Ceará: natureza em aquarela

Nosso ilustrador-repórter passou sete dias na Costa do Sol Poente. E transformou a beleza local em incríveis aquarelas

Carlinhos Müller, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2009 | 00h55

  Dia 1

Fortaleza: sol, praia e balada

Se você não estiver muito determinado, Fortaleza e suas atrações podem pôr a jornada a perder. Acostume-se logo com o fato de que será impossível ver tudo antes de rumar para o norte. E use as horas disponíveis para sentir o clima da capital e aproveitar o que ela tem de melhor.

São 25 quilômetros de areias, coqueiros e águas coloridas por jangadas. O pedaço mais disputado desse litoral é a Praia do Futuro, graças às suas famosas megabarracas. Duas dicas: a Crocobeach serve deliciosos pratos com caranguejos e a Itapariká tem parque aquático para as crianças.

Ótimas pedidas, mas se a ideia é conhecer uma praia mais tranquila, mais autêntica - e muito mais fotogênica -, siga até Mucuripe. Lá aportam jangadas trazendo peixes fresquinhos, que depois serão servidos nos restaurantes requintados da Avenida Beira-Mar. Compre ali mesmo um pargo por R$ 10 e pague outros R$ 5 para os pescadores fritarem o peixão na hora. Programa com o melhor custo-benefício.

Aproveite o fim de tarde para tomar um café no calçadão da Praia de Iracema ou fazer um passeio cultural no Centro Dragão do Mar, que reúne museus, teatro e cinemas. O dia termina invariavelmente com balada. Seja ouvindo MPB nos bares à beira-mar, música eletrônica no Mucuripe Club ou curtindo o arrasta-pé num dos muitos forrós da capital.

 

Dia 2

Pelas dunas de Cumbuco

Com ou sem emoção? Tenha a resposta na ponta da língua antes mesmo de chegar a Cumbuco, a primeira parada da Costa do Sol Poente, a apenas 30 quilômetros de Fortaleza. Porque o passeio de buggy pelas dunas que cercam a praia é a grande aventura do segundo dia.

Se disser "com emoção", prepare-se para perder o fôlego com as manobras radicais nas montanhas de areia. Caso contrário, será um tranquilo trajeto por cenários deslumbrantes.

O roteiro curto para na Lagoa Parnamirim, com direito a esquibunda (R$ 5 a descida), e termina em um mirante natural com vista para a Lagoa do Banana. Dura uma hora e custa R$ 100 por pessoa. Já o percurso de dia inteiro (R$ 200) inclui uma parada na própria lagoa e outra na Barra do Cauípe, onde há um laguinho quase à beira-mar. Importante: contrate um guia credenciado na Associação de Bugueiros (telefone: 0--85-3318-7309).

Depois do passeio, curta os bares e os restaurantes da praia. Ou dê uma volta de jangada - há inúmeras ancoradas ali. Para os mais ousados, vale arriscar umas aulinhas de kitesurfe. Por causa dos bons ventos, Cumbuco é um destino referência no esporte. A Escola Blue Wind (http://www.bluewindkite.com.br/) tem cursos e aluga equipamentos. A partir de julho, os ventos sopram a favor dos corajosos.

 

 

Dia 3

Caetanos e os pescadores

Prepare-se para ver paisagens diferentes neste terceiro dia. O tour começa na Praia de Caetanos, uma pacata vila de pescadores com apenas 600 habitantes, e termina na bela Lagoa de Sabiaguaba, praticamente um oásis entre as dunas. Esse roteiro combinado promete muita diversão, com adrenalina ou relax.

Rodeada por coqueiros, Caetanos tem mar calmo, ótimo para quem gosta de mergulhar, mas também recebe rajadas de vento perfeitas para a prática de esportes náuticos. Os pescadores aprenderam kite e windsurfe - e promovem um campeonato para a comunidade.

Se chegar ali no fim de semana, procure pelo restaurante da Iraniza, que prepara uma moqueca de arraia de dar água na boca. O cação ao molho de coco também é bem típico e custa apenas R$ 10. Outra boa pedida gastronômica é o restaurante do Zé Barbosa, chamado O Tempero do Mar, com pratos de R$ 5 a R$ 10.

Depois do almoço, puxe o carro rumo à Lagoa do Sabiaguaba, rodeada por dunas e alguns coqueiros entrelaçados por capim de um verde bem vivo. A lagoa fica no meio do nada - leve bebidas e quitutes na mochila. A tarde passa enquanto os turistas pescam, fazem piquenique ou mergulham. Os mais animados arriscam manobras no windsurfe.

 

 

Dia 4

Curta Icaraí sem pressa

O dia passa sem pressa em Icaraí de Amontada. Dá para tomar banho de mar - ou em piscinas naturais -, caminhar por trilhas na mata nativa, passear pela orla, saborear um restaurante típico e ainda encerrar a jornada com o alaranjado pôr do sol. Tudo embalado pelo sopro do vento. E que vento: refrescante para uns, perfeito para os amantes radicais do windsurfe.

Icaraizinho, como é chamada pelos moradores, tem a melhor estrutura desse trecho do litoral. As pousadas são aconchegantes e os restaurantes servem invariavelmente pratos à base de frutos do mar, com destaque para as porções de camarão e ostra. A água de coco gelada acompanha a refeição e o caju, considerado mel em forma de fruta, é a pedida para a sobremesa.

O mar de Icaraizinho está sempre lotado de velas e pipas, enquanto o reggae toca nas areias. A praia fica numa enseada curva, onde o vento sopra forte o ano todo. Ali ocorre o campeonato brasileiro de windsurfe slalom. Quem quiser tentar suas manobras pode contratar a escola Casa dos Ventos (http://www.casadosventos.com.br/). Quando a maré está baixa, é hora de os banhistas entrarem nas piscinas naturais. Dá para ficar ali até o sol laranja morrer na água.

 

 

Dia 5

Moitas, amor à primeira vista

A primeira imagem de Moitas é a que fica na memória: dezenas de barquinhos atracados na praia. Bem de manhã ou no fim da tarde, sente-se na areia para ver os pescadores que chegam com pencas de peixes, camarões e lagostas. Uma paisagem original e única - ainda mais quando o sol está caindo no mar.

A apenas seis quilômetros de Icaraí de Amontada, Moitas preserva a rusticidade de uma vila pesqueira. A simplicidade e a hospitalidade dos moradores multiplicam seu encanto. Só existem três pousadas na região. Todas pertencem a nativos como "seu Bernardo" e servem comida caseira. À mesa, frutos do mar fresquinhos (sim, aqueles que acabaram de chegar).

Nada sobra muito. Os pescadores respeitam os ciclos da natureza e procuram retirar da água apenas o necessário para sobreviver. A criação de ostras é outra atividade importante em Moitas. São as mulheres da comunidade que se encarregam de vender os produtos aos turistas - da casca é extraído o pó de ostra, excelente remédio para pele e ossos.

O mar quase sem ondas convida a um dia relaxante na praia. Mas é o passeio de balsa que leva à nascente do Rio Aracatiaçu o principal atrativo da vila. A pequena embarcação passa por mangues e fazendas de criação de camarão até chegar ao distrito vizinho de Mosquito, onde vilas se escondem entre dunas. O encontro do rio com os montes de areia ocorre na Barra das Moitas.

Suspenso às margens do rio, já quase no encontro com o oceano, um barzinho de madeira lembra um mirante. Ali, "dona Biata" prepara um saboroso peixe para o turista degustar enquanto observa o mar e a vegetação. A imagem dos pescadores na praia, ao fundo, é algo lindo de se ver.

 

 

 

Dia 6

Inexplorada Itarema

Ainda mais para o norte, o município de Itarema é a última parada antes de Jericoacoara. Há muito o que ver na região, onde vivem até hoje índios tremembés. São praias praticamente inexploradas pelo turismo, com paisagens compostas por lagoas, manguezais e vegetação nativa.

A Praia da Barra, mais conhecida como Mulheres de Areia, é um braço de areia que avança no mar. É a mais procurada pelos visitantes, principalmente nos fins de semana. E conta com a melhor infraestrutura da região, com algumas barracas e pousadas.

Porto dos Barcos também se destaca. Trata-se de uma ilhota com acesso feito pelos barcos de pescadores. Basta ir ao porto e perguntar sobre o trajeto que logo um pescador oferecerá carona. Eles não cobram, mas é gentil dar gorjeta.

O barquinho seguirá pelo rio até chegar ao mar, passando por um manguezal repleto de canais pelos quais ribeirinhos pescam mariscos, lagostas (por R$ 40 cada quilo) e peixes como pargo e cavala (por até R$ 8 o quilo).

Se a maré estiver baixa, a dica é caminhar por cerca de 30 minutos até a Praia de Almofala, a única do Ceará com uma sede do Projeto Tamar, para preservação de tartarugas-marinhas.  

 

 

Dia 7

Jeri, última e bela parada

Foram 300 quilômetros a partir de Fortaleza. Um caminho capaz de preparar sua alma e seus olhos para o último, o mais concorrido e um dos mais belos pontos da costa: Jericoacoara.

Carinhosamente chamada de Jeri, a vila é um fenômeno turístico - recebe 150 mil visitantes por ano, tem pousadas arrumadas e lojas descoladinhas -, mas faz questão de preservar suas ruelas de terra. Você aproveita o dia entre o mar (clarinho), a areia (idem) e os passeios de buggy (diversão na certa), enquanto a noite é embalada por forró nos bares à beira-mar.

Ninguém deve ir embora sem ver Pedra Furada, cartão-postal do Parque Nacional de Jericoacoara. O vento e as ondas esculpiram um furo simétrico no centro de uma pedra. Capricho da natureza... Para chegar até lá é preciso encarar uma caminhada de três quilômetros a partir da vila. O percurso pode ser feito em uma hora, passando pela Praia da Malhada, com areia coberta de conchas. A vila de Jeri, aliás, concentra hotéis e restaurantes - e serve como base para os passeios.

Outra atração é o roteiro de buggy pelas Lagoas Azul e do Paraíso, formadas pelo acúmulo de água das chuvas. Mais parecem oásis. Na primeira parada, deixe o tempo correr entre uma caipirinha, uma porção de camarão e um mergulho revigorante. Já na Lagoa do Paraíso, onde bancos de areia formam praias, a ordem é relaxar nas redes montadas na água.

O fim de tarde é sempre na Duna do Pôr-do-Sol. Todos se reúnem ali para ver o sol cair no Atlântico. Perfeito para fechar a viagem.

 

Confira pacotes para a Costa do Sol Poente. Os preços são válidos por pessoa em quarto duplo e já incluem passagem aérea.

 

link R$ 1.448: 2 noites em Fortaleza e 5 em Jericoacoara. Inclui café. Com a Taks Tour (0--11-2821-8800; http://www.takstour.com.br/)

 

link R$ 1.582: 4 em Fortaleza e 3 em Jericoacoara. Com café e passeios para Cumbuco. Na Visual (0--11-3235-2000; http://www.visualturismo.com.br/)

 

link R$ 1.582: 4 noites em Fortaleza e 3 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na Inside (0--11-4508-8010, http://www.insideviagens.com.br/)

 

link R$ 1.587: 5 noites em Jericoacora e 2 em Fortaleza. Inclui café e passeios. Com a Top Brasil (0--11-3926-8000; http://www.topbrasiltur.com.br/)

 

link R$ 1.628: 5 noites em Fortaleza e 2 em Jericoacoara. Com café e passeio. Na Tour House (0--11-3156-7777; http://www.tourhouse.com.br/)

 

link R$ 1.658: 5 noites em Fortaleza e 2 em Jericoacoara. inclui café e passeios. Com a CVC (0--11-2191-8410; http://www.cvc.com.br/)

 

link R$ 1.699: 4 noites em Jericoacoara e 3 em Fortaleza. Com café e passeios. Na Bon Voyage (0--11-3258-6522; http://www.bonvoyagetur.com.br/)

 

link R$ 1.725: 5 noites em Fortaleza e 2 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na RCA Turismo (0--11-3017-8700; http://www.rcaturismo.com.br/)

 

link R$ 2.533: 2 noites em Fortaleza e 5 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na Terra Mater (0--11-3464-5100; http://www.terramater.com.br/)

 

link R$ 2.534: 5 noites em Jericoacoara e 2 em Fortaleza. Inclui café e passeios. Com a Ambiental (0-11-3818-4600; http://www.ambiental.tur.br/)

 

link R$ 2.612: 1 noite em Fortaleza, 1 em Trairi e 5 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na Freeway (0--11-5088-0999; http://www.freeway.tur.br/)

 

link R$ 2.650: 2 noites em Fortaleza e 5 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na CiaEco (0--11-5571-2525; http://www.ciaeco.tur.br/)

 

link R$ 2.912: 1 noite em Fortaleza, 1 em Trairi e 5 em Jericoacoara. Inclui café e passeios. Na Sem Fronteiras (0--11-2091-3595; http://www.semfronteiras.tur.br/)

 

link R$ 2.912: 1 noite em Fortaleza, 1 em Trairi e 5 em Jericoacoara. Com café e passeios. Na Pisa Trekking (0--11-5052-4085; http://www.pisa.tur.br/)

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