Guglielmo Mangiapane/Reuters
Guglielmo Mangiapane/Reuters

Celular: vilão ou mocinho?

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Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 03h02

Esta semana estava conversando com uma amiga que teve o celular furtado sobre o quanto nos tornamos dependentes desse aparelhinho. Ali estão todos os nossos contatos, o Uber para a balada de sexta, a câmera para registrar os primeiros passos do bebê, a agenda de compromissos, o mapa, enfim, uma infinidade de coisas das quais não precisávamos há 20 anos, mas que agora parecem fundamentais. 

Por outro lado, vi duas imagens chocantes esta semana protagonizadas por smartphones. A primeira rodou o mundo: uma selfie tirada em uma estação de trem no norte da Itália enquanto uma pessoa gravemente ferida era atendida pelo resgate. A outra, também na Itália, não choca pela morbidez, mas pelo inusitado: um grupo de pessoas passeia em uma gôndola, em Veneza, com os olhos grudados na tela do celular, e não no cenário à sua volta.

Não há dúvidas de que ter a internet na palma da mão (e uma câmera fotográfica) facilita muito a vida do viajante. Mas será que precisamos mesmo postar aquela foto da Torre Eiffel em tempo real? Que tal esperar chegar ao hotel e fazer tudo com calma, à noite, em vez de comprometer o tempo que deveria ser para contemplar a cidade?

Lançado esta semana, o novo sistema iOS da Apple permite, por exemplo, programar um horário para o telefone ser desativado ou programar um tempo máximo para usar determinados aplicativos. Há aplicativos que fazem o mesmo, inclusive para aparelhos Android. Mas quando a empresa coloca o recurso em seu sistema operacional denota tendência.

Aqui, algumas dicas para não exagerar nas próximas viagens:

Controle o número de fotos diárias. Quantas vezes você já se deparou com a memória do celular cheia e teve de fazer uma “limpa” nas fotos? Nesse momento, percebemos que mais da metade das fotos tiradas são desnecessárias ou estão ruins (desfocadas, com interferência, etc.). Um grupo de amigos, certa vez, fez um jogo durante uma viagem: cada um só poderia tirar 36 fotos por dia, como na época do filme fotográfico. O resultado foram fotos bem mais elaboradas e com significado: as selfies não eram aleatórias e as imagens traduziram muito melhor o espírito da viagem. Além disso, foi bem mais fácil editá-las depois.

Estabeleça objetivos. Crie regras para você mesmo, como, por exemplo, estabelecer um número máximo de verificações diárias no WhatsApp ou de postagens no Instagram (nada de colocar o limite no 100, hein?). Outra opção é colocar como meta fazer determinado passeio sem olhar o celular. Como as gôndolas de Veneza. 

Faça uso da tecnologia. Isso mesmo: se você não consegue ter disciplina para cumprir as próprias regras, use a tecnologia (no caso, apps) para controlar seu vício em tecnologia. O Focus Lock, por exemplo, bloqueia outros aplicativos por um determinado período que você estabelecer (que pode ser o de sua visita àquele museu incrível). O StepLock vai fazer você se movimentar: ele vai bloquear determinados aplicativos e só destravar depois que você der um certo número de passos. 

Deixe o aparelho em modo avião. Se você acha muito radical colocar esses cadeados virtuais no seu amado smartphone, deixe-o em modo avião ao longo do dia. Dessa forma, você não será tentado pelas notificações, mas ainda assim poderá acessar o que bem entender quando achar necessário. 

Vá para um lugar sem internet. Esse item é dos mais difíceis, mas ainda é possível. Nas expedições pelo Jalapão (TO), por exemplo, sinal de celular é algo raro – internet, então, mais raro ainda. Já na Ilha do Cardoso, litoral sul de São Paulo, Wi-Fi só em algumas pousadas (nada de conexão na praia). Muitos hotéis também já fazem da falta de internet um marketing positivo, uma maneira de estimular o detox digital. 

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