Tomás de Castilla (Guatemala), Harvest Caye (Belize), Costa Maya e Cozumel (México), e George Town (Ilhas Cayman). Desde R$ 16.489.

Royal Caribbean

Tirou Dominica de seus itinerários até junho de 2018, mas mantém San Juan, em Porto Rico, e St. Maarten. O Harmony of the Seas sai de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em 10 de fevereiro, e segue a St. Thomas, San Juan e Labadee (Haiti). Em média, custa R$ 1.695. 

Em 11 de março, o Oasis of the Seas parte de Porto Canaveral, na Flórida, para St. Maarten, San Juan e Labadee, por R$ 1.476.

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