Anelise Zanoni
Anelise Zanoni

Casapueblo e Hotel Conrad: dois ícones que não envelhecem

Casarão do artista plástico Carlos Páez Vilaró e hotel são cartões-postais clássicos que disputam a atenção dos turistas no Uruguai

Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 04h30

O final da tarde se aproxima em Punta Ballena, balneário vizinho a Punta del Este. No alto de uma colina, carros disputam vaga para estacionar e paragliders rasgam o céu. Por ali, uma dezena de pessoas desce pelo campo para encontrar o melhor ângulo e fotografar Casapueblo, uma das construções mais emblemáticas do Uruguai. 

O casarão concebido pelo artista plástico Carlos Páez Vilaró mais parece um castelo à beira do Mediterrâneo, mas funciona como hotel e museu. Outro hotel clássico, o Conrad, também não é só uma opção de hospedagem, mas tem status de ponto turístico – e dos mais disputados.

Cartão-postal clássico, os sacadões de frente para o mar da Casapueblo  são um convite para assistir ao pôr do sol. Turistas começam a se amontar por ali conforme o céu muda de cor. Logo, uma música invade o ar, e se ouve um verso gravado pelo artista, morto em 2014. É o início da cerimônia em homenagem ao sol, um clássico em que todos fazem silêncio para ouvir.

Todos os dias, desde 1994, é assim que termina o dia na Casapueblo. Não há horário fixo, porque tudo depende do momento que o sol se põe. As reações são variadas. Há aqueles que choram enquanto bebem vinho, há os que parecem hipnotizados com as cores do céu. Outros se acotovelam em busca da melhor selfie. 

Embora muita gente vá ao local para aproveitar o espetáculo, Casapueblo é muito mais que isso. Para aproveitar bem o programa (os ingressos custam cerca de R$ 27), o ideal é chegar cedo ou fazer a visita de segunda a sexta, dias mais tranquilos. 

Um dos maiores encantos é a própria arquitetura, que se destaca por combinar formas irregulares. Sem ser arquiteto, Vilaró se inspirou no homem do campo e nas construções mediterrâneas para levantar a grande casa. Entre as obras do acervo estão peças que contam a trajetória do artista, distribuídas em pequenas galerias. Esculturas de madeira e metal também aparecem no recorrido. Quem dedica tempo para conhecer parte da obra pode ser surpreendido com os janelões com vista inusitada para o mar – e para o pôr do sol.

Além das apostas. Inspirado nos grandes hotéis de Las Vegas, Hotel Conrad é um dos queridinhos dos brasileiros no país. Boa parte do sucesso deve-se à experiência que o cassino proporciona, mas a marca tem investido pesado nos últimos anos para ser reconhecida também como referência em entretenimento para diferentes públicos, inclusive para quem não é hóspede.

O esforço vem dando certo, e o hotel – agora oficialmente denominado Enjoy Punta del Este Hotel Conrad – se transformou em um exemplo em hotelaria e entretenimento. A programação é intensa o ano todo, e inclui de festivais gastronômicos a shows internacionais. As atrações se somam ao serviço do parador Ovo Beach Club, da boate e dos restaurantes do hotel.

Com pé na areia, o parador é um centralizador de gente bonita e bem arrumada e é aberto para quem quiser frequentá-lo. Nos 380 metros quadrados de área, há tendas com sofás e espreguiçadeiras, música selecionada por DJs e cardápio com receitas mediterrâneas, sushis e pratos com proposta saudável. Quando cai a noite, a diversão é direcionada para a boate, que costuma ter trilha sonora assinada por DJs famosos. 

No hotel, são 294 apartamentos, todos com vista para o mar. Quem se hospeda (as tarifas começam em US$ 380 o casal) pode usufruir do fitness center, das piscinas e, para quem vai com crianças, há recreação e espaço kids.

Para quem vai com a proposta de tentar a sorte no cassino, as possibilidades são muitas: ao todo, são 75 mesas de aposta (incluindo roletas, black jack, midi baccarat, entre outras), 550 slots e sala para pôquer. Prefere exclusividade? A área vip, com atendimento personalizado, conta com 25 mesas e slots diferenciados, além de ser a locação de exclusivos e milionários torneios.

Raio X turístico

1. Caro, pero no mucho

Os preços no Uruguai são semelhantes aos do Rio e São Paulo quando o assunto é gastronomia. Os hotéis, entretanto, são mais baratos, mesmo com qualidade mais elevada. O alerta vai para Punta del Este: por ser um destino procurado pelo jet set internacional, tudo é inflacionado. Um suco na beira da praia pode custar US$ 10 e um sanduíche com presunto e queijo, US$ 16.

2. Quando ir? 

O litoral costuma ser ensolarado, com estações bem definidas. Na alta temporada, de dezembro a fevereiro, os dias são longos e as praias, disputadas. No inverno, muitos estabelecimentos deixam de funcionar, e há menos movimento, mais vento e preços mais convidativos. 

3. Precisa de passaporte?

Carteira de identidade com menos de dez anos de emissão é suficiente para entrar no Uruguai – mas a carta de motorista, não.

4. Devolução de impostos

Não há burocracia para turistas receberem o desconto referente ao IVA, imposto cobrado em hotéis, restaurantes e locadoras de veículos. Para isso, é preciso fazer compras com cartão de crédito ou débito emitido no Brasil. O benefício é descontado na hora da compra e vale até 30 de abril. Muitas lojas aderem ao tax-free em compras a partir de 600 pesos uruguaios (cerca de R$ 67), o que significa que o valor de impostos (14,4%) pode ser resgatado em aeroportos, portos e fronteiras terrestres.

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